Aparte
Opinião - Um país sem hierarquia e estados e municípios à deriva
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[*] Adalberto Vasconcelos Andrade

Enquanto os comandantes dos três poderes - Supremo Tribunal Federal – STF -, Congresso Nacional e Governo Federal - não se entendem e fazem verdadeira queda de braço para mostrar força, a população brasileira navega em águas turbulentas e ainda sofrendo um verdadeiro bombardeio de informações por parte de canais rivais de televisão (partidárias) com relação ao coronavírus.

Decisões presidenciais quando não são questionadas ou derrubadas pelo STF não são acatadas pelos Estados e municípios. Ninguém obedece ninguém. Até mesmo o processo de quarentena parece um samba de doido. Enquanto o presidente defende isolamento vertical - cuidados especiais para idosos e demais grupos de risco -, membros do STF e Ministério Público exigem isolamento horizontal. Ou seja, todos em casa.

Com hospitais desestruturados - a saúde nunca foi prioridade - muitos acabam optando em morrer em casa. Os tais respiradores, UTI’s e hospitais de campanha parecem piada. É muito dinheiro envolvido e pouco resultado.

Diante de tantas incerteza e desordem por parte das autoridades, alguns prefeitos vão na onda do lockdown americano (fecha tudo), destruindo a economia local e contribuindo para aniquilar a economia nacional. Nas grandes cidades, rodízios de carros levam multidões para os trens e metrôs. 

Enquanto lojas, bares e restaurantes estão com suas portas fechadas há mais de dois meses, não podendo fazer sequer o atendimento através do distanciamento e uso de equipamentos de higiene, as filas são quilométricas em frente as agências da Caixa e das lotéricas, por causa da ajuda de R$ 600 ofertada pelo Governo Federal. Nestes casos, nada é feito para evitar tais riscos de contaminação.

Em meio a esse imbróglio, crescem o desemprego, a pobreza e o medo do futuro. Estão salvos servidores públicos que têm seus salários assegurados e a estabilidade trabalhista. Alguns com salários que permitem uma quarentena bastante confortável. Quanto mais duradoura, melhores os petiscos e a live.

Para muitos trabalhadores agora sem poder trabalhar já está faltando franguinho na panela. Não é fácil ficar em casa enquanto seu filho chora pedindo comida e sua companheira grita em seu ouvido implorando para que faça alguma coisa. Até porque ficar em casa não é garantia de que o vírus não vai chegar aos seus. Basta que a ida à padaria possa se trazer algo além do pão.

No campo das leis, alguns absurdos. É incompreensível que um decreto presidencial seja menos importante que um decreto estadual, ou mesmo uma portaria municipal. Até poucos anos atrás, uma decisão palaciana era para ser cumprido imediatamente. Cabia aos Estados e municípios reeditarem tais medidas, ou regulamentá-las. A hierarquia das leis não existe mais e, por causa disso, até mesmo o cidadão comum se acha no direito de peitar tais normativas de combate ao poderoso vírus.

Neste fogo cruzado, onde uma conversa de reunião presidencial é mais importante que a crise de saúde e econômica, a classe média, os pequenos e médios empresários estão deixando de existir. Sem faturamento (dinheiro) as contas e os prejuízos vão se acumulando.

Certamente, quando essa pandemia passar (sabe-se quando) virá o pandemônio das cobranças, dos calotes, das denúncias, das concordatas e das falências. O gráfico que passará a preocupar governantes e não governantes será o do desemprego que já cresce de forma assustadora. Só Jesus poderá nos salvar, tanto do vírus quanto dessas decisões inseguras ou absurdas.

[*] É administrador de empresas, policial rodoviário federal aposentado, escritor e colaborador efetivo do Portal JLPolítica.