Aparte
Opinião - A imprensa e a censura - final
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[*] Adalberto Vasconcelos Andrade 

A Constituição Federal de 1988 assegura a liberdade de manifestação do pensamento e de expressão (artigo 5, incisos IV e IX) e, por consequência, veda qualquer tipo de restrição ou censura a esses direitos, bem como à liberdade de informação jornalística por qualquer meio de comunicação social (artigo 220).  

Entretanto, o Judiciário brasileiro tem impedido que alguns fatos envolvendo pessoas públicas sejam levados ao conhecimento da sociedade. Mas falar de amor, sexo e traição é menos perigoso do que falar de política. 

Os políticos e algumas autoridades do JJudiciário não gostam de críticas que revelam suas estripulias ou desvios de conduta. Por isso com o artigo “Bicho solto” encerro a série em homenagem ao amigo, poeta e jornalista Jozailto Lima pelos seus 30 anos de jornalismo no Estado de Sergipe.  

Foi ele quem me abriu as portas nesse complexo, mas ao mesmo tempo fascinante e misterioso universo da escrita. Vai transcrito na íntegra a seguir.

“Bicho solto” - Vive melhor quem busca a qualidade total em tudo o que faz, e no sexo não é diferente. Portanto, na sua vida íntima, entre ser feliz e não ser, você é quem faz a diferença. 

Você pode pensar ou até dizer que sexo não é tudo, mas quem o conhece ou já o experimentou sabe que a vida sem ele perde o encanto. Tudo gira em torno dele, por mais que se queira negar ou deixar de pensar.  

Ao longo da história, o homem sempre gozou do privilégio de exercer a sua sexualidade, de fato e de direito, ao mesmo tempo em que criava normas de conduta e padrões de comportamento, limitando ou proibindo o mesmo direito a mulher.

Foi neste contexto machista e patriarcal que a mulher conheceu e tratou a sua sexualidade. Não à toa que ainda se sente presa a tabus e preconceitos solidificados há séculos, quando o assunto é sexo.

Diante das vantagens, oportunidades e liberdades para assumir e viver de forma plena a sua sexualidade, o homem tem obrigação de ser feliz. Ou melhor, o homem é feliz e não sabe.  

Mas transar, para o homem, não representa um problema de ordem maior, porque de uma maneira ou de outra acaba se satisfazendo. O que o preocupa de fato são as relações afetivas e a satisfação no casamento abaixo da expectativa, a dificuldade de conciliar as diferenças e de lidar com os próprios sentimentos.

Contudo, mais cedo ou mais tarde o homem desiste de continuar solteiro, de viver só de aventuras e decide por um relacionamento estável. “Se namorar é bom, casar não pode ser ruim. É só uma questão de adaptação”, pensam alguns. “Se eu a amo e ela também me ama (quem garante?), temos tudo para sermos felizes juntos”, afirmam outros.

Os problemas só virão à tona quando o casal passa a dividir a mesma cama e a viver sob o mesmo teto. Na fase do namoro, só se veem quando querem, discussão é coisa rara, e depois de uma boa sessão de sexo é só devolvê-la à casa dos pais e ir para o quarto dormir. Nada mal.

A vida ensina que a liberdade é o maior bem que se pode ter. Porém, na vida do homem casado ou comprometido, esta liberdade é limitada pela mulher. Se não todos, a grande maioria se sente presa, sufocada e dominada pelas cobranças, reclamações, ofensas e acusações. 

A exceção fica por conta da sorte ou privilégios de alguns que abandonaram a vida e as vantagens de solteiro para enveredar por caminhos antes desconhecidos e encontraram um verdadeiro tesouro na mulher que escolheu para companheira. 

A vida a dois é um verdadeiro campo minado, uma caixinha de surpresas, um Jardim do Éden com altos e baixos, onde às vezes o lar parece mais um circo ou uma casa de espetáculos. Você já deve estar se perguntando por quê? 

A resposta é simples e objetiva: as mulheres têm vocação artística e sabem representar muito bem. São dramáticas e tentam de todas as maneiras vender a ideia de vítimas da situação. Não obstante, conseguem com toda encenação tirar algum proveito.

Seja para sensibilizar o companheiro, despertar nele sentimento de culpa, de desprezo ou de revolta, mas que de uma forma ou de outra, traga de volta toda a sua atenção e exclusividade. É melhor vê-lo infeliz que dividi-lo com os amigos, o jogo de futebol, a cerveja gelada e com o fantasma da outra.

Quando você encontrar um homem que atende a todos esses apelos femininos, só há três hipóteses: é recém-casado e está perdidamente apaixonado pela mulher, ou o sujeito está na segunda ou terceira união e não aguenta mais pagar pensão alimentícia, ou então o indivíduo resolveu fazer do seu lar um circo, onde sem dúvida ele é a atração principal. Ou seja, o palhaço. 

 

Não há motivos que justifiquem uma marcação cerrada, cobranças diárias de satisfações, simplesmente por não poder controlar todos os passos do companheiro. Quem quer viver bem não cria problemas nem dificulta as coisas.

 

A felicidade mora ao lado e, às vezes, a mulher por questões banais põe tudo a perder. O homem, para se sentir bem e não se arrepender da opção de abandonar a vida de solteiro, tem de encontrar pela frente uma mulher que queira acrescentar, compartilhar bons e maus momentos, e que esteja disposta a colaborar para o sucesso da união. E isto só é possível quando se gosta, há desejo, identidade de interesses e vontade de acertar. O resto virá por acréscimo. 

Conquistar um homem e convencê-lo a dividir o mesmo teto e a mesma cama é fácil. Difícil é mantê-lo. Para a mulher inteligente, isso não é problema. Terá maturidade o suficiente para enfrentar os altos e baixos do relacionamento, sem perder a cabeça e o controle da situação.

Infelizmente é privilégio de poucos encontrar alguém assim. O que vemos na maioria das vezes são mulheres inseguras, possessivas, revoltadas, barulhentas e inconformadas com o papel que representam dentro da sociedade e da própria estrutura familiar.

Atitudes como estas só levam ao desgaste e pioram ainda mais a convivência. Se não houver espaço para o diálogo e interesse de ambas as partes em resolver os conflitos, fica casa vez mais longe a possibilidade de um final feliz.

Pesquisas confirmam que o homem casado é mais feliz e realizado do que o homem solteiro, porém o consolo dos solteiros é saber que a maioria dos casados vivem mal. A mulher, principalmente, precisa vencer a insegurança e parar de se preocupar com o que o parceiro possa estar fazendo quando não está em casa ou em sua companhia.

Se tem uma coisa que ninguém suporta é ser vigiado, ter seus passos controlados o tempo todo. O homem é “bicho solto” por natureza, e não será com brigas, acusações ou qualquer tipo de violência que a mulher vai conseguir mudar a sua índole.

Concluindo, como já dizia o saudoso jornalista Armando Nogueira “você pode elogiar sem bajular, e criticar sem precisar ofender”. Mas quem escreve está sujeito a tudo.

[*] É administrador de Empresas, policial rodoviário federal aposentado, escritor e colaborador efetivo do Portal JLPolítica.