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Politica & Economia
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Saumíneo Nascimento

Saumíneo Nascimento é economista, bancário de carreira pelo BNB e diretor-Executivo do Grupo Tiradentes. 

Análise do PIB dos municípios de Sergipe mostra concentração de riqueza regional
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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE -, divulgou recentemente os resultados do Produto Interno Bruto - PIB - dos municípios  com base em 2017. Farei adiante uma breve abordagem informativa sobre os significados dos resultados.

Importante registrar que, conforme o IBGE, o cálculo do PIB dos municípios se baseia na distribuição, entre os municípios, do valor adicionado bruto a preços básicos, em valores correntes das atividades econômicas, obtido pelo Sistema de Contas Regionais - SCR.

Do ponto de vista conceitual, conforme o IBGE, PIB é o total dos bens e serviços das unidades produtoras residentes destinados aos usos finais. É, portanto, equivalente à soma dos valores adicionados pelas diversas atividades econômicas acrescida dos impostos, líquidos de subsídios, sobre produtos.

O produto interno bruto também é equivalente à soma dos usos finais de bens e serviços valorados a preço de mercado, sendo, também, equivalente à soma das rendas primárias.

Pode, portanto, ser expresso por três óticas:

a) da produção - o produto interno bruto é igual ao valor bruto da produção, a preços básicos, menos o consumo intermediário, a preços de consumidor, mais os impostos, líquidos de subsídios, sobre produtos;

b) da despesa - o produto interno bruto é igual à despesa de consumo das famílias, mais o consumo do governo, mais o consumo das instituições sem fins de lucro a serviço das famílias (consumo final), mais a formação bruta de capital fixo, mais a variação de estoques, mais as exportações de bens e serviços, menos as importações de bens e serviços; e

c) da renda - o produto interno bruto é igual à remuneração dos empregados, mais o total dos impostos, líquidos de subsídios, sobre a produção e a importação, mais o rendimento misto bruto, mais o excedente operacional bruto.

O maior PIB de Sergipe é naturalmente da capital Aracaju (R$16.373.280 mil), que, no entanto, não apresenta o maior PIB per capita - o da capital é de R$ 25.185,55, enquanto o maior é o de Canindé do São Francisco, com R$ 55.577,96. 

Isso não quer dizer que as pessoas de Canindé do São Francisco possuem melhores condições de vida em relação às pessoas de Aracaju. É apenas a divisão da riqueza pela população e, havendo concentração, como é o caso de Canindé do São Francisco, isto não impacta positivamente na vida da população.

A classificação dos 10 maiores municípios por PIB é a seguinte: Aracaju, Nossa Senhora do Socorro, Itabaiana, Estância, Canindé do São Francisco, Lagarto, Itaporanga d´Ájuda, Laranjeiras, São Cristóvão e Simão Dias, juntos possuem um PIB de R$ 28.973.946 mil, equivalente a 71% da soma do PIB de todos os municípios de Sergipe (R$ 40.703.766 mil). É, portante, uma grande concentração de riqueza regional.

Já a distribuição classificativa dos 10 maiores municípios por PIB per capita é a seguinte: Canindé do São Francisco, Rosário do Catete, Laranjeiras, Itaporanga d´Ájuda, Aracaju, Estância, Divina Pastora, Carmópolis, Itabaiana e Ribeirópolis.

O menor PIB de Sergipe é o de Amparo do São Francisco com R$ 28.364 mil, equivale a 017% do PIB de Aracaju - demonstrando as desigualdades e hierarquias municipais. Já o menor PIB per capita não é o de Amparo do São Francisco (R$ 11.867,65), e sim o de Ilha das Flores, com R$ 8.494,84 - assim, em tese, as pessoas com menor riqueza de Sergipe vivem em Ilha das Flores.

Em Ilha das Flores, como na maioria dos municípios de Sergipe, é a atuação pública da prefeitura municipal, em segundo lugar o setor de serviços e em terceiro a agricultura. Apenas os municípios de Aracaju, Itabaiana, Estância, Canindé do São Francisco, Itaporanga d´Ájuda, Laranjeiras, Propriá e Rosário do Catete não possuem o setor público como o maior componente do PIB.

Destaque-se que o município de Nossa Senhora do Socorro - segundo maior PIB municipal sergipano, segunda maior população sergipana, mesmo tendo na atualidade o maior distrito industrial -, tem na composição do seu PIB o setor público (prefeitura municipal) o maior componente do seu PIB.

Do ponto de vista regional,os municípios do semiárido com maior PIB são: Canindé d São Francisco (5º maior PIB), Simão Dias (10º maior PIB), Nossa Senhora da Glória (11º maior PIB), Tobias Barreto (12º maior PIB) e Propriá (13º maior PIB).

Essa informação é para destacar que os municípios do semiárido sergipano em geral possuem um PIB menor que os municípios fora do semiárido. O município de General Maynard com um PIB de R$ 31.130 mil, tem o segundo menor PIB de Sergipe e não está no semiárido, deslocando-se da lógica de menores PIBs no semiárido.

A concentração do PIB municipal sergipano é grande e desafiante, se somarmos os valores do PIB municipal dos 10 menores de Sergipe (Cedro de São João, Malhada dos Bois, Cumbe, Santa Rosa de Lima, São Miguel do Aleixo, São Francisco, Pedra Mole, Telha, General Maynard e Amparo do São Francisco), chegaremos ao montante de R$ 394.782 mil, quase equivalente ao PIB da Barra dos Coqueiros (R$ 385.554 mil) e menor que o PIB de Itabaianinha – R$ 429.848 mil. Os 10 municípios de menor PIB de Sergipe possuem 0,96% (menos de 1% da riqueza do Estado de Sergipe).

Entendo ser necessário uma evolução na hierarquia urbana de alguns municípios sergipanos, direcionando-se com incentivos. Atividades nos municípios mais pobres não é uma tarefa fácil, pois alguns já possuem por tradição uma posição relativa de centralidade urbana em relação a outros municípios e arranjos populacionais no conjunto articulado de algumas cidades - isto é aferido por meio da quantidade de mais funções e presenças de instituições e empresas.