Politica & Mulher
Andrea Andrade: uma mulher que cuida de outras mulheres
0f5c033746a12e33

Andrea: realizada por fazer a diferença na vida das mulheres 

Esse título não é eufemismo. A bacharela em Direito e graduada em Psicologia, Andrea Fernanda Andrade, realmente é responsável por cuidar de 215 outras mulheres. Ela é diretora do Presidio Feminino desde 2017, onde acompanha todo o processo das detentas. 

“Na condição de gestora, tenho que saber todo o passo a passo, do ingresso, passando pelo acolhimento e pelo acompanhamento da saúde e do social, até, posteriormente, na área de reinserção”, detalha Andrea. 

Ela sabe que a situação requer bastante sensibilidade e, principalmente, empatia. “Meu papel é receber essa mulher, executar o que está na legislação e cuidar para a ressocialização, dando condições de voltar à sociedade, de acordo com o que é disponibilizado, claro”, destaca Andrea.

Para isso, alguns projetos são desenvolvidos pelo Prefem, como que oferta educação e artesanato para as presas. “Para que posam ter possibilidade de voltar ao seio da sociedade, é isso que a gente quer: que ela volte e como um indivíduo melhorado”, reforça.

De acordo com ela, a mulher detenta sofre duas vezes mais preconceito. “Convencionou-se achar natural o homem cometer um crime, a sociedade meio que não acredita na mulher no cenário do crime, julga vergonhoso. Tem preconceito por conta disso”, admite. 

Mas Andrea reconhece que a incidência feminina no crime é menor. E ela tem propriedade para falar, afinal, trabalha já 16 anos no sistema prisional. “Comecei no 

 setor administrativo, fui coordenadora de disciplina e também já fiz parte de um grupo tático, que cuida da custódia de presos especiais”, revela. 

Ela avalia o sistema como tranquilo, pois a cadeia, segundo Andrea, tem bastante possibilidade de atividades de ressocialização. “É uma cadeia muito tranquila, com um perfil de mulheres jovens, de 25 a 30 anos. A maioria por tráfico de drogas”, diz. 

Ao contrário do que possam pensar, Andrea gosta muito da atividade que executa. “Sou realizada por fazer a diferença na vida das mulheres, saber que existe essa possibilidade. Encaro como uma oportunidade que tem que ser abarcada par todos”, ressalta.