Aparte
Opinião - Que péssimo exemplo, hein Milton Andrade!
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[*] José Almeida Lima

“Quem não pode atacar o argumento, ataca o argumentador”. Assim disse Paul Valéry, o poeta e filósofo francês, e assim, de forma desprezível, Milton Andrade agiu. Ao perceber não ser o centro do universo, apesar da vaidade e do ego sempre inflados, ele se sentiu ferido tal criança mimada e, enfurecido, foi desleal, ofensivo e desrespeitoso.

Milton Andrade desviou o foco do debate que era sobre política, e veio para o lado pessoal. Mentiu ao afirmar que eu tenho três aposentarias pagas pelo poder público: uma na Assembleia Legislativa como ex-deputado estadual, outra na Câmara Federal como ex-deputado federal e uma terceira no Senado Federal como ex-senador da República.

Pois eu afirmo categoricamente: não tenho aposentadoria em nenhum lugar, de qualquer espécie ou natureza, muito menos essas. Não tenho, nem as terei no futuro, pois quando estive nesses parlamentos eu não fiz opção por privilégios. Os mandatos que eu exerci foram instrumentos políticos em defesa do interesse público, e é isso o que me diferencia daqueles que estão na base da “origem política” do próprio Milton Andrade. 

A réplica que ele fez aqui não é digna de tréplica, embora seja necessária para que a verdade prevaleça sempre. E é muito lamentável saber que ele, um principiante na política, já tenha, em tão pouco tempo, se apropriado do mau costume que somente é comum aos políticos de velhas e condenáveis práticas, a exemplo da mentira, do sofisma.

Esse é um péssimo exemplo que ele dá aos jovens que, por essas mesmas razões, não simpatizam com a atividade política. Aqui eu faço uso de uma metáfora para dizer que ele fez o antijogo, que foi desleal ao deixar a bola para atingir a minha perna. Uma atitude vil. Afinal, em meu artigo eu não menti nem o ofendi

Creio até que a reação foi um desatino, pois, embora ele tenha instigado os leitores ao debate da tese que apresentou, a de “acabar o BNDES”, ele imaginou que argumentaria sozinho, que não haveria tese contrária e à altura da sua temerária ideia e frágil argumentação. Some-se a isso o fato de ele ter sido surpreendido fazendo citações históricas erradas, o que exacerbou ainda mais a sua latente vaidade.

Sou político, mas não tenho a caricatura da política velhaca abominada pela maioria da população brasileira. A minha atuação sempre esteve além do meu tempo. O que fiz nos parlamentos tem servido de modelo até os dias atuais. Os feitos da minha gestão na Prefeitura de Aracaju ainda não foram superados pelos meus sucessores em nenhum aspecto, e eu os submeto ao debate, à dura prova, da mesma forma que faço quanto à minha passagem pela gestão da Saúde no Estado.

Portanto, nada desabona a minha história política, e não será Milton Andrade, o “novo velho” da política sergipana, que vai me rotular ao seu bel-prazer. Quanto aos “argumentos sobre economia” por ele trazidos na réplica, eu me permito preferir os de John Keynes, Gunnar Myrdal e Celso Furtado.

[*] É advogado, ex-prefeito de Aracaju, ex-senador e ex-secretário de Estado da Saúde.