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Marcos Santana: “O Fasc é um evento do Brasil. Não faço Fasc para mim”
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Marcos Santana: não faz Fasc para tirar proveito politico

O prefeito de São Cristóvão, Marcos Santana, MDB, disse nesta segunda-feira, 18, com exclusividade à Coluna Aparte, que a gestão dele já está trabalhando para a realização do 37º Festival de Arte de São Cristóvão - Fasc - mal a cidade recolheu os entulhos do 36º terminado na madrugada desta segunda-feira.

O 36º Fasc começou na quinta-feira, 14, e veio até domingo, 17. Neste ano, o Governo de São Cristóvão deu-lhe o nome de “Resistir para existir” e na abertura Marcos Santana fez um discurso que terminou com um “Lula Livre” que incomodou algumas pessoas mais críticas e da direita.

Mas quem menos se incomodou com este incômodo foi o prefeito. “Sobre o grito de Lula Livre ser um atentado, como dizem os críticos, eu digo: que seja um atentado, pois eu quero atentar contra a mesmice. Vou continuar atentando contra o obscurantismo. Eu não vendo e nem troco o meu pensamento, aquilo que penso, por nenhum projeto pessoal”, diz ele.

“Não vou, enquanto tiver autoridade, nunca esconder as minhas opiniões. Vou sempre colocá-las da maneira mais clara possível, até para que essas mesmas pessoas digam “esse homem não merece meu voto porque ele pensa diferente de mim”. Então é assim que eu penso”, reforça ele.

E adverte: “Eu não faço Fasc para mim. O Fasc não me dá vantagens eleitorais. O Fasc é um evento do Brasil”, diz o prefeito. Para Marcos, o espólio do 36º Fasc é “fantástico” e extrapola os limites da velha capital e de Sergipe. “O Festival de Arte de São Cristóvão é um evento do Brasil. Veja: recebemos gente até de Brasília para se apresentar, e que veio voluntariamente, sem receber nada”, diz Marcos.

“Nós tivemos em Gilberto Gil também a mesma ideia: ele disse que estamos na contramão do obscurantismo que está aí no país. Do messianismo que está aí. Nós tivemos até o jornalista Xico Sá, que passou dois dias em São Cristóvão e saiu maravilhado com a cidade. Ele fez uma roda de conversa com centenas de estudantes de jornalismo, de críticos. Ele veio com cachê, mas o que eu quero dizer é que ele compreendeu o que é o festival. O que é a resistência”, rememora o prefeito.

“De modo que do Fasc fica um legado imediato na economia, na autoestima das pessoas, mas fica sobretudo algo que a gente não tem como mensurar. Infelizmente, nem a gente, nem a mídia, nem quem pensa em Sergipe tem como mensurar, que é aquilo que habita o inconsciente das pessoas, da juventude que foi lá, passou três dias tendo o acesso gratuito a todo tipo de arte. A arte que é cara, inclusive, como o acesso ao teatro, ao cinema, à literatura, à dança, à música erudita e à música popular”, diz.

Marcos Santana reforça esforços de fazer o festival ano que bem, que será de eleições. “O Fasc acontecerá também em 2020, porque se dará depois das eleições. O Fasc não me dá vantagens eleitorais. Tenho o sonho de fazê-lo, sim, em 2020, e vamos ver se durante o ano todo a gente realiza o sonho”, diz o prefeito.

“Eu acho interessante que as pessoas, que o povo, e até mesmo a imprensa perguntem: e a festa? Mas o que eu fiz foi um festival. Quem fez a festa foi o povo, que se sentiu bem no festival e transformou o festival numa festa”, diz Marcos Santana.

“Eu não fiz uma festa, porque dizer isso é inclusive uma tentativa de criticar, como se fosse um evento feito para roubar ou para ter o nome engrandecido. Chamamos o Gil no ano passado e passamos nove meses tentando convencer a um homem de 77 anos, um dos maiores compositores da música brasileira, que viessem ele e a família para uma cidade chamada São Cristóvão, que não é capital, que não tem hotel, mas que gerou, com certeza, uma superlotação na hotelaria da capital nesses quatro dias. O legado que fica é esse”, diz Marcos.

Foto: PM/SC