Aparte
Opinião - A verdade não é filha do marketing, Carlos Cauê
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[*] Rômulo Rodrigues

Há muitas versões expostas sobre a paternidade e ou, maternidade da verdade. Atribuída por uns, ao tempo; por outros, à autoridade, e até tem quem defenda a ciência ou a lógica.

Nunca me julguei dono da verdade. Apenas tenho posição diante dos fatos. E como não tenho recursos para fazer exame de DNA, só posso garantir que não é filha do Marketing.

Um exemplo: se Jackson Barreto não tivesse sonhado com Raul Seixas cantando “veja, não diga que a canção está perdida, tenha fé em Deus, tenha fé na vida. Tente outra vez”, e arregaçado as mangas e puxado a arrancada do segundo turno de 2016, não tinha marqueteiro que virasse aquele jogo em Aracaju.

Lembra, Carlos Cauê, que no dia da inauguração do Centro Tecnológico em homenagem ao grande Rosalvo Alexandre você me confidenciou que, no dia anterior, na W.G, Jackson havia pedido que você conversasse comigo sobre a candidatura de Edvaldo e aí eu tive que desmarcar um café da manhã no dia seguinte na minha casa, agendado com Rogério, João Daniel, Ana Lúcia e o próprio Edvaldo, para receber no café apenas você?

Lembra também que dois dias após a apuração do primeiro turno, você, a pedido de Edvaldo, veio até a minha casa me convocar para a campanha do segundo turno? Mas voltando ao assunto 2004, digo que é sempre uma honra ser contestado por Carlos Cauê, de quem sou fã, pelo aprendizado.

No caso de agora, me chamou a atenção a postura fotográfica de superioridade, daquelas para assustar um interiorano que nem eu. Passado o impacto, leio seu texto e vejo que você contrariou o Padre Antônio Vieira, quando proferiu as sábias palavras: “Quem não lê, não quer saber; e quem não quer saber, quer errar”.

Eis a conclusão: Cauê leu o meu texto, não quis saber o que realmente estava escrito e errou feio, contrariando seu estilo. Baixou o nível, me taxando de fantasioso, o equivalente a mentiroso.

Disse que eu quis ser protagonista e sofismou chamando de jogada uma articulação legítima entre históricos militantes petistas. Corrijo: eu fui protagonista dos episódios narrados, que chamou de narrativa, sem nunca focar os movimentos que faziam por fora do círculo em que atuei.

Os argumentos de Carlos Cauê são legítimos com relação às citações sobre Valadares e Jackson Barreto. Acontece que não me referi ao processo como um todo, mas apenas ao contexto em que atuei com valorosos companheiros.

Escrevi ali naquele texto que Zé Eduardo veio para uma reunião, mas me sentiria constrangido em dizer que ele chutou alguma coisa. Não faz o meu estilo.

Protagonismo? No episódio da crise, sim. Aliás, sou respeitado por respeitar todo e qualquer interlocutor. Portanto, utilizar o pejorativo “jogada” em um ato de vontade legítima é colocar uma temática séria ao rés do chão, e isso eu não faço. Em Caicó, não se faz disso não.

Vejo no semblante do competente profissional um traço de preocupação em uma “narrativa” que em nada o atingiu e ouso pensar ser um sentimento de que as coisas tendem a ser mais difíceis em 2020 do que foram em 2016.

Vou especular pela verdade cartesiana: em 2016, com 6 candidaturas foram apurados 257.505 votos válidos no primeiro turno em Aracaju e nenhum candidato obteve 100 mil votos. Com um detalhe: dois candidatos foram ao 2º turno e a soma dos outros quatros ficou um pouco acima da metade do segundo colocado.

Em 2020 tende a ter, no mínimo, quatro postulantes disputando cabeça a cabeça, e vai ter segundo turno. A candidatura de Edvaldo é forte? É! A de Marcio Macedo também é.

Edvaldo, com menos de dois anos fora da Prefeitura, disputou a eleição para deputado federal em 2014 e obteve 23.696 votos em Aracaju.

Marcio, três anos afastado de Aracaju, obteve 16.238 capital, sendo o segundo candidato mais votado, sem o apoio de Edvaldo, diferente do prefeito, que ganhou a eleição de 2016 com o apoio do PT.

Os detalhes mais importantes do momento são: Marcio é candidato do PT, o PT é o partido mais forte, o PT tem os maiores transferidores de votos e Edvaldo vai à luta sem o PT. Talvez esteja aí o motivo do semblante e de olhar perdido do gênio.

[*] É sindicalista aposentado e militante político.