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Aparte
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Jozailto Lima

É jornalista há 36 anos, tem formação pela Unit e é fundador do Portal JLPolítica. É poeta.

Flávio e Clóvis: “Não cantem vitória muito cedo / Nem levem flores para a cova do inimigo”
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Clóvis Barbosa: passa ou fica?

Esta quinta-feira, 5 de dezembro, será o dia D para os conselheiros aposentado do Tribunal de Contas do Estado de Sergipe Flávio Conceição de Oliveira Neto e da ativa, Clovis Barbosa de Melo. O primeiro, busca do Pleno da Casa a chancela de uma desaposentação para uma aposentadoria compulsória que lhe foi imposta desde abril de 2015.

O segundo, como consequência, tenta se salvar de ser jogado na sarjeta de uma disponibilidade não punitiva - esta Coluna Aparte errou na sua edição de ontem, terça, quando grafou a “pena” de Clovis como sendo a da indisponibilidade.

Não o é. O termo técnico é disponibilidade não punitiva. Sim: o ranzinza Clóvis Barbosa - Arthur Schopenhauer diante dele é a mais terna das flores do campo - não está sendo punido por nada.

Nada ele fez de errado, exceto ter ocupado em maio de 2009 uma vaga de conselheiro que estava sendo questionada na justiça. Esta história foi contada na Coluna de ontem e pode ser relida aqui - Desaposentação de Flávio Conceição jogará Clóvis Barbosa na indisponibilidade.

A pauta aqui e agora é a sessão desta quinta-feira, 5, que põe o destino dos dois leões - Flávio e Clóvis - numa mesma arena. O clima no TCE para esta tourada leonina está fervendo, mas ninguém entre os seis votantes - Clóvis não vota, óbvio - levanta a mínima fala. Mas, apesar disso, nem tudo é silêncio.

Do entorno dos dois - Flávio e Clóvis, ou Clóvis e Flávio - vazam rumores, contas, causos, probabilidades, esperanças e outros penduricalhos. Do lado de Clóvis, se fala que ele já estaria com um mandado de segurança pronto para impetrar na tentativa de não ver validada uma votação que eventualmente beneficiasse a Flávio.

Ainda do lado de Clóvis, o que se diz é que ele sabe que nesta quinta-feira arrebentariam todas as sementes da misantropia e do mal relacionamento que semeou no solo da sua existência nestes 10 anos de Tribunal de Contas. Unanimemente, todos seriam, portanto, contra ele.   

Do lado de Flávio Conceição de Oliveira Neto há coisas curiosas: não se sabe em nome de quê, mas diz-se que ele seria um sujeito que cativou unanimemente a quase todos os conselheiros e que esses conselheiros estariam dispostos a lhe dar a carta de alforria da desaposentação nesta quinta.

Há quem acredite que o Flávio teria seis dos seis votos, quando necessitaria de apenas cinco deles para ser considerado um desaposentado e voltar ao posto de conselheiro do TCE. Outro desdobramento dessa tese: os conselheiros aproveitariam esse lado blasé e amigueiro do Flávio para se vingar das dores do mundo que Clovis Barbosa lhes provocou na Casa.

Mas do lado de Flávio Conceição de Oliveira Neto há quem vislumbre, também, uma pedra no meio caminho, através de um dos seis membros do colégio eleitoral, e que pode fatigar suas retinas e esperanças.

Mesmo que “essa pedra” não tenha poder, em tese, de abolir os demais cinco votos pelo sim em a favor de Flávio, mas poderia mexer no tabuleiro, empurrando o processo desta quinta e tudo o mais para o ano que vem.

Há, ainda, entre os conselheiros que levantam o crachá para Flávio Conceição de Oliveira Neto um subliminar receio de que a sociedade não acolha bem a anistia a esse conselheiro associado à corrupção no rumoroso processo da Navalha e, com sua absolvição, se volte contra a instituição. 

Lógico que nesse subliminar receio tem o dedão pontiagudo de Clóvis Barbosa: ele é autor da maior cruzada para dizer que o processo contra Flávio Conceição na Operação Navalha se extinguiu, mas não lavou a culpa do Flavão. O conselheiro aposentado, predica Clóvis - maldosa ou corretamente? -, continua maculado.

Pronto: da convergência disso tudo, vem o velho, bom e imorrível Belchior com o seu literal conselho: “Não cante vitória muito cedo, não / Nem leve flores para a cova do inimigo”. Isso tem serventia tanto para Flávio Conceição de Oliveira Neto quanto para Clóvis Barbosa de Melo.

Foto: Danillo França/PMA