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Politica & Mulher
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Tanuza Oliveira

Jornalista desde 2010, com formação pela Unit e atuação em veículos impressos e em assessorias de comunicação em Sergipe. É repórter Especial do JLPolítica desde 2017.

Brigitte Macron, a Amazônia e o modus operandi de Bolsonaro
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Brigitte Macron: uma mulher que gostaríamos de ter como primeira-dama

Que Bolsonaro é politicamente incorreto, contra a preservação ambiental e pouco adepto do respeito às mulheres, a maioria dos brasileiros já sabia. Todo mundo por aqui está ambientado – e cada vez mais estarrecido – às atrocidades que ele costuma dizer.

Mas, esta semana, o vexame ganhou dimensões internacionais.

Para além do pensamento retrógrado e pouco embasado de Bolsonaro com relação à situação da Amazônia, ele hoje transparece – para o mundo, frise-se –, a imagem de um chefe de Estado que não honra o que diz, já que se comprometeu com o meio ambiente e claramente voltou atrás, e que objetifica as mulheres, medindo-as por sua aparência.

Sim, Michelle Bolsonaro é mais jovem do que Brigitte Macron, a primeira-dama francesa, que é 24 anos mais velha do que o presidente Emmanuel Macron. E sim, para Bolsonaro, isso é motivo de humilhação para o francês, que, ao contrário dele, não tem uma mulher jovem e que, na visão de Bolsonaro, possa ser exibida como um troféu. Eis mais um engano de Bolsonaro.

Brigitte é professora, doutora e decidiu recentemente deixar a aposentadoria para lecionar em um projeto de reinserção de adultos desempregados e sem ensino médio ao mercado de trabalho. Mesmo assim, foi reduzida, por Bolsonaro e seu exército, a apenas uma mulher menos bonita do que Michelle. Pior: para eles, a beleza da brasileira é o motivo por trás do discurso de Macron.

Bolsonaro ratifica o discurso machista da objetificação feminina, que imprime valor à mulher pela beleza/juventude dela. É claro, essa não é a primeira vez que Bolsonaro faz um comentário como esse, mostrando o que pensa – pensa?! – sobre respeito e igualdade de gênero. Mas o que chama a atenção é a postura do presidente num momento crítico como esse.

Em meio a um incêndio grandioso na Amazônia, o presidente está preocupado com a aparência e a idade da primeira-dama francesa. É tão absurdo e infantil que beira o inacreditável. Mas, vindo de Bolsonaro, a maioria já entendeu que tudo pode acontecer.

Aliás, de uma coisa Bolsonaro não pode ser acusado: ele não fingiu ser o que não era, até tentou numa fase da campanha, mas na maioria do tempo, foi ele mesmo. Gritou, esbravejou, criticou, humilhou e não mostrou nenhum conhecimento político, econômico ou de gestão. Bolsonaro foi Bolsonaro. E continua sendo, para vergonha, agora, internacional.