Aparte
Opinião - Está calor em Aracaju, não é? Corta mais uma árvore pra ver se refresca
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[*] José de Oliveira Santos

Tá legal, eu aceito o argumento: nem todas as árvores plantadas há vários anos em Aracaju podem ser mantidas. Mas nem por isso milhares de outras delas poderiam deixar de ser plantadas. As razões são diversas e o promotor Eduardo Lima de Matos, no artigoArborização Urbana e a polêmica da Hermes Fontesfoi bastante feliz na apresentação dos argumentos a esse respeito.

Por outro lado, desde que o contencioso teve início é a primeira vez que encontro uma argumentação que vai de encontro ao pensamento que tive oportunidade - de suprime uma palavra aqui - externar de forma parcial através das redes sociais e, com mais detalhes, na conversa que mantive na companhia de um colega professor da UFAL, de um jornalista/radialista, e uma assessora de programas sociais em uma prefeitura do interior. Isso foi na noite da última sexta-feira, sentados embaixo de um conjunto de árvores em uma praça no bairro Castelo Branco.

O argumento é simples! Não podemos deixar o aquecimento global aumentar ou nos afetar tanto assim, piorando a nossa frágil e cambaleante qualidade vida, mesmo para quem mora em condomínios de luxo e “ecologicamente” equilibrados.

Simples também é a desconfortável sensação térmica de quem anda pelas ruas “peladas” de nossas cidades e, o contrário, o conforto ou refrigério nos locais onde temos grande concentração de vegetação.

“Segundo diversos estudos, em épocas mais quentes as áreas bem arborizadas podem ter uma diferença de até cinco graus celsius em relação às não arborizadas. Pode parecer pouco, mas faz uma grande diferença quando o assunto é conforto térmico. Segundo a Universidade Estadual da Carolina do Norte, a evaporação de uma única árvore pode gerar o efeito refrigerador de 10 ar condicionados domésticos operando 20 horas por dia (impressionante, não?). Além das árvores, a presença de gramados e arbustos também ajuda na redução da temperatura” - (Cultivando, 2017).

Daí, a crítica que faço à incoerência de Edvaldo Nogueira, que adotou outro dia o slogan de prefeito da cidade da qualidade de vida, e agora o da cidade humana, inteligente e criativa. Então se assim foi e assim o é, porque o prefeito não iniciou a sua gestão considerando a questão socioambiental relevante e estratégica?

Portanto, merecedora de uma atenção especial com a priorização da discussão do Plano Diretor, e mesmo sem este, em caráter de urgência a elaboração e execução de um plano de arborização, aqui envolvendo forte campanha de sensibilização nos meios de comunicação, educação ambiental nas escolas e incentivo fiscal, como redução no pagamento do IPTU e ISS para pessoas físicas e empresas que realizem plantio de árvores e ou que adotem praças, entre outras possibilidades.

E não esqueçamos: a mesma questão posta acima, também está dirigida aos candidatos que disputarão a vaga do prefeito Edvaldo Nogueira no próximo ano. E para ir além, uma colega professora da cidade de Simão Dias, localizada a 100 quilômetros de Aracaju, também se refere ao mesmo problema. 
“Parece que virou moda. Simão Dias está um calor dos infernos e as praças sendo feitas novamente, arrancando as árvores e a gente morrendo queimados pelo calor. Em algumas praças estão sendo plantadas novas árvores. Mas até elas crescerem...”.

[*] É professor de História na rede estadual e especialista em arte-educação. Participou da fundação de duas entidades de referência na questão ambiental em solo sergipano - Aspam - Associação Sergipana de Proteção Ambiental - e Amaba - Associação dos Moradores do Bairro América.