Aparte
Opinião - Pequenos empresários têm sintomas da Covid-19 
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[*] Adalberto Vasconcelos Andrade

A pandemia que tomou conta de todo o globo terrestre está atingindo em cheio a maioria dos pequenos e médios empresários brasileiros. Mas eles não estão doentes com coronavírus, ou são assintomáticos. Não foram sequer contaminados.

Mesmo assim estão com dificuldades para respirar, sem paladar, com fortes dores de cabeça, sem dormir à noite e precisando se isolar. Muitos não saem de casa e o uso da máscara está sendo permanente. Tudo isso não por medo da doença, mas para não serem identificados e localizados por credores.

Todos estão endividados. Como não ter problemas de saúde com as portas de seus estabelecimentos fechadas há quase três meses, funcionários sendo demitidos, boletos se amontoando sobre à mesa e dificuldades enormes para obter ajuda na rede oficial de bancos?

Quase todos os pequenos e médios empresários estão inadimplentes e quando solicitam empréstimos, exatamente para cobrir débitos, são negativados. Dinheiro fácil, somente para quem não está precisando. Muitos não têm como dar garantias de pagamento, o que piora ainda mais a situação. 

O distanciamento social imposto pelas “autoridades de saúde” está ocorrendo de fato entre o governo e o setor empresarial. A aglomeração pode ocorrer no transporte coletivo, nos próprios bancos e casas lotéricas, mas para o saque da ajuda de R$ 600 oferecida aos mais carentes.

Para o setor produtivo, até agora nenhuma ajuda real trouxe alguma esperança. Sem liquidez, parte dos lojistas já está se desfazendo de seus bens para poder pelo menos sustentar suas famílias e honrar algumas exigências trabalhistas. Quem paga aluguel como os locatários em centros de compras está sofrendo também com o constrangimento das parcelas em atraso.

Como ninguém é capaz de dizer ou garantir quando essa pandemia vai terminar, a agonia cresce a cada dia. Ouvir os noticiários só aumenta o pessimismo. Quando colocam o Brasil entre os países com maior número de casos de contaminados e mortos pelo coronavírus, esquecem de assinalar que o Brasil tem um território continental e com mais de 210 milhões de cidadãos, mas fazem parâmetros com países menores que o Estado de Sergipe, ou Bahia.

A verdade é que diante de tanta insegurança, desinformação e uma ferrenha e inaceitável disputa política entre poderes, esses sintomas mencionados no início desse texto certamente vão se agravar. O pior é que nesses casos não tem vermífugo ou médico que dê jeito. Só Deus.

[*] É administrador de empresas, policial rodoviário federal aposentado, escritor e colaborador efetivo do Portal JLPolítica.