Aparte
Opinião - No mês da advocacia, muitas reflexões sobre uma nova realidade
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[*] Inácio Krauss

Estamos em pleno mês da advocacia! Em vez de eventos comemorativos, muita reflexão. Vivemos um novo tempo, marcado por mudanças nas relações pessoais e, sobretudo, profissionais. São várias as questões fundamentais para a classe a serem ainda debatidas, entretanto, nenhuma tem a urgência de responder - ou buscar entender - como a que discute como ficará a advocacia no pós-pandemia.

Muitas profissões precisaram se reinventar para permanecer atuando após as restrições impostas pelo novo coronavírus. Algumas tendências futuras foram aceleradas. Mudanças previstas para ocorrer em cinco ou dez anos já estão acontecendo, e provocam alterações na configuração do trabalho. Apesar das dificuldades, surgem boas oportunidades de aprimoramento e negócios.

A realidade da advocacia, agora com escritórios enxutos e tendo o celular como plataforma de trabalho remoto para videoconferências e sessões virtuais, trouxe menos gravatas, horários mais flexíveis e menos custos operacionais. A classe foi obrigada a uma rápida adaptação diante da transformação digital emergente e inesperada.

De fato, parte dos instrumentos agora utilizados já fazia parte do cotidiano da advocacia. A questão é como o trabalho remoto tem afetado a relação da classe com o Judiciário. Este não pode se valer das novas tecnologias para tentar se afastar da advocacia e da sociedade.

As estatísticas não devem ser o único parâmetro para medir a eficiência da Justiça. É louvável a revolução digital do Poder Judiciário na pandemia do coronavírus, contudo, decisões dos magistrados, vale lembrar, afetam diretamente pessoas de carne e osso cujas vidas são impactadas.

Diante de tantas inovações em curso e dos protocolos exigidos pelo Judiciário, torna-se imprescindível à advocacia a capacitação e atualização, com ênfase nas tecnologias usadas em cada tribunal. O chamado Direito Digital veio para ficar e serão vencedores apenas aqueles que souberem conciliar expertise jurídica com o constante aprimoramento tecnológico.

A advocacia evoluiu da figura do conselheiro tribal e de lideranças comunitárias para os grandes tribunos nas dinastias egípcias, na Grécia e no Império Romano. No fim do século passado e começo deste novo milênio, substituiu a datilografia e as pilhas de processos pelo computador, digitalização e dispositivos eletrônicos. Os desafios eram imensos, mas foram superados.

A história tem inúmeros exemplos de como a advocacia se reinventa e se torna mais forte em momentos de crise. O pós-pandemia se avizinha como um desses períodos decisivos, que deve ser observado sob a ótica da oportunidade. Diante de mudanças inexoráveis, resta-nos manter acesa a chama da esperança. Dias melhores virão. Juntos venceremos mais essa batalha. Parabéns, advocacia sergipana!

[*] É presidente da OAB/SE.