Aparte
Opinião - Juízo, meu partido, juízo
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[*] Anderson Defon

A polarização na política nacional, que se agravou a níveis extremos nos últimos anos, trouxe à esquerda a responsabilidade de envidar todos os esforços de unidade possíveis contra o posto inimigo comum: a direita conservadora, que saiu do armário misturando discursos de ódio com estratégias de marketing, ocupando na sociedade um espaço nunca visto outrora. A principal força dessa direita vem justamente ao ataque sistemático ao Partido dos Trabalhadores, que esteve à frente do executivo nacional durante 13 anos.

Esse cenário fez com que setores da esquerda brasileira entendessem de forma inédita a importância da unidade, gerando episódios muito difíceis de prever alguns anos atrás. Como o forte engajamento de todas as siglas de esquerda em torno de Fernando Haddad no segundo turno de 2018 e a inédita composição no Rio de Janeiro, onde o PT já sinaliza uma adesão ao nome de Marcelo Freixo para o pleito municipal de 2020.

Em Sergipe, no entanto, alguns setores do Partido dos Trabalhadores parecem não ter compreendido a mudança da conjuntura e continuam movidos por uma sanha de protagonismo. Em nível estadual e municipal (Aracaju), desconhecem o próprio governo que compõem e compram a narrativa do ataque ao projeto executivo para manter mobilizada uma pequena horda que sempre fez do “fogo amigo” a fonte de sobrevivência por puro oportunismo eleitoral.

O PT de Sergipe de hoje tem um tom de discurso confuso, desencontrado, e em nada lembra a sigla pujante e de posições bem definidas liderada por Marcelo Déda. É importante que os companheiros tenham compreensão de que as mudanças no cenário nacional não diminuem importância do arco de alianças que construímos aqui, pelo contrário, as reforçam.

Na mesma sanha de protagonismo, alguns companheiros usam a política de alianças de Edvaldo, em Aracaju, como argumento para a defesa da tese da candidatura própria petista. Ilógico. A amplitude desse arco de alianças tal qual se encontra hoje foi conseguido pelo próprio Marcelo Déda, e os mesmos companheiros pareciam não se incomodar com apoios como o de Laércio Oliveira, por exemplo, para a eleição de Belivaldo em 2018, tendo Eliane como vice.

Para além do argumento da política de alianças, a gestão de Edvaldo em nada o faz desmerecedor do apoio petista. Sua gestão reestruturou Aracaju após um período de desmantelamento financeiro, político e administrativo. Aracaju retomou seu título de cidade limpa e organizada, além de ter recebido obras importantes, principalmente pelos bairros periféricos.

Edvaldo toca também um ousado plano de recapeamento asfáltico que Aracaju não via da mesma forma há mais de 15 anos. Sua gestão ainda foi responsável pela retomada de marcos importantes da política cultural, idealizados na era Déda e que haviam sido negligenciados na última gestão, como Forró Caju e Projeto Verão.

O que se espera dos companheiros é a verdadeira compreensão do que é fazer parte de um grupo político. Aqueles que apontamos como nossos maiores adversários são os que defendem todo o discurso de barbárie hoje representado pelo Governo Federal. Um setor composto por parasitas, que se alimentam do discurso falso moralista da antipolítica e não possuem absolutamente nenhum serviço prestado à população.

Aventureiros travestidos de heróis. E estes, aqui em Sergipe, vibram com a possibilidade da saída do PT do bloco governista local, pois veem nessa ruptura, a única possibilidade de chegarem à prefeitura de Aracaju em 2021. Que os companheiros do PT de Sergipe e de Aracaju tenham juízo, muito juízo, porque a falta dele pode entregar o poder na mão de nossos piores adversários.

[*] É militante petista.