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Politica & Economia
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Saumíneo Nascimento

Saumíneo Nascimento é economista, bancário de carreira pelo BNB e diretor-Executivo do Grupo Tiradentes. 

IBGE divulga dados sobre a cobertura e o uso da terra em Sergipe
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Sergipe está inserido nos biomas Caatinga (55%) e Mata Atlântica (45%)

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE - acaba de divulgar o Monitoramento da Cobertura e Uso da Terra do Brasil para 2018. De acordo com a instituição, a análise do tema observa a evolução e os padrões de ocupação do território brasileiro, conforme dados históricos coletados pelo instituo.

Segundo o IBGE, o objetivo do trabalho é acompanhar a dinâmica do território, seus processos de ocupação e suas transformações, através de um monitoramento espacial e quantitativo da cobertura vegetal e do uso da terra em todo o país. Desde 2010, este estudo vem sendo feito pelo IBGE a cada dois anos.

Para o IBGE, o mapeamento periódico da cobertura e uso da terra permite a detecção de alterações nas formas de organização do espaço e contribui para um melhor entendimento da dinâmica de ocupação do território especialmente a partir do avanço de atividades agrícolas e pecuárias, além do uso por funções urbanas.

Dessa forma, irei fazer uma breve análise dos dados de Sergipe, com base nas informações que foram disponibilizadas. O IBGE destaca que o Estado de Sergipe, cuja capital é Aracaju, possui 2.068.017 habitantes, 75 municípios e densidade demográfica de 94,36 hab/km². Seu território, de 21.918,443 km², está inserido nos biomas Caatinga (55%) e Mata Atlântica (45%) .

De acordo com o IBGE, as classes de uso e cobertura da terra que predominam no Estado são: mosaico de ocupações em área campestre, mosaico de ocupações em área florestal e pastagem com manejo. As maiores mudanças no período 2000 – 2018 foram a redução da vegetação campestre e o aumento do mosaico de ocupações em área campestre.

O IBGE também aponta que, no período 2016 – 2018, as mudanças em Sergipe predominaram no norte do Estado. Em destaque, observa-se a conversão de vegetação vampestre em vosaico de vcupações em área campestre.

A situação de Sergipe na base de 2018 nas classes de cobertura e uso da terra é a seguinte:

Área artificial – segundo o IBGE, são áreas onde predominam superfícies antrópicas não agrícolas. São aquelas estruturadas por edificações e sistema viário, nas quais estão incluídas as metrópoles, cidades, vilas, as aldeias indígenas e comunidades quilombolas, áreas ocupadas por complexos industriais e comerciais e edificações que podem em alguns casos, estar situadas em áreas peri-urbanas. Também pertencem a essa classe as áreas onde ocorrem a exploração ou extração de substâncias minerais, por meio de lavra ou garimpo.

Em Sergipe são 170 Km2 de área artificial (0,78% do território), pouco evoluiu nas últimas duas décadas, no ano 2000 tínhamos 166 Km2 de área artificial, um aumento de apenas 4 Km2. Isso demonstra que a nossa densidade demográfica esta cada vez mais concentrada e pouca evolução de espaços urbanos para convivência das pessoas.

Área agrícola – segundo o IBGE, é a área caracterizada por lavouras temporárias, semi-perenes e permanentes, irrigadas ou não, sendo a terra utilizada para a produção de alimentos, fibras, combustíveis e outras matérias-primas. Segue os parâmetros adotados nas pesquisas agrícolas do IBGE e inclui todas as áreas cultivadas, inclusive as que estão em pousio ou localizadas em terrenos alagáveis. Pode ser representada por zonas agrícolas heterogêneas ou extensas áreas de plantations. Inclui os tanques de aquicultura.

Em Sergipe temos 1.449 Km2 de área agrícola (6,62% do território), uma evolução constante a cada ano, no ano 2000 a área agrícola de Sergipe era de 834 Km2 (3,81%) e este crescimento propicia uma maior produção agrícola no estado.

