Aparte
Sérgio Sobral diz que Creci é contra interdição imobiliária da Caueira pela Justiça
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Sérgio Sobral: falta política de Estado em favor do turismo

O presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Sergipe - Creci-SE -, Sérgio Sobral, participou da Audiência Pública na Assembleia Legislativa - Alese -, na semana passada, promovida pelo deputado Luciano Pimentel, para discutir a situação das casas de veraneio que estão localizadas na Praia Caueira, em Itaporanga D’Ajuda e ameaçadas pela Justiça, assim como todo o drama do Litoral Sul sergipano.

“É uma pauta que envolve a comunidade daquelas regiões, então é justo e necessário discuti-la juntamente com os moradores e órgãos envolvidos”, disse Sérgio. O Ministério Público Federal, por meio de uma Ação Civil Pública, entende que, além de a praia estar inserida em uma Área de Preservação Permanente, o local protege um berçário de espécies de tartarugas marinhas em risco de extinção.

“No caso da Caueira, por exemplo, aquele loteamento existe há uns 30 anos, aprovado e registrado pelo próprio Governo, que fez serviços de calçamento e drenagem. E agora vão derrubar as casas? Isso não tem lógica alguma. É preciso discutir e tentar resolver da melhor maneira possível. O mar continua avançando e o Governo não toma as devidas providências para proteger o litoral sergipano”, disse.

Sobral julgou positiva a iniciativa da audiência. Estiveram presentes moradores de Itaporanga D’ajuda e de Estância, representantes de órgão públicos estaduais e federais envolvidos com a área ambiental, parlamentares estaduais e do município de Itaporanga, corretores de imóveis e consultores ambientais.

“O juiz da 7ª Vara Federal de Sergipe determinou a vedação de novas construções e a paralisação das que estão em curso na Praia da Caueira. Mas o problema do litoral é mais complexo do que o que se imagina, e está atingindo todo o litoral sul, afetando o mercado imobiliário, o turismo e, consequentemente, a economia do estado”, disse Sérgio.

“Sergipe não tem uma política de turismo. O que falta para resolver essa situação é gestão. Desde o Governo de Antônio Carlos Valadares existe um projeto para resolver o problema do litoral sergipano, mas até hoje, entra governo e sai governo e nada muda”, lamentou Sérgio Sobral.

O presidente do Creci-SE compartilhou algumas informações para argumentar porque somente derrubar casas e outras edificações não resolve os problemas em questão. “No Nordeste, apenas Teresina, Piauí, possui menos quartos de hotel do que Aracaju. Aqui o turismo não existe”, disse ele.

“Praticamente 80% das pessoas que vêm para cá são da Bahia e buscam nosso Estado por causa da tranquilidade, para fugir das festas. É inadmissível, porque Sergipe é um Estado de mão de obra farta e qualificada, de terra barata e que tem sol o ano inteiro. A coisa mais difícil é encontrar praias nativas no mundo e Sergipe tem, mas isto não é explorado como poderia ser - em benefício da economia e da população”, diz Sérgio.

O mercado imobiliário na Bahia e em Alagoas é forte porque os turistas nacionais e internacionais investem nesses Estados. A gente percebe que também falta vontade política para incrementar o turismo”, pontuou.

Referindo-se às praias da Caueira, em Itaporanga, do Abaís e do Saco, em Estância, Sobral frisou ainda que “se fosse em outro Estado, já teríamos uma estrutura de hotéis, resorts e restaurantes montados”.

“Essa união dos órgãos todos aqui nesta audiência revela a dimensão do problema. Não existe uma política de atração de investidores. Nos últimos dois anos, muitas empresas foram embora para a Bahia e Alagoas, porque lá os tributos são menores e o Estado ajuda dando condições e incentivos”, justificou.