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Opinião - Batistão, 50 anos: futebol, música e política
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[*] Marcos Cardoso

Há 50 anos, em 9 de julho de 1969, foi inaugurado o Estádio Estadual Lourival Baptista. Localizado no limite entre os bairros São José e Treze de Julho, o popular Batistão, maior praça esportiva sergipana, foi idealizado para substituir o antigo Estádio Estadual de Aracaju, garantindo melhor condição para a prática do futebol e mais conforto para quem vai ao estádio torcer pelo seu clube.

A construção do Batistão aconteceu em tempo recorde para os padrões da engenharia no Brasil. O governador Lourival Baptista, que deu nome ao estádio, o entregou ao público em pouco mais de um ano.

O baiano Lourival Baptista foi o primeiro governador sergipano indicado pelo regime militar. Habilidoso e popular, ele fez um governo operoso e de grandes realizações. Construiu o Edifício Estado de Sergipe, uma espécie de Centro Administrativo que ficou conhecido com o nome de Maria Feliciana.

Com 28 pavimentos, é até hoje o maior prédio construído no Estado e do alto do qual, diz a lenda, ele gostaria de avistar a sua querida São Cristóvão, onde foi prefeito e se revelou para a política.

Construiu a rodovia ligando a BR-101 a Lagarto e um teatro no bairro Getúlio Vargas, todas as obras batizadas com o seu nome. Também se chama Lourival Baptista um conjunto habitacional no bairro Capucho.

Além de construir casas, estradas e escolas, ele ampliou a presença da Chesf no Estado, criou o Distrito Industrial de Aracaju, trouxe um escritório da Petrobras para Sergipe e implantou o Tribunal de Contas do Estado.

Mas o Batistão é considerado a sua principal obra. A inauguração do estádio foi um evento que mexeu com a autoestima do sergipano. O Rei do Baião, Luiz Gonzaga, veio cantar o Hino do Batistão, que ele compôs em parceria com o jornalista Hugo Costa. Os artistas Josa, o Vaqueiro do Sertão, Clemilda e Gerson Filho também estavam presentes à festa

Mas a grande atração do evento foi a Seleção Brasileira, que se preparava para conquistar o tricampeonato na Copa do México no ano seguinte, e que enfrentou um combinado de jogadores dos times locais.

Comandada por João Saldanha, a seleção de Félix, Carlos Alberto Torres, Brito, Piazza, Gerson, Tostão, Jairzinho, Edu e outro Rei, o Pelé, goleou o selecionado sergipano por 8 a 2. O primeiro gol anotado no Batistão foi de Toninho Guerreiro, da Seleção Brasileira.

O primeiro sergipano a balançar a rede foi Clodoaldo, também do selecionado nacional. Ainda teve o primeiro gol contra, marcado pelo zagueiro Beto, da seleção local. O árbitro do espetáculo foi o lendário Armando Marques.

No primeiro dia de funcionamento, o Batistão registrou seu recorde de público: mais de 45 mil pessoas lotaram as arquibancadas, as cadeiras e a geral do estádio. Tinha gente até nas torres, segundo lembra o radialista Carlos Magalhães, que transmitiu a festa e o jogo.

Magalhães ficou responsável pela recepção dos profissionais da imprensa nacional, muitos acomodados em casas de pessoas amigas, porque a rede hoteleira local não deu conta de tantos visitantes.

O Batistão foi palco de grandes jogos dos clubes locais. Ali o Itabaiana conquistou o pentacampeonato estadual entre os anos de 1978 e 82. No Brasileirão de 1983, o Sergipe fez história no empate contra o São Paulo ao levar ao estádio o maior púbico pagante, mais de 35 mil torcedores. E, em 2016, o Confiança derrotou o Flamengo pela Copa do Brasil, um a zero, com um jogador a menos durante quase toda a partida, que foi arbitrada por Arnaldo César Coelho.

Mas o Batistão também teve momentos de tristeza, lamento e quase tragédia. Em 1998, o estádio fechou as portas após a queda de uma das marquises. A tragédia poderia ter acontecido porque dias antes, uma festa de Natal promovida pelo Governo do Estado reuniu mais de 20 mil pessoas, muitas crianças.

Em 2013, o Estádio Lourival Baptista passou por sua primeira grande reforma, quando virou centro de treinamento da seleção da Grécia, na Copa do Mundo de 2014. A reinauguração oficial só aconteceu em fevereiro de 2015, no triunfo do Confiança sobre o Vitória, pela Copa do Nordeste, já como Arena Batistão.

Tudo passou a ser novo, o sistema de drenagem, iluminação, gramado e estacionamento. Os vestiários, cabines de rádio e televisão, camarotes e sala de comando foram climatizados. Também foi instalado um moderno placar de 25 metros quadrados, catracas eletrônicas e sistema de sonorização. A Arena Batistão hoje tem capacidade para acomodar 15.575 pessoas.

Em outubro de 2015, quase 20 mil pessoas lotaram as arquibancadas e as cadeiras especiais instaladas no gramado para assistir ao show do Rei da Jovem Guarda, Roberto Carlos. O espetáculo concretizou um dos objetivos da Arena Batistão, o conceito de multiuso, local para jogos de futebol, shows musicais e megaeventos.

Para comemorar os 50 anos, o governo do Estado e a crônica esportiva prepararam uma intensa programação, que se estenderá por um ano. No dia do aniversário, nesta terça-feira, 9 de julho, o evento principal será o jogo entre a equipe “Amigos de Washington Coração Valente”, formada por ex-craques do futebol brasileiro, contra ex-craques do futebol sergipano. Jornalistas e radialistas que participaram da inauguração do Batistão em 1969 também serão homenageados.

[*] É jornalista e colaborador semanal da Infonet, onde este texto foi primeiramente publicado.