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Sindijus afirma que não é seguro retorno do trabalho presencial no Judiciário
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Jones Ribeiro: “A cada dia crescem números de contaminações e mortes pela Covid-19 em Sergipe”

E ele diz isso com base em dados científicos. O Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário do Estado de Sergipe – Sindijus - recebeu com preocupação a notícia divulgada na última sexta-feira de retorno das atividades presenciais no Tribunal de Justiça de Sergipe a partir do dia 3 de agosto.

Para a Diretoria do sindicato, a grave situação do coronavírus no Estado de Sergipe impõe a necessidade de continuidade do trabalho remoto. “A cada dia crescem de forma acelerada os números de contaminações e mortes pela Covid-19 em Sergipe, o que, para preservação das vidas dos servidores, não deixa outra alternativa que não seja a de manter o teletrabalho”, afirma Jones Ribeiro, coordenador do Sindijus.

Em ofício enviado ao presidente do Poder Judiciário de Sergipe, desembargador Osório Ramos Filho, a entidade sindical pede que seja reavaliado o anúncio do retorno e prorrogado o trabalho de forma remota.

Segundo Ribeiro, o momento exige “todos os cuidados para garantir a saúde e a vida não somente dos servidores e servidoras, mas também da própria população que utiliza os serviços prestados pelo Tribunal”.

O coordenador do sindicato ressalta também que o teletrabalho não está representando uma desassistência do Judiciário sergipano à sociedade, já que a produtividade do poder permanece elevada, mesmo na pandemia.

“O Tribunal tem divulgado constantemente os índices de produção que demonstram um esforço de servidores e magistrados para que o povo de Sergipe continue a ter um Judiciário que é referência”, diz Ribeiro.

A solicitação do Sindijus se baseia em uma série de estudos científicos, a exemplo de um divulgado nesta segunda-feira, 13, pelo Laboratório de Economia Aplicada e Desenvolvimento Regional da Universidade Federal de Sergipe.

Um trecho da Nota Técnica assinada por professores de Economia da UFS frisa que “estamos aproximadamente no pico da pandemia e que sua finalização ocorrerá a partir do início de outubro”.

A mesma pesquisa estima que até o próximo dia 24 de julho o Estado de Sergipe deve acumular mais de 47 mil casos e quase 1.400 mortes. Os coordenadores do estudo enfatizam também que a taxa atual de reprodução da Covid-19 não está no índice de estabilização da doença.

Com os números atualizados, em Sergipe “uma pessoa contaminada, em média, está sendo capaz de infectar outras 1,14 pessoas durante o seu período de infecção”. “Para que a pandemia comece a se estabilizar, é necessário que a taxa de reprodução caia para menos de 1”, explicou a professora Fernanda Esperidião, em matéria publicada no site da UFS.

No documento encaminhado à Presidência do Poder Judiciário, a direção do Sindijus solicita também que os servidores sejam consultados previamente quando da possibilidade de retorno às atividades presenciais e que antes de qualquer anúncio seja previamente apresentada toda a estratégia desenvolvida pelo Tribunal no sentido de garantir os cuidados necessários à preservação da vida.