Aparte
Opinião - O avatar de Lincoln Gordon
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[*] Rômulo Rodrigues 

Após o embaixador dos Estados Unidos Todd Chapman ameaçar o Brasil com retaliações, se não banir do País a Huwei, por causa da disputa da tecnologia 5G no Brasil, é dever de quem defende ainda esteja alienado pela guerra híbrida, dar uma espiada na História.

Porém, antes de voltar ao passado, década de 1960, é bom olhar o que representa a intervenção do embaixador americano na compra da tecnologia chinesa.

É que, antes dele, Todd Chapman, chegou por aqui a embaixadora Eliana Ayalde, após organizar e executar dois golpes, na América Central e América do Sul e Todd dar sequência aos trabalhos resgatando o papel de interventor, de Lincoln Gordon.

E o que fez o Sr. Gordon? Simplesmente financiou, em 1962, com U$ 5 milhões, em notas, a eleição de uma bancada de 111 Deputados Federais, sob a coordenação do Deputado Aécio  Borba, genro do Dr. Tancredo Neves e pai do hoje Deputado Federal Aécio Neves (PSDB), partido que vai indicar o vice da Delegada Danielle, cujo objetivo foi boicotar o programa de reformas do Presidente João Goulart.

As reformas propostas por Jango, as reformas de base; eram a reforma agrária, a eleitoral, a tributária, a do sistema habitacional, a da educação, entre outras, que ainda hoje são reclamadas pelas elites e que, elas mesmas derrubam os governos que quiseram aprova-las. Sabem por quê? Porque tais reformas estruturantes colocariam o Brasil no centro da agenda mundial e isso depende da aprovação dos EUA e quem dá o sim ou não, é o embaixador.

Os únicos governos que bateram de frente contra a submissão foram os de Lula e Dilma e por isso ela foi deposta e ele preso para não ganhar a eleição e acabar com a sabujice do golpe.

Intrigante é o papel dos servidores públicos, pagos com dinheiro do povo, os generais que falam grosso quando é para prender, torturar e matar, trabalhadores nacionalistas e falam fino para os prepostos americanos e se sujeitam a matar a Democracia em troca de cargos para eles, seus filhos e dos seus amigos, como está acontecendo.

Querem um exemplo? O Brasil paga com dinheiro nosso, dos nossos impostos, um general lotado nos EUA, para receber ordens lá e transmitir para cá.

Existia isso nos governos Lula e Dilma? Claro que não! Existe hoje porque no golpe de 2016, o cérebro e o cofre estavam lá.

No golpe contra Jango, o último a abandona-lo foi o general Amaury Kruel. Tempos depois, os jornais de lá noticiavam sobre uma mala com U$ 1,2 milhão, entregue na embaixada, ao dito cujo.

Alguém na imprensa investigativa já se interessou pelo episódio marcante da nossa História em que um Ex-Presidente que estava preso, sem crimes e sem provas, tem um pedido de Habeas Corpus concedido pelo Desembargador de plantão do Tribunal Regional Federal, superior imediato do juiz que o condenou e não houve cumprimento da decisão porque, supostamente, veio uma ordem dos EUA para a bancada do jornalismo da TV, o jornalismo repassou para o comandante do exército e este para o STF e anularam a decisão do Desembargador a tempo de sair como manchete no Jornal nacional?

Pois é, tudo indica que isso aconteceu e, como no choro de Zelão; ninguém viu, ninguém brincou e não era carnaval.

Como a História não perdoa, alguns personagens caminham para o lixo da história, o engomadinho Moro está a caminho de virar Joaquim Barbosa, o tal general talvez não chegue a general da banda e os meninos delinquente de Curitiba tão que nem galinha em cima da chapa quando ela começa a esquentar; o tempo todo reclamando e pulando num pé só.

O personagem principal daquela cena, que já recebeu 36 títulos de Dr. Honoris Causa das maiores universidades do mundo, continua sua trajetória de grande Estadista, cada vez mais paparicado pelas maiores lideranças e chefes de Estados mundiais.

[*] É sindicalista aposentado e militante político.