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Politica & Mulher
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Tanuza Oliveira

Jornalista desde 2010, com formação pela Unit e atuação em veículos impressos e em assessorias de comunicação em Sergipe. É repórter Especial do JLPolítica desde 2017.

Da Câmara para a Alese, mas com o mesmo posicionamento firme
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Kitty: minha trajetória me proporciona agir com independência

Priscilla Lima da Costa Pinto é uma das deputadas estaduais que compõem a bancada estreante na Assembleia Legislativa de Sergipe – Alese. E se você não sabe de quem estou falando, não se preocupe: poucos a conhecem por Priscilla.
 
Seu pseudônimo político é Kitty. Kitty Lima, 32 anos, filiada à Rede - até então, já que todos devem fazer uma filiação coletiva ao PPS em breve - e ex-vereadora por Aracaju que, em 2018, alçou um voo maior e chegou à Alese como uma das mulheres mais atuantes da política atual.
 
“Não é fácil ser mulher na política, mas é necessário. Todo dia são diversas as barreiras culturais que temos que quebrar, porém ao final é gratificante perceber que suas atitudes encorajam outras pessoas a fazer o mesmo”, afirma Kitty.
 
“Quanto mais mulheres na política melhor, pois é necessário que as mulheres ocupem os espaços políticos. Que elas se candidatem, se elejam e exerçam seus mandatos com independência e verdade”, diz Kitty.
 
Kitty Lima é formada em Direito e em Rádio e TV, mas a causa animal também foi uma de suas principais bandeiras políticas até aqui. “Acredito que o trabalho que eu desenvolvi na Câmara de Vereadores nestes últimos dois anos foi o que realmente a população esperava de mim. Meu mandato foi um exemplo de transparência e de independência, além de ter conseguido avanços importantes para a causa animal, à qual dedico a minha vida desde muito cedo”, avalia Kitty.
 
Parte de uma geração que entrou na política com o intuito de renová-la, Kitty Lima diz que não adianta mudar os nomes das pessoas nessa atividade, mas que é preciso antes de tudo mudar as práticas da política.
 
E em nome dessa renovação, ela também atuou em outras frentes. “Atuamos na proteção à mulher, como é o caso da lei contra o abuso de mulheres no transporte público, a lei a respeito de medidas de informação sobre a violência obstétrica”, lembra.
 
Kitty também criou a lei que obriga supermercados a informarem ao consumidor a respeito da utilização de agrotóxicos nos produtos vendidos. “Agora, precisamos lutar para que essas leis sejam obedecidas e saiam do papel. Não adianta aprová-la e a lei não pegar. Esse é um trabalho permanente que tenho que exercer e toda a sociedade pode ser parceira”, ressalta.
 
Apesar de ter sido minoria na Câmara – junto à vereadora Emília Correa, Patriota –, Kitty garante que em nenhum momento, mesmo com as estatísticas desfavoráveis, pensou que poderia não se eleger pelo simples fato de ser mulher. “Eu confio muito nesse novo sentimento da população de renovar e no sentimento das mulheres em se solidarizar umas com as outras e, unidas, lutarem por seus espaços”, justifica.
 
Mas isso não quer dizer que tenha sido fácil ser mulher num ambiente permeado por homens como a CMA. “Há no consciente e inconsciente da sociedade um modelo a respeito do comportamento ideal da mulher e dentro desse modelo não cabe a mulher que tem personalidade, que bate de frente, que sobe o tom da voz quando necessário. Para muitos, a mulher deve ser recatada, falar baixo, falar por último e sempre concordar”, analisa.
 
Kitty Lima, de fato, não se enquadra nesse esquema: fala, grita, reclama, chora e aplaude. E, por isso, recebeu muitas críticas. “Se grita, é histérica; se não concorda, é sempre do contra, quer aparecer. Quando a mulher decide pensar por si própria e fazer aquilo que seus valores e seu coração determinam, é sempre rotulada e tentam diminuí-la como alguém que não está equilibrada. Isso parte de pessoas que você esperaria uma compreensão de sociedade diferenciada, tendo em vista o cargo que ocupam”, critica.
 
Apesar de nada disso ser planejado, Kitty deve manter a postura atuante e firme na Alese. “Sempre digo que no que o governador fizer de bom para a população, terá meu apoio e meus aplausos. Mas se alguma ação for ruim para a população, terá de mim uma voz forte para reclamar e denunciar - inclusive, já falei isso diretamente a ele. Consigo ser assim porque a minha trajetória me proporciona agir com independência”, comemora.
 
Kitty não tem sobrenome famoso - apesar de ser bisneta do grande Lucilo da Costa Pinto, médico que fundou a cadeira de Urologia no Curso de Medicina da UFS, foi vereador de Aracaju e no ano passado emprestou o nome ao polêmico Centro de Nefrologia do Huse -, ou algum tipo de apadrinhamento político. “Também não utilizo rios de dinheiro em uma eleição. Tudo que faço é com verdade e transparência e acho que esse é um valor da nova política que temos que cultivar sempre. Portanto, na Alese, serei a mesma: sempre mostrando que a mulher tem voz firme para representar e defender os interesses da população”, assegura.
 
Mais que isso: o desejo dela para esse novo mandato é o de que, na Alese, sejam respeitadas as posições dos colegas, independentemente de questões de gênero e que se valorizem todas as falas, pois todas elas são representativas e merecem ser escutadas. Inclusive as femininas!