Aparte
Opinião - Aos que querem a guerra
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[*] Paulo Roberto Dantas Brandão

Nesses tempos estranhos tenho topado com pessoas que vibram pela deterioração da política entre os EUA e o Irã.  Alguns que babam por uma guerra.  Como sou pacifista, torço sempre pela paz. Por coincidência acabei de ler um livro de Martin Gilbert com o título “A Segunda Guerra Mundial”. Tenho uma biblioteca bem razoável sobre as Guerras Mundiais (primeira e segunda). O assunto me interessa, porque preciso saber sobre ele, para entender que numa guerra, quem mais sofre são os inocentes.

O livro de Gilbert não é o melhor, mas é diferente por duas razões. A primeira é que relata o conflito quase que na forma de um diário. Relata os acontecimentos importantes dia a dia. A segunda é que ao lado dos acontecimentos importantes lista os alguns dos milhões que sofreram anonimamente. E, quando possível, divulga a identidade e como sofreram algumas dessas pessoas simples que pereceram de forma bárbara no conflito. Fiquei particularmente sensibilizado com o caso de transcrevo.

“No dia do desembarque em Anzio (janeiro de 1944), um soldado britânico Christopher Hayes encontrou uma menina italiana, de seis anos, vagando por um campo minado atrás da praia. A menina, segundo declarou, chamava-se Angelita. Não se sabendo o que aconteceu a sua mãe, a menina foi mantida junto à unidade de Hayes durante dez dias. Em 1º de fevereiro, quando subia num caminhão com os soldados, foi atingida por uma granada e atirada pelos ares com todos os ocupantes. “Minha espingarda explodiu”, lembraria Heys.  “Peguei Angelita e levantei-a. Ela havia morrido, então abandonei-a à beira da estrada’”.

[*] É advogado e jornalista.