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Opinião - Weintraub “cai em pé” com salário de R$ 115 mil e é ameaça para Bolsonaro em 2022 - II
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[*] Edson Júnior

Não me agrada voltar a discorrer sobre o ex-ministro Abraham Weintraub, mas preciso fazê-lo em razão de dúvidas suscitadas em alguns leitores no artigo anterior.

Três deles interpretaram o texto como lançamento e prognóstico de vitória de Weintraub sobre Bolsonaro nas eleições de 2022. “Um delírio”, disse-me um deles.

Outros, bem-humorados, colocaram-me no fã clube e apoiador do ex-ministro. Posso afirmar, de forma inapelável e bem-humorada, que jamais serei apoiador do ex-ministro. Esse pecado não levarei para o túmulo.

Pois bem, no artigo anterior - que o leitor pode ter acesso aqui -, não cantei vitória de Weintraub sobre Bolsonaro na eleição de 2022, não afirmei que ele será candidato e nem torço por isso - três batidas na madeira.

Apenas argumentei que o ex-ministro deu passos nas ruas forjando um teste de sua popularidade, e que em política isso é prenúncio de candidatura futura. 

Reitero que essa “saidinha” do auxiliar teria acendido o pisca alerta do presidente Bolsonaro. Sua reeleição o preocupa mais que o próprio ato de governar. Aí o ministro dançou, pisou no fio desencapado. 

No anúncio de sua demissão, Weintraub encenou um “abraçinho” com Bolsonaro, mas o semblante e a distância do capitão apontavam total desconforto e constrangimento, mesmo sendo um “abraço hetero”. 

Oportuno lembrar que durante o informal ato, Bolsonaro manteve a expressão fechada e perdida no horizonte, sem muito olhar para seu ex-ministro, gesto típico de quem “não quer nem papo”. 

A saída de Weintraub do governo não foi de lamento, foi de alívio, inclusive da sociedade e de todos a quem o ex-ministro desferiu ataques e grosserias, usando linguajar que agrada bolsonaristas e eleva o ex-ministro à condição de “o cara”. 

Weintraub já se encontra nos Estados Unidos, mas pode voltar a qualquer momento ao Brasil para prestar contas à justiça em inquéritos que responde, ou mesmo por não ter sido aceito pelos países membros do Banco Mundial para compor o quadro de dirigentes da entidade. 

Os dois fatos fariam de Weintraub um coitadinho, um perseguido, um mártir da causa. O Brasil é pródigo em elevar esse tipo de sujeito na política.

A vitimização é um ativo muito usado em campanhas e isso o coloca no cenário de 2022 como um nome alternativo a Bolsonaro, afinal, é grande a expectativa do que acontecerá no desenrolar do novelo “Queiroz”.

O mínimo que já acontece é mais desgastes e menos pontinhos em sua decadente popularidade. Bolsonaro não chegará em 2022 como o “mito” de 2018. 

Além de ser um nome palatável para “olavistas”, Weintraub trafega bem no campo bolsonarista. Quando se cogitava a saída dele do MEC, manifestantes pediam sua permanência pelas redes sociais. 

Ele também goza de prestígio junto aos filhos do presidente e a poderosa máquina de comunicação virtual que transformou o Jair em um fenômeno eleitoral. 

Outro fator que magnetiza bolsonaristas a Weintraub é a rendição do presidente a políticos do centrão, trazendo para seu governo a velha prática da oferta de cargos em troca de apoio político, o famigerado “toma lá, dá cá” que ele disse que combateria. Uma traição à defesa da ética e moralidade.

O ex-ministro trombou com o capitão quando foram oferecidos cargos do MEC para a barganha. Ganhou mais um pontinho perante os bolsonaristas do “Brasil acima de tudo”. 

Pela personalidade que tem e com o gosto do poder na boca, tudo indica que Weintraub voltará dos EUA com a língua mais afiada do que naquela reunião de governo do dia 22 de abril.

Repertório mostrou que tem e já avisou que se for provocado vai usá-lo. “Aviso à tigrada e aos gatos angorás (gov bem docinho). Estou saindo do Brasil o mais rápido possível (poucos dias). Não quero brigar! Quero ficar quieto, me deixem em paz, porém, não me provoquem!”, alertou o ex-ministro em seu twitter, no sábado 19. 

Nessa fauna de tigres, gatos e tubarões, o bicho vai pegar em 2022. E pra não restar dúvida: chega de Weintraub!

[*] É jornalista