Aparte
Opinião - A união no campo progressista é necessária e decisiva em Aracaju e no Brasil
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[*] Carlos Cauê

Sou integrante da aliança de esquerda que se formou no Brasil e em Sergipe desde 1989, na histórica Frente Brasil Popular, pela qual Lula foi candidato a presidente pela primeira vez.

Uma frente similar a essa elegeu Marcelo Déda e Edvaldo Nogueira em 2000, iniciando um profícuo ciclo de progresso em Aracaju. 

Assim como ocorreu no Brasil, em 2002, quando Lula ampliou a frente para  centro-esquerda, trouxe José Alencar para ser seu vice e ganhou as eleições para presidente do país, essa frente também foi ampliada aqui em Sergipe, em 2010, pela mão de Marcelo Déda, que a levou para a centro-esquerda. 

Essas ampliações possibilitaram a consolidação de vitórias formidáveis do campo progressista no Brasil e em nosso Estado, todas elas sob a égide da pactuação feita ainda pela Nova República na redemocratização de 1985, mas que, infelizmente, já deu sinais claros de exaustão e está a exigir dos brasileiros um novo pacto nacional.

Há muito deixei a militância partidária (que sempre se deu no PCdoB) e passei a militar – com as idas e vindas próprias dos que enxergam que a história não é a Avenida Nevsky - nessa aliança de centro-esquerda tão cara e tão fundamental para a nossa gente. 

Gostaria, mesmo, é que essa aliança fosse mantida, que seus integrantes, sobretudo o Partido dos Trabalhadores, que recentemente anunciou seu rompimento, colocassem os desafios do presente acima das mágoas, das idiossincrasias e até de certas incompatibilidades pessoais, e praticassem o sentido visceral do que é uma aliança: o reconhecimento das diferenças existentes e a constatação da quantidade elevada de convergências que nos possibilitam unir-nos - afinal, aliança é um encontro entre desiguais em nome de uma causa superior.

E não nos faltam causas comuns e superiores num Brasil onde a democracia é ameaçada, a retirada de direitos das populações se tornou constante, a disseminação do ódio foi institucionalizada e onde assistimos a tantos retrocessos na vida social, econômica e cultural do país. 

Além, é claro, do desafio constante de fazer avançar ainda mais a nossa cidade, que nos últimos três anos viveu transformações e alcançou conquistas evidentes e inquestionáveis sob o comando do prefeito Edvaldo Nogueira. Um período que deveria servir como lição importante para todos nós – período em que, unida, a centro-esquerda retomou o comando de Aracaju e no qual o PT desempenhou um papel importante, como co-autor harmonioso desse projeto de mudanças, ao menos até decidir romper a aliança.

Hoje, como nunca nas últimas quatro décadas, a união do campo progressista é tão necessária e tão decisiva para a construção desse novo pacto nacional que a história está nos cobrando, e que desenhará a face do Brasil que vai nascer nos proximos anos.

Meu desejo e expectativa é de que Aracaju seja, mais uma vez, exemplo desse compromisso.

[*] É jornalista, marqueteiro político e secretário municipal de Comunicação Social do Governo de Aracaju.