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Aparte
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Jozailto Lima

É jornalista há 36 anos, tem formação pela Unit e é fundador do Portal JLPolítica. É poeta.

Gilmar Carvalho é um político infiel a si mesmo
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Gilmar Carvalho: fechando mais uma porta partidária

Nos jargões acadêmicos e pedagógicos, diz-se que quando numa sala de aula todos os alunos são reprovados o defeito está mais no professor do que nos estudantes. E há uma pertinência clara nisso.

E quando um ser político tem uma carreira eleitoral na qual não consegue disputar mais de uma eleição por um mesmo partido, o erro está nos diversos partidos pelos quais ele pulula ou nesse sujeito político? Certamente está no ente político.

E sujeito político assim existe, e em Sergipe está demasiado personificado na figura do radialista e deputado estadual Gilmar Carvalho, que acaba de formular pedido oficial de desfiliação do PSC, alegando discriminação dos comandantes da sigla à pessoa dele. É o sétimo partido pelo qual ele passa.

Se o PSC eventualmente não quisesse dizer nada, não se propusesse a contestar de público as alegações de discriminação formuladas por Gilmar Carvalho para cascar fora, bastaria fazer um levantamento da conduta desse político na relação com as siglas partidários ao longo dos 20 anos de carreira eleitoral.

Bastaria, novamente pelo jargão popular, dar uma olhadela na ficha corrida partidária desse cidadão que tem na sua matriz social a infidelidade bem cravada como prática, e com a agravante de não ser somente nas questões de ordem partidária. No meio político, todos o têm como uma espécie de corvo.

Para começo de conversa, de 1998 a 2018 - e aqui estão os 20 anos - Gilmar Carvalho disputou seis eleições de deputado estadual e em nenhuma delas conseguiu fazê-lo por um mesmo partido.

Aqui cabe, obviamente, a pergunta da premissa inicial desse texto: ruins são os partidos que deram-lhe guarida, ou ele, que se fez um trânsfuga contumaz diante de cada uma dessas siglas?

Refresque-se a memória, leitor: em 1998, Gilmar disputa mandato pelo PMDB; em 2002, pelo PDT. Em 2006, pelo PSB e em 2010, pelo PR. Em 2014, pelo Solidariedade, e em 2018, pelo PSC, que ele enxota agora de sua vida.

Mas tem mais: nesse curto período de 20 anos, Gilmar Carvalho fez um pouso brevíssimo sobre - pasme, leitor - o PT. Isso mesmo: o PT de Marcelo Déda e de Zé Eduardo o acolheu em 1999. De todas essas siglas, Gilmar saiu batendo a porta na cara dos que lhe receberam bem. E com um agravante: todos que o receberam, lamentando pela sarna que contraíram. 

Qualquer análise política mequetrefe sobre a fidelidade de Gilmar na relação com os partidos não poderá jamais deixar de relacionar tamanha falta de respeito dele à siglas com os insucessos eleitorais desse personagem, um político que tem o ego maior do que qualquer agremiação partidária.

Das seis eleições disputadas por Gilmar à bordo de seis partidos diferentes, três deram em insucesso absoluto. Renderam-lhe apenas suplências - algumas não tão próximas do mandato. Ou seja, ele bateu com a cara contra o muro 50% das vezes em que disputou uma vaga na Alese.

Em 1998, Gilmar consegue 10.907 votos à bordo do MDB e chega lá. Em 2002, já no PDT, vai a 19.484, e entra. Mas em 2006, encastelado sobre o PSB, tem apenas 14.733 e fica de fora. Em 2010, já no PR, obtém 19.750 votos e de novo não entra. Filiado ao Solidariedade, em 2014 ele amealha 18.931 e fica, mais uma vez, como suplente.

Anunciando que houvera mudado em suas práticas políticas e comportamentais, em 2018, no PSC do qual sai agora, Gilmar surpreende e angaria 34.160 votos, fazendo-se o quarto deputado mais votado do Estado, atrás somente de Talysson de Valmir, Maisa Mitidieri e Jeferson Andrade.

Mas como Gilmar, apesar de ser irmão de padre e de freira, é pouco afeito à boa reza, partiu pros xingamentos a Deus. Lançou-se candidato a prefeito de Aracaju em 2020 numa visão personalizada, entesou com o partido que deixa às vésperas do ano eleitoral e não terá apoio e amparo de uma das figuras de Sergipe que mais investiu financeiramente nele nos últimos anos. Há quem preveja que ele não conseguirá viabilizar a candidatura.

A conclusão a que se chega disso tudo é a de que o tempo e as circunstâncias não mudaram Gilmar Carvalho, por mais que ele propague mudanças pessoais. Sua práxis e sua conduta continuam a do político do bloco do eu sozinho. Gilmar Carvalho consegue, fatal e vexaminosamente, ser infiel a ele mesmo.

PS - Mas vamos aqui a um post scriptum. A um pós-escrito. O vice-presidente do PSC de Sergipe, Clovis Silveira, refuta o discurso de vítima de Gilmar Carvalho. 

“Nós não discriminamos Gilmar Carvalho de jeito nenhum. Eu diria que as coisas na relação com ele se deram no muito pelo contrário. Todos os da imprensa de Sergipe acompanharam que até onde eu dei entrevista era defendendo Gilmar com unhas e dentes”, diz Clóvis.

“André Mouta também não o criticou. Ninguém o discriminou em nada. Agora, ele está arrumando uma brechazinha para ver se salva. Mas eu já falei isso e repito aqui: o PSC não tem interesse no mandato de Gilmar. Mas ele não pode sair do PSC acusando o partido de coisa alguma. Isso ele não pode. Esse direito, ele não tem”, diz Clovis.