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Aparte
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Jozailto Lima

É jornalista há 36 anos, tem formação pela Unit e é fundador do Portal JLPolítica. É poeta.

Direita orgânica refuta e rechaça com barraco presença do Rodrigo Valadares no PSL
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Tarantela: disposto a fazer barraco em frente ao Palácio do Planalto para interditar Rodrigo Valadares

A direita sergipana está se desintegrando mesmo antes de afigurar uma imagem consistente. Desde a última segunda-feira, ela entrou num parafuso de deixar confuso o velho Plínio Salgado e suas teses do integralismo.

Na noite da última quinta-feira, uma sessão barraco protagonizada por essa turma chamuscou o teto do Restaurante Carro de Bois, na Atalaia. Ali se encontravam o deputado federal pela Paraíba, Julian Lemos, PSL, que veio a Sergipe passar o comando desse partido ao deputado estadual Rodrigo Valadares, o próprio Rodrigo, mais Lúcio Flávio Rocha, do Brasil200, um exemplar dessa nova direita empedernida, e o vereador Cabo Amintas.

No auge da conversa-jantar, João Tarantela irrompeu no salão do Carro de Bois acompanhado de uma dezena de pessoas e a partir dali foi um deus-nos-acuda. A turma do Tarantela literalmente jogou areia na conversa e, sobretudo, na comida.

A boa e jocosa memória de Tarantela reconstitui aquele momento. “Eu fui lá no Restaurante Carro de Bois para desmontar a comemoração deles. Eu fui provocar uma confusão lá no restaurante. O que foi que aconteceu? Eu não considero que tenha sido uma baixaria e até gostei, porque eles saíram mastigando e ainda deixaram um bocado de comida lá no prato. Estavam lá Julian Lemos, Rodrigo Valadares, o vereador Amintas, Lúcio Prado, do Brasil200 e um xepeirosinho assessor, que não sei o quem e nem o que estava fazendo lá”, diz Tarantela.

“Chegarmos lá com mais ou menos dez pessoas e cercamos a mesa. Eles ficaram sem saber o que fazer. Eu saí ironicamente apertando a mão de um por um e reclamando do porquê de eles estarem comemorando e não me convidarem para aquele jantar. Os caras deixaram o jantar pelo meio e saíram com a peste”, completa João Tarantela.

Os militantes de Sergipe que se acham bolsonaristas mais puro-sangue, mais orgânicos, não aceitam, sob hipótese alguma, que Rodrigo Valadares assuma o PSL no Estado - e o barraco no restaurante teve por finalidade demarcar exatamente isso. Para esses militantes, Rodrigo não é um direitista juramentado ainda - mesmo que possa haver controversa nisso.

“O PSL de Sergipe não vai para Rodrigo Valadares, porque não eu vou deixar. Você acha que um cara que ontem defendia o Lula Livre, como foi Rodrigo Valadares, eu vou deixar que venha a defender o projeto de Jair Bolsonaro? Quem é que acha que vou ficar aqui com cara de tacho? Eu vou pra cima dele parecendo um trator de esteira. Eu estou garantindo aqui”, desafio João Tarantela.

Tarantela propõe a fazer um barraco maior que o do Carro de Bois no Palácio do Planalto para interditar a ida de Rodrigo Valadares ao PSL. “Se precisar, eu vou para Brasília, ficarei amarrado lá numa faixa de 200 metros do Palácio do presidente para ele me receber e eu dizer que é a gangue do PT que está mandando no PSL de Sergipe”, diz.

“Rodrigo Valadares é deputado pelo PTB e não pode sair do partido agora. Não tem janela. Aí eles querem usar o nosso partido como se fosse um braço, uma filial deles. Anote aí: isso não vai acontecer nunca. Ele acha que vai ter o apoio de 140 mil pessoas que apoiaram o projeto de Bolsonaro aqui em Aracaju e não se lembra que é o cara do Lula Livre”, diz João Tarantela.

Numa ação que ele supõe que tenha peso denunciativo, João Tarantela distribuiu pelas mídias sociais nesta sexta uma série de fotos de Rodrigo Valadares usando bonés do MST, fazendo o L do Lula Livre ao lado de Márcio Macedo, vice-presidente nacional do PT, e em pose com o senador Rogério Carvalho. Isso foi tema de um artigo dos direitistas que esta Coluna publica hoje. “É esse cara que quer mandar no PSL de Sergipe? De jeito nenhum”, fustiga.

Toda essa balbúrdia protagonizada pela presença de Julian Lemos em Sergipe - ele foi o coordenador da campanha de Bolsonaro no Nordeste – e pelo repasse do PSL para Rodrigo Valadares, pegou Waldir Vianna, o presidente estadual desse partido em Sergipe, com as calças no chão. Na quinta-feira, Waldir tinha distribuído release chamando alegremente para um grande evento de filiação neste sábado, 17.

Eis parte do texto. “Com uma bancada de 53 deputados na Câmara Federal e por ser a sigla do presidente Jair Bolsonaro, o Partido Social Liberal –PSL - tem atraído a atenção nos debates nacionais e se prepara para as eleições de 2020, quando serão eleitos prefeitos, vice-prefeitos e vereadores. Já pensando no fortalecimento do partido para o próximo ano, a direção nacional estará promovendo no próximo sábado, 17, às 17h, um grande evento nacional de filiação, que acontecerá paralelamente em todas as capitais do país”, dizia.

“Em Sergipe, o presidente estadual do PSL, Waldir Vianna, destacou a importância desse evento para fortalecer a sigla no estado. Durante entrevista ao programa Linha Direta, na Rádio Cultura AM, ele destacou que o objetivo principal é trabalhar por um partido forte e unido em prol do crescimento do país, com pessoas que tenham essa visão e interesse em colaborar com Sergipe e o Brasil”, completava o texto da assessoria de Waldir.

“Estamos convidando homens e mulheres para que conheçam o PSL. Não somos totalitários, queremos novos partidários, novos patriotas, pessoas preparadas e com vontade de trabalhar pelo bem comum”, dizia Waldir, na chamada. “O Waldir Vianna hoje não é mais nada da Executiva Estadual, porque ele deixou o partido inativo. O PSL de Sergipe hoje não existe”, fustiga João Tarantela. A Coluna Aparte tentou contato com Rodrigo Valadares nesta quinta e não conseguiu.