Aparte
Opinião - A delegada Danielle Garcia passou recibo
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[*] Rômulo Rodrigues

Seria cômico se não fosse trágico o artigo Belivaldo e Jackson Barreto X combate à corrupção: de que lado você está?”, da delegada Danielle Garcia, publicado aqui neste mesmo espaço, dividindo o pensamento político de Sergipe em quem combate a corrupção e em quem ataca quem combate.

Cômico, porque relembra aquele depoimento do mestre Ariano Suassuna sobre a madame anfitriã que estranhou que ele não conhecesse a Disney. Segundo o mestre, ela dividia o povo brasileiro em quem conhecia a Disney e em quem não a conhecia.

Trágico, porque vislumbro que a pré-candidata a prefeita vai ser um desastre na política. Lendo o escrito dela, penso em dividir o povo de Sergipe em quem defende, honra e atua na política e, quem é da famigerada antipolitica.

E o faço olhando as extensas vidas públicas dos atacados e a contraditória carreira da atacadora. Com acertos e erros - mais acertos do que erros -, Jackson Barreto e Belivaldo Chagas percorrem a longa estrada da luta pela democracia em contraposição aos atalhos que esta mesma democracia oferece aos oportunistas.

A democracia brasileira - que não se resume em só combater a corrupção -, nos poucos mais de 30 anos da Constituição de 1988, trouxe avanços como o ECA, que acaba de completar três décadas, mas permitiu que instituições de Estado fossem transformadas em subsecções de partidos de direita, casos do MPF, TCU, CGU, PF e o STF, que agora tenta uma recuperação, quando estava nas corda do ringue, acuado pelos morismo e bolsonarismo.

A delegada escrevente, atraída pelos holofotes de Sergio Moro, mudou-se para Brasília, para de lá usar os potentes refletores e encandear Sergipe. Apeada do cargo antes do tempo, Danielle veio a Sergipe sem o devido preparo para defender o que já não tem mais defesa - a Lava Jato suspeita de ser sucursal do FBI no Brasil.

Mas, como baluarte do combate à corrupção, a delegada poderá esclarecer as tratativas de aliança do seu partido, em Aracaju, com o PSDB de José Serra, que tem R$ 40 milhões em contas no exterior fruto de corrupção.

Vamos mais além: por dever de ofício e encargo de função, qual a opinião dela sobre o filme “Polícia Federal, a lei é para todos”, que estreou faz três anos, sem sucesso, e pesa sobre ele ter sido produzido com dinheiro, agentes e equipamentos públicos para promover Sergio Moro?

Alguma opinião, senhora delegada, sobre os R$ 2,5 bilhões que, há suspeitas, Dallagnol pleiteava para fundar um partido e alavancar a candidatura de Moro à Presidência?

Com certeza, a senhora deve estar indignada com os R$ 400 milhões roubados pelo bolsonarista Ricardo Nunes, os R$ 400 milhões lavados pelo MBL e os R$ 508 milhões oferecidos pela juíza do copia e cola ao Governo Bolsonaro para combater o Covid-19, que ele defende.

Aguardo sua reação ao fato de o ministro Paulo Guedes vender a carteira de crédito do Banco do Brasil, que vale R$ 3 bilhões, pela ninharia de R$ 371 milhões ao Banco que ele fundou.

Lembre-se doutora: antes da avalanche destruidora da economia do país, que desaguou no golpe que elegeu o governo a quem a senhora serviu, o Brasil fabricava aviões, sondas, plataformas e navios. Hoje, com a sua ajuda, não fabrica nem máscara para nos proteger do Coronavírus.

[*] É militante político e sindicalista aposentado.