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Politica & Mulher
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Tanuza Oliveira

Jornalista desde 2010, com formação pela Unit e atuação em veículos impressos e em assessorias de comunicação em Sergipe. É repórter Especial do JLPolítica desde 2017.

1ª mulher a dirigir Hospital de Cirurgia, Márcia Guimarães preza pelo lado humano para lidar com Covid-19
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Márcia Guimarães: "É muito suor para alinharmos nossas equipes e trabalharmos em prol de salvarmos vidas”

Nascida em Aquidabã de uma família de oito filhos, mãe de um, funcionária pública e enfermeira de alma e de coração há 26 anos, Márcia Guimarães assumiu, como interventora judicial, a Direção Geral do Hospital de Cirurgia em novembro de 2018, tornando-se a 1ª mulher a ocupar esse cargo em 94 anos da instituição.

Um ano e meio após, ela encara o grande desafio do conduzir o maior hospital filantrópico do Estado numa das piores crises de saúde da história mundial devido ao coronavírus. “É uma missão boa, de Deus, mas é difícil, pois é muito suor para alinharmos nossas equipes e trabalharmos em prol de salvarmos vidas, ainda mais neste momento difícil em que estamos vivendo com a Covid-19”, admite Márcia Guimarães.

Atualmente, o hospital tem 60 leitos para tratar pacientes com Covid-19, sendo 30 UTIs e mais 30 entre enfermarias e acomodações individuais. A previsão da instituição é de implementar mais uma unidade intensiva para Covid-19 nos próximos dias. “Sabemos bem que, independentemente dessa pandemia, nosso sistema de saúde já é superlotado. Agora, imagine uma coisa aumentada em até 40 vezes. Então, ainda em fevereiro, já começamos a nos planejar para aumentarmos os nossos números de UTI”, ressalta.  

“A Universidade Tiradentes, por exemplo, nossa parceira mais constante, além do Governo do Estado, adiantou as obras da nova UTI que comporta 20 leitos. Inicialmente, eram para ser entregues em maio, mas em março já estavam prontas. No início de abril, abrimos os leitos. Nesse momento, o poder da solidariedade e união já impregnava mais as pessoas, instituições, associações e empresários. Com isso, diversos parceiros chegaram para viabilizar nosso planejamento de expansão”, completa.

As parcerias foram fundamentais, seja para melhorar a assistência, seja para a proteção dos profissionais; contribuir com compras de equipamentos médicos, como aparelho de Raio-X, de ultrassonografia e equipamentos de proteção individual, enxoval. “Todos essenciais para implantarmos novos leitos e tratarmos mais e melhor os pacientes com Covid-19, bem como para acalentarmos nossos colaboradores neste momento tenso através da doação de chocolates, hambúrgueres, esfirras, bolos, gelatos... Delícias que trouxeram momentos de relaxamento”, relata Márcia.

A interventora explica que nunca foi tão importante ter atenção a tantos lados: pacientes, profissionais e familiares. “Por causa disso, precisamos ir aprendendo com o dia a dia e implementando ações para cada momento e necessidade, que vai desde a revisão de protocolo de medicamentos até o acolhimento e o lidar com o psicológico dos profissionais, pacientes e familiares”, afirma.

Márcia tem deixado claro ter ampla capacidade técnica e de gestão para conduzir o Cirurgia nesta fase delicada para qualquer unidade hospitalar do Brasil e do mundo. Ao longo de sua trajetória profissional, deixou seu nome escrito em várias instituições privadas e públicas de saúde, como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – Samu – de Aracaju. Em hospitais, já atuou na assistência e na gestão de Pronto Socorro, Centro Cirúrgico a Auditoria Hospitalar.

Essa diversificação trouxe a ela, com certeza, experiência necessária para seu desempenho hoje. Mas a ligação de Márcia com o Cirurgia é antiga: começou a fazer parte do quadro de profissionais em 1996, quando atuou no Centro Cirúrgico e depois assumiu como primeira diretora técnica - quando não havia a premissa básica de ser médico - até 2001.

Ela teve uma segunda passagem, dessa vez mais breve, em 2003, atuando na Clínica Cirúrgica Geral. Já em setembro de 2018, retornou à instituição como cogestora durante a cogestão do Governo do Estado. “Após oito meses de contrato do Governo com o hospital, o governador Belivaldo disse que só continuaria investindo na instituição com uma pessoa técnica in loco para garantir maior transparência nos recursos estaduais aplicados”, lembra.

Foi aí que Belivaldo a convidou. “Ele disse: Márcia, preciso de sua ajuda, porque você é técnica e o hospital precisa funcionar direitinho e não parar de atender. E, assim, voltei”, relata. Sessenta dias depois, Márcia assumiu a Direção Geral como interventora a convite do Ministério Público do Estado – MPE.

“Nosso objetivo maior ao assumir a Direção foi dar uma assistência da melhor qualidade aos sergipanos e melhorar as condições de trabalho dos nossos colaboradores. Inclusive, duas pessoas que estão conosco até hoje na equipe foram determinantes para essa construção, o médico Rilton Morais e a advogada Isadora Cerqueira. São excepcionais, lideram e complementam essa gestão de forma brilhante”, analisa.

De fato, de novembro de 2018 até agora, os números mostram uma performance de aumento de atendimento, reativação de serviços paralisados e implantação de novos serviços. “Quando tomei posse, o hospital estava com as cirurgias cardíacas paradas há dois meses, sete meses de médicos sem receber salários, faltando insumos básicos... Em suma, num momento difícil que só está sendo superado por uma confluência de ações e de colaboração”, reitera.

Em virtude dessa reestruturação, ela destaca ainda que, mesmo com a pandemia, o Cirurgia manteve a assistência essencial. “Aumentamos a assistência quando o sistema mais está precisando. Somos o hospital filantrópico que mais tem leitos para tratar pacientes com Covid-19 em Sergipe. Isso tudo foi fruto de um trabalho harmonioso e em equipe, pois como disse Michel Jordan “Talento vence jogos, mas só o trabalho em equipe ganha campeonatos”, define Márcia.

Esses resultados mostram que a escolha dela para estrear no quadro de diretores da instituição foi certeira – além de histórica. “Recentemente, comentei que se qualquer um chegar no salão do conselho deliberativo do hospital, percebe-se que só têm homens nos quadros da parede. De 1926, ano de fundação do Cirurgia, para cá, só homens e médicos, frise-se. Apenas dois não eram. Aí eu olho e penso: “poxa, uma mulher nesta posição e ainda enfermeira”.