Aparte
Opinião - Desabafo de um cidadão socorrense
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[*] Uilliam Pinheiro

Nossa Senhora do Socorro é o segundo município mais populoso do Estado de Sergipe e fica numa região privilegiada, ao lado da capital do Estado, Aracaju. Possui uma extensa área territorial com muitas particularidades, uma cultura rica, um povo ordeiro e trabalhador.

Entretanto, há também vários desafios que precisam ser enfrentados, e para que isso aconteça o município de Nossa Senhora do Socorro necessita de um prefeito que tenha visão e habilidade administrativa.

Legitimamente, o prefeito Padre Inaldo foi eleito em 2016 pelos eleitores socorrenses que acreditaram no seu slogan “Agora é a vez do povo”. Porém o plano e o programa de governo para enfrentar os desafios existentes no município não foram apresentados naquele momento e seguimos aguardando até hoje.

Logo nos primeiros meses de gestão, a população notou a falta de planejamento, habilidade administrativa, política e, principalmente, a falta de diálogo do prefeito Padre Inaldo, o que é imprescindível em uma democracia.

Como qualquer político tradicional, ele logo colocou a culpa na gestão anterior do ex-prefeito Fábio Henrique. Reconheço que houve uma herança financeira que impossibilitou o início da gestão, mas usar esse discurso até hoje é uma brincadeira de mau gosto com a inteligência da sociedade socorrense.

Cada dia mais, a população reprova a gestão do prefeito e anseia por um administrador público que tenha condições técnicas, políticas e trato com a população para levar Nossa Senhora do Socorro a um novo patamar, tornando-se em uma das economias mais robustas do Estado.

É inacreditável, para mim, que nosso município perca economicamente para municípios como Itabaiana, Lagarto, Estância e Nossa Senhora da Glória, não tirando o mérito desses municípios, mas trazendo uma reflexão do grande potencial existente em Nossa Senhora do Socorro e desperdiçado por falta de um prefeito que tenha competências técnicas e políticas para tal.

É lamentável a situação de abandono pela qual o município atravessa. Indústrias fechando uma a uma, gerando desemprego. Praças e áreas públicas abandonadas ao léu, tornando muitos desses locais pontos de consumo de drogas.

A violência urbana incontrolável sendo considerado um dos municípios mais violentos do Brasil, segundo o Atlas da Violência publicado pelo Ipea. Muitas ruas, em várias localidades, sem nenhuma infraestrutura, como na Piabeta, Guajará, Novo Horizonte, Parque dos Faróis e povoados afora no município.

Exemplificando a falta de sensibilidade e planejamento do prefeito Inaldo, em parceria com o Governo do Estado preferiu asfaltar todo o Conjunto João Alves e o Conjunto Fernando Collor que já eram bem pavimentados em detrimento a bairros como o Guajará, que vivem na lama e muitas vezes dada a essa precariedade nem o transporte público consegue oferece o serviço aos moradores.

Hoje, a gestão é conhecida como a gestão do paliativo, pois tudo que fazem é tentar maquiar os problemas com ações de pouca efetividade. Mas há um ponto em que a gestão é competente: na realização de festas. O gasto utilizado em festejos como Carnaval, Forró Siri e outras comemorações nos primeiros seis meses de 2019 foram aproximadamente de R$ 1.195.508,00, segundo dados do Portal da Transparência do município.

Um valor considerável, capaz de sanar alguns dos problemas de infraestrutura de nosso município. Mas, claro, é preciso coragem para priorizar uma ação que trará benefício duradouro como a pavimentação de ruas por uma ação populista como a realização de festejos e a gestão tem escolhido a política do pão e circo.

Como qualquer político tradicional, o prefeito Inaldo não fugiria à regra do loteamento de cargos públicos na prefeitura para atendimento de desejos políticos/eleitorais. Hoje, a máquina municipal é muito pesada para o contribuinte socorrense e o retorno dessa máquina para os cidadãos é de péssima qualidade.

Segundo dados do Secretaria do Tesouro Nacional – STN - houve um aumento de cerca 41,06% no valor do FPM do município de Nossa Senhora do Socorro comparando os primeiros seis meses de 2018 para o mesmo período de 2019, onde o repasse nesse período em 2018 foi de R$ 34.427.742,01 enquanto em 2019 elevou-se para R$ 48.564.773,66. Um aumento da ordem de mais R$ 14 milhões.

Agora se as receitas tem aumentado, por que isso não está sendo refletido nos serviços públicos ofertados pela gestão? Sou cidadão socorrense e este é um desabafo compartilhado e um convite (ou um pedido) para que a gente reflita sobre nossas escolhas políticas, pois o impacto em nossas vidas é muito significante.

Aponto erros na gestão do prefeito Inaldo sim, mas espero que ele leve esses apontamentos como reflexão para ser ajustado o leme da sua gestão, pois ainda existem cerca de 18 meses de gestão e a população merece serviços públicos de qualidade e foi para isso que ele foi eleito. Continuarei cumprindo meu papel como cidadão apontando soluções e sinalizando os erros para que Nossa Senhora do Socorro possa vir a ter dias melhores.

[*] É economista, cidadão socorrense e militante social.