Aparte
Opinião - Combate à Covid-19: seria cômico se não fosse trágico
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[*] Adalberto Vasconcelos Andrade

Os brasileiros parecem estar vivenciando uma verdadeira comédia pública quando o assunto é a pandemia do coronavírus.

Tudo isso diante de uma enxurrada de informações e atitudes desencontradas, espalhadas por meio das redes sociais e vias oficiais, que acabam produzindo cenas cômicas, quando não fossem trágicas. 

Na verdade, fica difícil entender algumas medidas adotadas através de decretos pelos nossos governantes - prefeitos, governadores e pelo próprio Ministério da Saúde. 

Com o argumento de que é preciso aumentar a taxa de isolamento social, antecipam feriados, promovem longos finais de semana e contribuem - com seus decretos sem qualquer planejamento - para que as pessoas estejam juntas e misturadas aos montes - crianças, adolescentes, adultos e todos aqueles que a desmoralizada Organização Mundial de Saúde afirma fazer parte do grupo de risco.

O que a OMS diz hoje, amanhã não vale mais nada. É só acompanhar o que publica a imprensa em todo mundo. Não dá para aceitar calado os critérios utilizados pelos governantes para definir o que pode e o que não pode abrir nos diversos segmentos empresarial e do comércio.

É tudo feito sem planejamento, decisões tomadas por improviso ou por tentativas - vai que dá certo. Só que não dá. Não deu. O número de casos de infectados e de mortos não me deixa mentir. 

Cito alguns absurdos, como exemplos: um barbeiro com autorização para trabalhar três dias na semana - por que não a semana toda? Só se pega o vírus na segunda, quarta ou sexta-feira?

Esse profissional atende por dia em média dez pessoas de forma isolada e respeitando todos os requisitos estabelecidos pelo próprio decreto. Mas na semana seguinte o governador Belivaldo Chagas muda tudo. Eu vejo isso como falta de planejamento e de bom senso. Incompetência.

Outro exemplo de insensatez é com relação ao horário de funcionamento dos shoppings. Por que isso? Ou tudo ou nada. Se libera o funcionamento não tem que estabelecer restrição de horário. É tudo feito de forma empírica.

Não seria melhor ampliar o horário de acesso ao público para evitar aglomerações em determinados horários? Em um dos seus decretos, o nosso governador liberou pousadas e motéis. Mas os templos e igrejas não.

Ou seja, transar pode; rezar, não. Que eu saiba, motéis não fazem parte dos serviços essenciais, mas no mesmo decreto não permite a abertura das lojas de confecções, salões de beleza, barbearias, livrarias e papelarias.

É um vai e volta, um abre e fecha sem fim. Sinônimo disso: falta de planejamento. Que conselho de técnicos é esse que o assessora? Com a palavra, o governador Belivaldo Chagas.

[*] Administrador de Empresas, policial rodoviário federal aposentado, e escritor efetivo do Portal JLPolítica