Pastagem com manejo – segundo o IBGE, são áreas destinadas ao pastoreio do gado e outros animais, com vegetação herbácea cultivada (braquiária, azevém, etc) ou vegetação campestre (natural), ambas apresentando interferências antrópicas de alta intensidade. Estas interferências podem incluir o plantio; a limpeza da terra (destocamento e despedramento); eliminação de ervas daninhas de forma mecânica ou química (aplicação de herbicidas); gradagem; calagem; adubação; entre outras que descaracterizem a cobertura natural.

Em Sergipe temos 3.562 Km2 de pastagens com manejo (16,26% do território), neste item existe uma curiosidade, pois evoluímos de 2000 para 2010 de 3.118 Km2 para 3.593 Km2, saindo de 14,23% do território para 16,4% do território, porém diminuímos de área em 2012 passando para 3.541 Km2 e voltamos a evoluir anualmente, porém a área que temos hoje de pastagem com manejo é inferior ao que tínhamos em 2010.

Pode representar redução na disponibilidade de alimentação para a nossa pecuária e sua consequente redução, porém vemos que está existindo uma recuperação da área de pastagens com manejo. Isto também pode ser resultado de maior uso de confinamento animal no seu manejo de criação.

Mosaico de ocupação em área florestal – segundo o IBGE, é a área caracterizada por ocupação mista de área agrícola, pastagem e/ou silvicultura associada ou não a remanescentes florestais, na qual não é possível uma individualização de seus componentes. Inclui também áreas com perturbações naturais e antrópicas, mecânicas ou não mecânicas, que dificultem a caracterização da área.

Em Sergipe temos 6.531 Km2 de mosaico de ocupação em florestal (29,82% do território). A área florestal em Sergipe vem sendo reduzida anualmente, ano de 2000 tínhamos 32,39% do território (quase 1/3) equivalente a 7.095 Km2, no entanto a cada ano perdemos espaços de florestas para outras ocupações de terra.

Vegetação florestal – segundo o IBGE, é a área ocupada por florestas, que é diferente do mosaico de ocupação com área florestal citado anteriormente. Consideram-se florestais as formações arbóreas com porte superior a 5 metros de altura, incluindo-se aí as áreas de floresta ombrófila densa, de floresta ombrófila aberta, de floresta estacional, além da floresta ombrófila mista. Inclui outras feições em razão de seu porte superior a 5 m de altura, como a savana florestada, campinarana florestada, savana-estépica florestada, os manguezais e os buritizais, conforme o Manual Técnico de Uso da Terra.

Em Sergipe temos apenas 4,51% do território com florestas, o que equivale a 988 Km2, e que pouco mudou, mas está havendo um leve declínio anual de vegetação florestal em Sergipe, no ano 2000 tínhamos 1.004 (4,58% do território). Isto significa que as gerações presentes e futuras possuem poucos espaços em Sergipe para conhecimento e apreciação de nossas vegetações florestais.

Área úmida – segundo o IBGE, é área caracterizada por vegetação natural herbácea ou arbustiva (cobertura de 10% ou mais), permanentemente ou periodicamente inundada por água doce ou salobra. Inclui os terrenos de charcos, pântanos, campos úmidos, estuários, entre outros. O período de inundação deve ser de no mínimo 2 meses por ano. Pode ocorrer vegetação arbustiva ou arbórea, desde que estas ocupem área inferior a 10% do total.

Em Sergipe temos apenas 1 Km2 de área úmida e esta área sempre foi a mesma desde 2000, sem nenhuma alteração no período.

Vegetação campestre – segundo o IBGE é área caracterizada por formações campestres. Entende-se como campestres as diferentes categorias de vegetação fisionomicamente bem diversas da florestal, ou seja, aquelas que se caracterizam por um estrato predominantemente arbustivo, esparsamente distribuído sobre um estrato gramíneo-lenhoso.

