Aparte
Opinião - A imprensa e a censura - I
E05e516ff30d4d03

[*] Adalberto Vasconcelos Andrade

A censura no Brasil não existiu somente durante o governo militar (1964-1985). Hoje está mais presente do que nunca na vida de quem escreve, produz artes, emite opiniões, ou por força do próprio ofício o indivíduo precisa se expor no campo pessoal.

Atualmente, a profissão que mais vem sofrendo intimidações, ameaças, represálias e pressões de todos os lados é a de jornalista.

Não sou jornalista, e isso tornei público desde que comecei a publicar artigos em alguns jornais da mídia impressa de Sergipe, e foi a partir daí que eu percebi que não é fácil o ofício desses profissionais.

Ao dizer o que eu penso através da escrita - vez por outra -, senti o quanto é difícil viver numa democracia onde a liberdade de expressão e de pensamento nem sempre é respeitada.

Por leitores - aos montes - e até por instituições que deveriam sair em nossa defesa. Por isso é preciso mais do que nunca discutir o tema, antes que seja tarde demais.

Mas aonde eu quero chegar com esse prelúdio? Atingir dois objetivos: o primeiro, prestar minha homenagem ao poeta Jozailto Lima pelo seu “jornalismo trintão em Sergipe”, plagiando o jornalista Breno Lima em escrito aqui neste espaço.

Minha amizade com Joza - para os íntimos, o tratamento é este - começou por uma coincidência da vida quando ele aportou aqui como correspondente da sucursal o jornal Tribuna da Bahia em 15 de março de 1990.

Na época eu era o administrador da sucursal em nosso Estado. Dali em diante, cada um tomou o seu rumo - ele seguiu em frente naquilo que mais gosta de fazer, como jornalista e poeta, enquanto eu dei uma guinada de 180 graus.

De certo é que eu fui o seu primeiro contato aqui há 30 anos - ambos estávamos à serviço da Tribuna da Bahia, e daí começou a nossa relação profissional.

E de amizade - naquela manhã da posse de Collor de Mello na Presidência coube a mim apresentá-lo à pensão em que ele ficaria hospedado por 75 dias, na rua de Capela, até que comprasse a chave do primeiro apartamento e pra cá trouxesse a família.

Depois que fui para a PRF em 1994 e lá pelos idos de 2001 Jozailto Lima me lança como escritor no semanário Cinform - por sua conta e risco -, publicando por semana um capítulo do meu livro “O homem é feliz e não sabe”. O livro foi polêmico e sofri ameaças de processo - olhe a censura aí, gente - até o seu último capítulo. 

Mas foi através do Jozailto e de seus ensinamentos que nunca desisti de escrever - e assim o farei enquanto me sentir útil. Até agora nada provou o contrário.

Eu e ele temos 30 anos de estrada e de amizade - mesmo que o encontro tenha sido fruto do acaso. Em 2016, recebi a honrosa distinção dele na dedicação do seu quinto livro “Ainda os lobos” juntamente com outras pessoas da sua relação, como o irmão Antonio Lima e o poeta feirense Roberval Pereyr. 

Mas a nossa história está apenas começando nesse universo da escrita, onde escrever é correr risco. Admito: ele fez e faz muito mais por mim. Eu volto semana que vem. A homenagem continua a esse ícone do jornalismo sergipano.

[*] Administrador de Empresas, policial rodoviário federal aposentado, escritor e colaborador efetivo do portal JLPolítica.