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Politica & Mulher
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Tanuza Oliveira

Jornalista desde 2010, com formação pela Unit e atuação em veículos impressos e em assessorias de comunicação em Sergipe. É repórter Especial do JLPolítica desde 2017.

Contratação de mão de obra feminina vai bem além da meritocracia
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Val Paixão: “Cada mulher pode mudar seu diálogo interno a respeito de sua capacidade de ser bem-sucedida”

A sociedade ainda entende que mulher tem que ficar em casa, cuidando dos filhos e do marido. O contrário disso é, no mínimo, egoísmo. E isso não acontece à toa, por mera falta de boa vontade para com as mulheres. É reflexo de anos de subserviência.

Mas hoje os tempos são outros e elas são maioria no ensino superior e também estão buscando seu espaço ao sol no mercado de trabalho, mesmo lutando contra o sistema mercadológico excludente.

Segundo dados divulgados pela Organização Internacional do Trabalho - OIT - 48,5% das mulheres estão inseridas na força de trabalho em todo o mundo, percentual que chega a 75% entre os homens. A diferença, de 26,5 pontos percentuais, é praticamente a mesma registrada no ano passado, quando estava em 26,7 pontos.

“A diferença já não é mais tão distante assim. Segundo pesquisa do IBGE, em 2017, o índice de desemprego fechou o ano em 13,4%, contra 10,5% entre os homens. Havia 6,07 milhões de homens desempregados, contra 6,24 milhões de mulheres”, confirma Val Paixão, master coach trainer, gestora em RH e psicóloga em formação

Apesar de a distância entre os gêneros ter diminuído, é óbvio que ainda não se tem o modelo ideal, que é o da equidade. É claro que vão dizer - já dizem - que o gênero não tem nada a ver e a contratação, seja de homem ou de mulher, depende exclusivamente dos méritos, do currículo.

Mas não é bem assim. Muitas vezes, elas sofrem discriminação e têm que enfrentar uma jornada dupla ou tripla. “Uma das coisas que sempre observava era que em algumas empresas, as mulheres que tinham filhos estavam entre as que não eram escolhidas. E os salários, no geral eram/são mais baixos”, reconhece Val.

Claro que houve avanços, como a própria inserção da mulher na política - que ela acredita que pode e vai melhorar -, além de cargos de liderança, estratégicos, e em cargos que pedem mais força física e coragem.

“Apesar do problema da desigualdade entre os gêneros e a discriminação da mulher no mercado de trabalho, houve evolução das mulheres através de suas inúmeras conquistas, mas a diferença salarial, apesar de tantas lutas, continua a ser um fato marcante entre homens e mulheres”, admite.

Por isso, a coach acredita que que a mulher deve continuar se posicionando no mercado - como vem fazendo, diga-se de passagem. “Como mulher e coach também de mulheres, posso dizer que, embora uma só mulher talvez não tenha condições de mudar a lei referente à igualdade de salários e oportunidades, cada mulher pode mudar seu diálogo interno a respeito de sua capacidade de ser bem-sucedida”, ressalta.

É claro que, no meio disso, você pode ouvir coisas como “foca tanto tempo no trabalho porque é mal-amada”, “não tem marido e filhos para cuidar”, entre outras opiniões preconceituosas a respeito da mulher que trabalha - sobretudo as que alcançam uma posição de liderança, cargos de prestígio e estratégicos que antes eram somente dos homens.

“Uma das coisas que percebo que precisamos continuar a mudar é o nosso mindset, é melhorar a autoestima, a identidade e a confiança, pois eu particularmente desconfio de que ainda hoje acreditam no que nos disseram a “vida toda” sobre a mulher ser sexo frágil, emocional e tantas outras construções não favoráveis”, diz. Pior: muitas mulheres ainda acreditam no que ouviram a "vida inteira" sobre isto. Mas, olha, não é verdade!