Aparte
Opinião - A Covid-19 digitalizou de vez a disputa eleitoral 
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[*] Júnior Carvalho

A pandemia do coronavírus ainda não era uma realidade que afetava tanto a vida dos brasileiros quando escrevi o último artigo, aqui no JLPolítica, em 28 de fevereiro deste ano - As eleições e os desafios que o mundo digital imporá aos pleiteantes de 2020.

Nele, alertei aos pleiteantes da eleição de 2020 acerca da força das redes sociais e do seu poder de convencimento, substituindo e cobrindo papeis outrora de outros meios de comunicação de forma cada vez mais rápida. Ali, o isolamento social e a perspectiva de uma possível mudança de data do pleito ainda não eram realidades.

É fato que a sociedade mundial não será a mesma após o coronavírus. Mudanças em hábitos sociais, na economia, na forma de pensar e de agir de cada indivíduo e até mesmo no campo político foram trazidas pelo vírus.

Em locais cuja pandemia já foi controlada, esses sinais de uma nova era estão cada vez mais perceptíveis. Nos Estados Unidos, as eleições já estão nas vésperas do acirramento; no Brasil a pergunta que muitos se fazem é a seguinte: como escolheremos os representantes em âmbito municipal diante de um cenário tão incerto?

É discutida fortemente a possibilidade, já tendo sido aprovada no Senado, do primeiro turno da eleição em todos os municípios do Brasil ocorrer em 15 de novembro e o segundo, no caso de municípios com mais de 200 mil eleitores, em 29 de novembro.

O texto ainda passará pela Câmara Federal, onde diversas vertentes divergem da mudança, defendendo que o calendário eleitoral brasileiro siga como está, com as eleições em 4 e 25 de outubro, respectivamente, primeiro e segundo turno.

Deixando de lado o imbróglio das datas, a mudança mais assertiva que a eleição trará, previsível que ocorresse num ritmo mais lento e gradual, num cenário sem pandemia, é a migração da disputa, quase que em sua totalidade, para o campo digital. Se antes a internet servira para construir a identidade de um candidato e passar as suas propostas, agora o serviço dela será mais amplo, passando a ter um papel ainda mais decisivo.

Em termos eleitorais, o que o coronavírus causou? Trouxe uma larga vantagem para quem apostou cedo no potencial das mídias sociais. Quem buscou criar canais de comunicação direta com o eleitorado cedo, largará muito à frente na corrida.

Injusto? Digamos que a rede social faz parte de um mundo livre, em que todos iniciam num mesmo patamar social, com as mesmas ferramentas. Acerta quem tiver a melhor estratégia de convencimento e, em alguns casos, quem chega primeiro para formar opinião.

É claro que não está descartado quem ainda está no anonimato. Afinal, se as surpresas eleitorais sem a pandemia já vinham sendo realidades, agora que os tempos mudaram pode ser que surjam ainda mais “anônimos” aos olhos de muitos em cargos eletivos. Fenômenos eleitorais podem acontecer, desde que o povo compre a ideia.

Aos que ainda não utilizam as ferramentas que estão na palma da mão do eleitor, é hora de ponderar, analisar o cenário e entrar de cabeça para a eleição que ficará marcada na história.

Aos estudantes da área, é hora de redobrar as atenções para vermos aqui o modelo de eleição que parece ter sido teletransportado do futuro para os dias atuais. Ao eleitorado, atenção redobrada na hora de fazer a escolha certa. A internet, mais do que nunca, é uma arma.

[*] É formado em Marketing, acadêmico de Publicidade e Propaganda, atuou na campanha de Valmir de Francisquinho para prefeito de Itabaiana - 2016 - e de Talysson de Valmir para deputado estadual - 2018. Já foi secretário de Comunicação em Itabaiana e cuida da imagem de Valmir nas redes sociais desde 2013. Agora em 2020, além da campanha do pré-candidato Adailton Sousa em Itabaiana, atuará em mais cinco municípios.