Aparte
Opinião - Não é hora de romantismo: a mulher clama por mais proteção
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 [*] Bertulino Menezes

Há poucos dias, estava fazendo minhas leituras pela internet e vi alguns dados assustadores. No ano passado, a Delegacia da Mulher já havia registrado quase 1.600 casos de violência doméstica, nos Municípios de Aracaju, Itabaiana, Lagarto e Estância. Nessa conta, somam-se casos de morte, estupro, maus tratos e outros mais, que só ajudam a colocar o nosso Estado numa situação delicada.

Não é só Sergipe que se destaca, é o Brasil inteiro, já que ocupa o quinto lugar no mundo, onde mais acontece o feminicídio – assassinato de mulheres por seus companheiros. Esses números normalmente fazem parte da frieza policial, não tocam no lado humano. Fico imaginando quantas crianças ficaram desamparadas, fruto dessa barbárie de nossa sociedade.

Há solução para o problema? Sempre acredito que sim, e me esforço na triste tarefa de acreditar no ser humano. É preciso muito envolvimento das autoridades, e não falo aqui só dos comandos policiais.

Este é um problema que envolve a ignorância, ou seja, falamos de cultura, educação.  Lembro, também, que o machismo nordestino é fruto de questões psicológicas sérias, onde a angústia e a falta de emprego levam às piores consequências. 

A questão é grave, senhores. Não bastam as denúncias e a eficiência da Delegacia da Mulher. Precisamos discutir políticas públicas, refletir sobre nossa sociedade, iniciar movimentos fortes que apontem falhas nos programas culturais, envolver a religião.

Não basta o romantismo, não há mais lugar para o palanque. A sociedade pede soluções urgentes. As mulheres clamam por mais proteção.

[*] É jornalista, empresário, ex-vereador de Aracaju e funcionário do judiciário sergipano.