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Aparte
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Jozailto Lima

É jornalista há 36 anos, tem formação pela Unit e é fundador do Portal JLPolítica. É poeta.

Alessandro Vieira vê “falta de liderança real” em Bolsonaro e Belivaldo Chagas frente ao drama da Covid-19
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Alessandro Vieira: o problema real de Belivaldo e de Bolsonaro é falta de liderança

O senador Alessandro Vieira, Cidadania, disse nesta quinta-feira, 9, com exclusividade à Coluna Aparte que por trás do drama do Coronavírus existe hoje no Brasil e em Sergipe uma crise de liderança política. De chefes de Estado resolutos. Para esse parlamentar, essa é uma crise tão preocupante quanto a da saúde em si.

“Sinto isso. O presidente Jair Bolsonaro não está liderando o país e o governador Belivaldo Chagas não está liderando o Estado. Você tem fragilidades imensas. Essas fragilidades aparecem mais na falta de articulação e de comunicação com a sociedade”, pontuou o senador.

“Analisando o caso federal, temos o presidente da República que tem um alcance popular imenso, mas é paranoico e se recusa a seguir as orientações técnicas que são unânimes mundialmente. Está feia a coisa e a expectativa não é boa. Vai ter problemas na parte da saúde, vai vir muito grave a crise social e econômica e você ainda vai ter que atravessar tudo isso sem liderança”, insiste o senador.

“O problema com o governador do Estado de Sergipe é que, da mesma forma que o presidente, Belivaldo Chagas não se comunica adequadamente com os setores da sociedade. Toda vez que eu preciso articular alguma coisa com Belivaldo Chagas, leva uns três ou quatro dias, e normalmente só acontece depois do prazo. O prefeito Edvaldo Nogueira é mais rápido. Eu sou adversário do Edvaldo, como sou adversário do Belivaldo. Mas tenho que reconhecer isso”, afirma o senador do Cidadania.

“Agora, está faltando da parte dos dois (presidente e governador) uma transparência e uma comunicação maior com a sociedade e com aqueles que podem ajudar. Inclusive na bancada federal. Qual é o planejamento real e o que vai ser feito? Porque recurso está sendo disponibilizado, e em larga escala”, diz ele. “Como consequência das ações tomadas, há o perigo de você ter uma crise muito aguda no sistema de saúde, e com uma mortalidade elevada, e de ter um impacto mais longo na economia”, completa.

“Se você tiver o volume de internações, a exemplo da situação italiana, repetida aqui no Brasil, vamos passar a ter uma paralisação muito maior do que essa paralisação feita pelo isolamento social horizontal. Nós temos uma carência de leitos de UTI, por exemplo. E o que exatamente está sendo feito? Quais as possibilidades para a gente sobre isso? A parte da assistência social, comida para o cidadão, está sendo cuidada? O que a bancada federal pode disponibilizar em termos de acréscimo de recursos? Quais os entraves? É tudo sempre muito lento”, questiona o senador.

O senador Alessandro Vieira bota em questionamento, com peso para a dúvida, a possibilidade concreta de Belivaldo Chagas chamar os 11 membros da bancada federal de Sergipe no Congresso Nacional, sobretudo os do Senado, para discutir em bloco o problema da Covid-19 no Estado de Sergipe. “A gente não tem e não terá com Belivaldo Chagas uma reunião com a bancada federal, infelizmente. Falta para ele a capacidade de liderança mínima para fazer isso. Eu já fiz vários apelos, pessoais e públicos, através da imprensa. Tem que chamar a bancada, especialmente a bancada do Senado, que tem mais força”, diz o parlamentar.

Alessandro Vieira expõe um fato que, segundo ele, depõe contra a agilidade de Belivaldo Chagas enquanto gestor. “Vou dar um exemplo bem concreto de qual é a velocidade do governo: a extensão da liminar concedida ao Estado de São Paulo para deixar de pagar a dívida com a União aconteceu e no mesmo dia eu entrei em contato com Belivaldo Chagas e disse-lhe que abriu o precedente, que valia a pena pedir essa extensão para Sergipe. Foi pedido e concedido imediatamente, mas veio só essa semana. Foi um mês de prejuízo, de falta de articulação. Por inércia mesmo. Pelo fato de a equipe dele não ser uma equipe puramente técnica, mas de cunho político. Nessas horas, a inércia é quase um crime”, fustiga o parlamentar.

Para o senador do Cidadania, as ações de Saúde nessa hora de pandemia estão em descompasso com o volume de recursos disponíveis para promovê-las em Sergipe. “Numa conversa preliminar que tive com Belivaldo Chagas há duas ou três semanas era estimado em R$ 20 milhões os recursos mensais adicionais que ele teria para a saúde. Ora, a bancada disponibilizou quase R$ 60 milhões, ele vai deixar de pagar a dívida com a União, que corresponde a algo em torno de R$ 32 milhões por mês, e então essa conta já está começando a sobrar dinheiro. A gente precisa saber o que vai ser feito disso, porque infelizmente no Brasil, o histórico aponta, quando você tem flexibilização de regras e de fiscalização com volume grande de dinheiro tem desperdício e corrupção”, diz.

Seria por autoritarismo, ou por casmurrice do governador, que as coisas não andam, na sua visão, senador? “Não tenho como avaliar sobre isso especificamente. Apenas sei que falta um atributo necessário para ele nesse momento. É essa questão da liderança. Da capacidade real da liderança. Não quero me colocar, e inclusive tomo esse cuidado, como alguém que quer substituir a figura do governador do Estado. Nada disso. Existe algumas coisas que só ele pode fazer. E se Belivaldo não faz, o que eu posso fazer é cobrar”, adverte Alessandro.

Numa hora como essa devem desaparecer as fronteiras ideológicas e se anularem as disputas pessoais e partidárias? “Sem dúvidas. Para quem tem responsabilidade com o interesse público, esse momento já chegou há muito tempo. Já está atrasado diante do coronavírus. Nesse momento, é preciso e é imprescindível que se relaxem os egos políticos e que desapareçam as fronteiras ideológicas e partidárias”, recomenda o senador Alessandro Vieira.