Aparte
Opinião - Zumbi e o fim das desigualdades     
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[*] Bertulino Menezes

Já fui chefe de Reportagem nas TVs Sergipe e Atalaia quando exercia minhas atividades como jornalista. Um dos desafios da função é cobrar boas pautas dos colegas.

E lembro-me que uma das salvações do dia era recorrer às “efemérides”, quando faltava a criatividade. Dia do Pão, Dia das Estrelas, Dia do Santo Tal, Dia das Pedras... Tudo tem seu dia, e aí era só criar um texto pra comemorar a data. Infeliz da redação que usa isso como método.

Mas essa semana temos uma data importante em nosso calendário. O 20 de novembro é chamado de o Dia da Consciência Negra, data que reverencia a morte de Zumbi, o então líder do Quilombo dos Palmares, que existia entre os Estados de Alagoas e Pernambuco por volta de 1695.

Embora não existam dados na história que comprovem a biografia, Zumbi foi eleito o personagem da resistência à escravidão no Brasil. Tanto que o 13 de maio ficou em segundo plano, e nossa Princesa Isabel abdicada do trono de redentora pelos afro-brasileiros que conduziram Zumbi à liderança das lutas pelos direitos dos negros escravizados e indígenas.

Não vamos entrar nessa discussão, porque a polêmica seria grande. A Princesa era amada por muitos, mas bastante criticada por outros. Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon era a segunda filha do Imperador Pedro II e herdeira do trono no Brasil.

Havia muita pressão comercial na época e escravo não tinha dinheiro. Era melhor afastá-lo do cenário político. Era melhor libertar o negro. Os ingleses queriam expandir seu mercado para o Brasil e já tinham proibido o tráfico de escravos. A República ameaçava tirar a Monarquia do poder e seus líderes queriam o negro como aliado.

Nosso resumo da história fica por aqui. Porém, muito mais importante hoje é saber se a escravidão acabou de verdade. A ONU diz que ainda existem cerca de 30 milhões de escravos espalhados pelo mundo.

No Brasil, não é diferente. Há muita gente sendo abusada ainda no trabalho doméstico, na agricultura, na construção civil, na indústria têxtil, em tantas outras atividades.

É preciso que haja muito equilíbrio quando falamos em cotas raciais para que não aconteçam atentados contra direitos. É preciso, sim, acabar com as desigualdades sociais, mas é preciso muito cuidado para não ferir o princípio da meritocracia e da igualdade de oportunidades. É preciso, acima de tudo, investimento sério na Educação para que, no futuro, não se fale mais em cotas.

[*] É jornalista, empresário e já foi vereador de Aracaju.

Foto: Acrício Siqueira