Aparte
André Moura: um crucificado político entre o Cristo Redentor e Sergipe
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André Moura: numa clássica sinuca de bico

O ex-deputado federal André Moura, presidente do PSC de Sergipe, vive um enorme impasse sobre a sua reinserção na política de Sergipe depois de ter interrompido mandatos de deputado federal com a eleição perdida para o Senado no ano passado.

Nessa reinserção, um fato ele já dá por descartado: não voltará pela cena municipal de 2020. Tradução disso: não disputará mandato de vereador, de vice-prefeito e nem de prefeito de nenhum dos 75 municípios sergipanos no ano que vem.

Isto posto, está claro que André Moura buscará uma ressurreição em 2022. O mais natural seria recomeçar do ponto de onde parou. Ou seja: do mandato de deputado federal.

O problema é que André Moura, neste momento e por necessidade de sobrevivência material, é gato com dois sentidos, ao trabalhar como secretário de Estado do Rio de Janeiro e sonhar com o futuro para ele em Sergipe, que é a sua aldeia.

O impasse de fato é muito grande: o governador Wilson Witzel, PSC, deu a André Moura uma atribuição nobríssima de secretariar a Casa Civil de um dos estados mais importantes do Brasil. Claro que o sergipano quer fazer um trabalho de convencimento junto ao Governo e ao povo fluminense. Não só quer: necessita. Precisa.

E desta necessidade, nasce um perigoso paradoxo: quanto mais André Moura se aprofunda nas realidades do Rio de Janeiro, mais se distancia de Sergipe. E quanto mais se distancia de Sergipe, mais complicada fica a sua possibilidade de reinserção na vida política do Estado.

Por exemplo, neste final de semana passado, Japaratuba, a cidade em que a mulher dele, Lara Moura, é prefeita, fez festa grande para Nossa Senhora da Saúde, padroeira do lugar. Mas deu com os burros n’água quem esperou encontrar um André Moura conduzindo o andor da santa. Ele estava no Rio de Janeiro e não pode vir.

Pelo apertado da sua agenda, este ato falho manifestado no exato lugar onde ele é grande interessado na gestão municipal, certamente está ocorrendo em outras localidades de Sergipe - e as consequências podem ser graves à sua imagem pessoal e política. Até quando isso vai durar? Até onde isso vai lhe levar?

Será que André conseguirá eleger 10 ou 15 prefeitos, 10 ou 15 vice-prefeitos ou 100 ou 150 vereadores sergipanos no ano que vem se não se reaproximar de Sergipe na hora certa? E quando é essa hora certa?

Pelo ritmo das ações políticas, essa hora é agora. Hoje, ontem. No mais simples dos municípios sergipanos, as discussões para as eleições do ano que vem estão correndo no birro 100. Na velocidade da luz.

No mais modesto dos municípios do Estado, todas as pretensões eleitorais estão sendo postas à mesa, apesar de alguns líderes municipais estarem a dizer - veja o que fala Edvaldo Nogueira, de Aracaju - que só conversam sobre isso em março do ano que vem.

Balela! Para as eleições de 2020, este instante corresponde àquele momento do zero aos sete anos da formação de uma criança, do qual o pai zeloso jamais pode estar ausente.

Essa é a hora de André escolher se quer filhos politicamente saudáveis ou filhos degenerados para o processo do ano que vem. E, ademais, passado o processo de 2020, aí é que ele tem que repensar sua relação entre o Rio de Janeiro e Sergipe.

Porque para 2022, a sua presença em Sergipe, no projeto de reinserção, é tão ou mais urgente do que nesse processo de 2020. O que ele não pode é se deixar ser um crucificado político entre o Cristo Redentor e Sergipe. Porque aí pode não haver ressurreição.