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Aparte
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Jozailto Lima

É jornalista há 36 anos, tem formação pela Unit e é fundador do Portal JLPolítica. É poeta.

Zé João quer ser prefeito de Propriá, aceita aliança com Valberto, mas refuta Renatinho
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Zé João: operando política sem meios-termos

Um cabra despachado, de sangue nas ventas e sem meias palavras. Assim se parece e se afigura José João Nascimento Lima, DEM, ex-prefeito de Telha, filho da ex-prefeita de Propriá, Maria das Graças Nascimento Lima, a dona Menininha, e irmão do também ex-prefeito José Luciano Nascimento Lima, o Luciano de Menininha.

Zé João, como é mais conhecido, admite, em conversa com a Coluna Aparte, que quer ser prefeito de Propriá e que, para isso, está disposto a entrar na disputa sucessória do ano que vem. Revela que pode até se aliar a Valberto de Oliveira Lima, o secretário de Estado da Saúde que se sente também pré-candidato, mas rechaça duramente qualquer aliança futura com o ex-prefeito Renato Brandão e sinaliza uma breve colisão de entendimentos com o irmão Luciano, a quem ele chama de Lu.

“Eu serei candidato. Agora, não sei ainda por onde. Disse que admitia a possibilidade de ser candidato em Propriá, e a não ser que o quadro mude, que aconteça uma coisa muito contundente, eu mantenho minha vontade de me candidatar. Agora não sei se por Propriá ou por Telha”, afirma Zé João.

Mas logo a seguir ele afina e apura mais o foco. “Meu coração bate mais, eleitoralmente, por prestar um serviço por Propriá, por já ter prestado um serviço como prefeito a Telha, que é um município que me acolheu e é onde eu tenho todos os meus negócios. Mas quero experimentar o novo, o diferente - e isso equivale a Propriá. Isso seria um desafio para mim”, diz Zé João.

Entenda daqui pra frente alguns pontos de vistas mais diretos de Zé João. Da aliança entre ele e Valberto. “Existem todas as possibilidades de que Valberto componha comigo uma chapa hoje, pelo Democratas, porque há a possibilidade dele vir para o partido. Dizem que ele está no MDB, mas ele me disse que não está filiado a partido nenhum. Se eu estiver mentindo, é pela palavra dele. Ainda pode ser que eu o apoie em uma candidatura, não sendo eu o vice. Eu, Zé João, não, mas alguém indicado por mim”, reitera.

Da dificuldade de largar a política. “Eu só saio de política quando eu morrer, ou então quando disserem assim: “Zé João não vale mais nada em lugar nenhum”. Mesmo que eu não participe como candidato, mas quero opinar na eleição de Cedro, quero opinar na eleição de Propriá, quero ter um candidato preferido na de Amparo, de Canhoba, de São Francisco. Eu quero isso. Estou vivo”.

Sobre a perspectiva de uma alianças com Valberto e da opinião contrária do próprio irmão Luciano sobre isso: “Como é que a pessoa faz política sem fazer alianças? Política é assim mesmo. E a pessoa só faz alianças com quem já foi aliado a vida toda, é? Estou fazendo alianças em Telha com quem toda uma vida foi meu adversário. Fiz alianças e estou muito satisfeito. Não sinto vergonha por isso não. Estou no meu canto. Estou na minha. Estou no DEM, e o DEM de Propriá continua no mesmo lugar desde que Dona Menininha foi prefeita em 1988”.

Das mágoas de Luciano com Valberto e do rechaço que o próprio Zé João faz a Renato Brandão, em favor de quem Luciano teria feito flexibilidade. “É verdade que meu irmão tem uma mágoa de quando Valberto deu os braços a Renato Brandão, mas na eleição passada Lu queria fazer aliança nossa com Renato, isso porque o contador de Renato Brandão procurou ele e me procurou para que eu fosse candidato”.

“Mas com quem eu não faço aliança é com Renato Brandão. Com ele, não faço aliança nem para me salvar daquele fogo que deu naquele hospital do Rio de Janeiro ou de um afogamento. Com esse eu não faço. Renatinho judiou muito da gente. Ele judiou muito da minha mãe. Falou muito mal dela. Ele foi perverso com a gente. Deixou muito vagabundo se igualar a ele… Não estou dizendo que ele é um vagabundo, mas quando eu deixo uma pessoa fazer alguma coisa ruim, eu estou compactuando com aquilo e com aquela pessoa. Eu estou fechando meus olhos”, reforça.

“Então Renatinho fechou os olhos para muitas coisas que fizeram com mamãe quando ela foi candidata e quando foi prefeita. Portanto, com Renato Brandão é que eu não faço aliança. Mas na cabeça do meu irmão, em 2016 ele queria que eu conversasse com Renato Brandão para ele indicar o meu vice. É isso que eu não entendo do meu irmão. Gostaria muito de entender”, reforça Zé João.

“Ele (Luciano) me chamou muitas vezes na casa dele para conversar com os contadores de Renato Brandão. Eu disse: “não vou, não quero”. Pode me dar a eleição, de diploma passado. Com Renato, eu não faço. Mas com Valberto, com Iokanaan Santana… Eu mesmo não conhecia Valberto. Não era amigo, nem inimigo. Se ele trabalhou para derrubar a gente naquela época, é um direito. E é outra coisa”.

De estar sendo buscado por Valberto. “Mas agora quem está sendo procurado sou eu. Eu estou como João Alves. E João foi reto a vida toda. Você conhece algum desvio de João Alves? Quem entrou na vida política de João Alves foi porque procurou João. Ele foi de um partido só a vida toda. Valadares veio, Albano veio, Jackson veio - todos pelo partido de João Alves… Então minha análise é essa. Não sei porque meu irmão tem isso. Mas é um direito dele. Não vou discutir não”.

Da breve rusga entre os irmãos. “Sobre eu estar bem com Luciano, não estou politicamente. Lu acha que a gente deve sair da política. Mas eu não acho isso”, diz Zé João, que é mais velho que Luciano. De Propriá, Dona Menininha foi prefeita uma vez e Luciano outra. O marido dela, José Guimarães Lima, foi prefeito em Telha, em 1970, e Zé João se elegeu em 2004 prefeito dali. Governou de 2005 a 2009. Para os mais jovens, que não sabem, Dona Menininha é irmã da senadora Maria do Carmo, DEM.