-se nessa categoria as savanas, estepes, savanas estépicas, formações pioneiras e refúgios ecológicos. Encontram-se disseminadas por diferentes regiões fitogeográficas, compreendendo diferentes tipologias primárias: estepes planaltinas, campos rupestres das serras costeiras e campos hidroarenosos litorâneos (restinga), conforme o Manual Técnico de Uso da Terra (IBGE, 2013).

Essas áreas podem estar sujeitas a pastoreio e a outras interferências antrópicas de baixa intensidade como as áreas de pastagens não manejadas do Rio Grande do Sul e do Pantanal.

Em Sergipe temos uma área de 2.339 Km2 (10,68% do território) de vegetação campestre, esta área esta bem menor que a área que tínhamos no ano de 2000 (3.798Km2 – 17,34% do território), isto significa redução dos refúgios ecológicos do estado.

Mosaico de ocupações em área campestre – De acordo com o IBGE, é a área caracterizada por ocupação mista de área agrícola, pastagem e/ou silvicultura associada ou não a remanescentes campestres, na qual não é possível uma individualização de seus componentes. Inclui também áreas com perturbações naturais e antrópicas, mecânicas ou não mecânicas, que dificultem a caracterização da área.

Em Sergipe esta é a maior ocupação de terra que temos (30,41% do território e 6.660 Km2), nos últimos quatro anos tem ocorrido uma leve redução de referida área, com uma perda de 17 km2.

Corpo d´água continental – De acordo com o IBGE,inclui todas as águas interiores, como rios, riachos, canais e outros corpos d’água lineares. Também engloba corpos d’água naturalmente fechados (lagos naturais) e reservatórios artificiais (represamentos artificiais de água construídos para irrigação, controle de enchentes, fornecimento de água e geração de energia elétrica). Não inclui os tanques de aquicultura.

Em Sergipe temos 140 Km2 (0,64% do território) de corpo d´água continental e sem alteração nas últimas duas décadas.

Corpo d´água costeiro – Conforme o IBGE inclui as águas inseridas nas 12 milhas náuticas, conforme Lei nº 8.617, de 4 de janeiro de 1993.

Em Sergipe temos 11 Km2 (0,05% do território) de corpo d´água costerio e sem alteração nas últimas duas décadas.

Área descoberta – De acordo com o IBGE, esta categoria engloba locais sem vegetação, como os afloramentos rochosos, penhascos, recifes e terrenos com processos de erosão ativos. Também inclui as praias e dunas, litorâneas e interiores, e acúmulo de cascalho ao longo dos rios.

Em Sergipe temos 50 Km2 (0,23% do território) com área descoberta e ocorreu uma relevante alteração nas ultimas décadas, pois no ano de 2000 tínhamos 12 Km2 de área descoberta, quase a mesma área do corpo d´água costeiro, e ocorreu uma evolução de 38 Km2 (crescimento de 316,7% da área descoberta), tendo contribuído o aumento da área de praias.

Importante ressaltar que as mudanças nas formas de ocupação do território sergipano não ocorreram de forma linear ao longo do tempo, nem aconteceram de maneira homogênea nas nossas microrregiões, pois estão relacionadas a fatores econômicos, ambientais, históricos e culturais específicos.

Cabe ressaltar que a dinâmica espacial traz impactos econômicos e ambientais ao território sergipano e à população de nosso Estado. Estes fatores e impactos, positivos ou negativos, constituem um desafio a ser gerenciado por nossas instituições de pesquisa e pelos órgãos de planejamento e controle.

Como economista e geógrafo julgo que a abordagem dos dados acima ajudam no conhecimento da realidade sergipana e atende a setores da sociedade que necessitam desse tipo de informação para subsidiar ações gerenciais que possam promover o desenvolvimento sustentável de Sergipe.