Aparte
Opinião - A gestão do pão e circo do prefeito Padre Inaldo
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[*] Uilliam Pinheiro

O termo “política do pão e circo”, originada do latim “panem et circenses”, ficou conhecido mundialmente ainda na era medieval. Era o modo com o qual os líderes romanos lidavam com a população em geral, para mantê-la fiel à ordem estabelecida e conquistar o seu apoio através do fornecimento de alimentos e do divertimento.

Séculos à frente, a gestão do prefeito Padre Inaldo, do município de Nossa Senhora do Socorro, se utiliza desta política populista. Os indicadores sociais e os gastos efetuados pela gestão mostram claramente a falta de planejamento e foco nas áreas mais essenciais para a população e priorização do marketing e do divertimento.

O índice de desemprego no município aumentou de forma alarmante, como revelam os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados - Caged -, havendo um saldo negativo de 777 vagas de emprego nos primeiros de 10 meses do ano.

Isso demonstra como a estratégia empregada pela Secretaria Municipal do Trabalho de Nossa Senhora do Socorro através de suas “caravanas de emprego” é mais um artifício de marketing do que uma política pública efetiva de geração de emprego e renda.

Quando falamos de segurança pública, a atuação da gestão do prefeito Padre Inaldo é inoperante. Infelizmente, Nossa Senhora do Socorro se encontra entre as 20 cidades mais violentas do Brasil, como apresentado pelo estudo do Atlas da Violência realizado pelo IPEA.

A área de segurança pública é uma atribuição predominante do Estado, mas como aliado do Governo do Estado, o prefeito Padre Inaldo poderia muito bem solicitar ações e políticas por parte do governador Belivaldo Chagas que pudessem reverter esse quadro, criando, por exemplo, um agrupamento do Getam específico para o município, como também novos postos de polícias comunitárias. Mas o prefeito cruza os braços.

Quem caminha pela cidade se depara com o abandono das praças públicas, ruas sem pavimentação e saneamento básico, lixo espalhado pelas vias urbanas e a reprovação na forma em gerir as receitas do município estampada nos rostos dos cidadãos do município.

Mas, para esconder todo esse cenário caótico em que vive o município, a gestão aplica a política do pão e circo, buscando maquiar a realidade e passar para a população uma sensação de ações efetivas (o que verdadeiramente não ocorre).

Propagandas espalhadas por toda a cidade e nos meios de comunicação são viabilizadas com recurso público, assim como a prática personalista de pintar os imóveis públicos com a cor laranja visando a promoção da gestão. Gastos excessivos e que poderiam estar sendo investidos em ações prioritárias de ampliação e melhoria dos serviços básicos.

Consultando o Portal da Transparência da Prefeitura, temos mais evidências de como a prioridade é a política do pão e circo: de janeiro a outubro de 2019, a prefeitura gastou cerca de 10% de seu orçamento com publicidade e na realização de festas.

Os valores gastos nessas duas áreas giram em torno de R$ 3,2 milhões. Se somarmos os três anos de gestão, vamos encontrar um valor superior a R$ 10 milhões gastos em publicidade e na realização de festas.

O loteamento de cargos públicos é evidente quando observamos o aumento de cargos comissionados no último ano. Em outubro de 2018 eram 743 cargos comissionados, já em outubro de 2019 são 801. Um aumento de 58 cargos comissionados mostrando a real prioridade da gestão: manter-se no poder, ao invés de servir à população.

Temos dados e evidências, cabe à população de Nossa Senhora do Socorro abrir os olhos e cobrar efetividade das ações e políticas públicas da gestão do prefeito Padre Inaldo. Foi para resolver os problemas dos munícipes que ele foi eleito e não para perpetuar a prática nociva e manipuladora da política do pão e circo.

[*] É graduado em Economia e ativista social.