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Politica & Mulher
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Tanuza Oliveira

Jornalista desde 2010, com formação pela Unit e atuação em veículos impressos e em assessorias de comunicação em Sergipe. É repórter Especial do JLPolítica desde 2017.

Da polícia para a política: três delegadas disputam Prefeitura
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Georlize, Katarina e Danielle: força vinda das classes policiais

Quando o bolsonarismo começou a ganhar força no país, muitos militares e agentes de polícia se viram representados, já que o agora presidente Jair Messias Bolsonaro vem das forças armadas e tem certo tendencialismo para com seus pares.

Desse modo, insurgiu no país uma força vinda das classes policiais. Aqui em Sergipe, a eleição surpreendente e avassaladora para senador do delegado Alessandro Vieira é um exemplo disso – embora ele mesmo não tenha se assumido bolsonarista de carteirinha. 

De lá para cá, com as façanhas - para não dizer outra coisa - de Bolsonaro, o movimento vem perdendo força e adeptos. Mas, para a Prefeitura de Aracaju, três delegadas de polícia disputam ser o peso dessa balança. São elas: a veterana Georlize Teles, DEM e as neófitas Katarina Feitoza, PSD, e Daniele Garcia, Cidadania. 

Georlize está há quase 30 anos como profissional de segurança. “A segurança é, sem dúvida, uma marca importante na minha história. Foi como delegada que vi os problemas e fui chamada a responder por algumas pastas, podendo me aproximar mais ainda dessas questões”, afirma Georlize.

Mas não atribui apenas a essa atuação sua pré-candidatura. “A segurança foi apenas um, talvez obviamente o que me deu projeção na sociedade e mais  conhecimento de Aracaju, mas acredito que seja por uma junção das várias experiências que tive e da minha forma de lidar e dialogar com a população”, justifica.

Para ela, esse movimento de agentes policiais ingressando na política é motivo de felicidade. “Porque sou uma das primeiras. Quando cheguei na polícia, havia muito preconceito de espaço, era – e ainda é – um mundo dominando por mulheres, e eu sempre lutei para que a mulher pudesse ocupar todos os espaços e acreditei que ela pode ser o que ela quiser, basta acreditar nisso”, avalia.

Para Georlize, ver colegas delegadas disputando espaço político, mesmo em palanques diferentes, é bom. É importante para a democracia. “Então, eu respeito e admiro. Quem chegar mais próximo do povo, se mostrar mais, o povo vai escolher. Isso faz parte do processo democrático, que, apesar de algumas falhas, ainda é o melhor regime”, opina.

Katarina Feitoza Lima Santana é formada em Direito e pós-graduada em Gestão Estratégica em Segurança Pública e em Ciências Criminais, delegada de Polícia Civil há 19 anos e pré-candidata a vice-prefeita pelo PSD. O convite para compor a chapa do prefeito e pré-candidato à reeleição Edvaldo Nogueira foi uma surpresa para ela. 

“Minha trajetória técnico-profissional notabilizou-me como uma gestora capaz de resolver problemas, usando a força do diálogo. Nunca fugi de desafios. Vou entrar em um mundo até então desconhecido, mas, jamais perderei as características de gestora e profissional ética e compromissada com a coisa pública”, assegura Katarina Feitoza. 

Ela também vê esse movimento de mulheres da polícia partindo para a política como algo positivo. “Noto que essa é uma tendência exigida pela população e mostra um amadurecimento do eleitorado brasileiro e, de maneira particular, o aracajuano. As pessoas perceberam que não adianta mais demonizar a política, pois é por meio dela, que podemos mudar a realidade social”, avalia Katarina.

Katarina espera que a política tenha mais mulheres e pessoas comuns. “Delegadas (os) advogadas (os), médicas (os), enfim, mais pessoas dispostas a entrar na política se pautando pela ética e com desejo de criar uma administração transparente e técnica. Pessoas dispostas a se engajarem com os temas mais caros ao povo serão sempre muito bem-vindas”. 

Ela afirma que sua atuação policial sempre foi pautada na lisura com o patrimônio público, intolerante com a corrupção, intransigente com a criminalidade e ferrenha defensora dos direitos humanos. “Nunca criei uma política pública como a de redução de homicídios, por exemplo, pensando que isso me traria dividendos políticos. Nunca pensei em ser política”, ressalta Katarina.

De fato, ela sempre deixou isso claro - inclusive, aqui, numa entrevista pra Coluna Política & Mulher: “Fui provocada e instigada a colocar à disposição da população a minha experiência administrativa. Entretanto, tenho em mente que sou delegada de polícia e tenho uma casa para voltar caso o meu nome não seja indicado para ser candidata a vice-prefeita na chapa do prefeito Edvaldo Nogueira”, destaca.

Segundo Katarina, esse patrimônio moral foi conseguido à custa de muito trabalho, suor e lágrimas. “Recordo-me, agora que meu filho tinha meses de vida quando passei no concurso de delegados de polícia. Durante as aulas de defesa pessoal, tiro, entre outras, no Curso de Formação de Delegados, na Academia de Polícia Civil, parava para amamentá-lo. Foi um tempo difícil, mas muito gratificante. Os desafios sempre me motivaram e peço sempre a Deus que continue assim”. 

Danielle Garcia é mais crítica com relação a esse cenário que ela, inclusive, não vê como um movimento organizado. “Vejo pessoas de diferentes áreas que estavam fora da política querendo entrar, e, sinceramente, esse é um movimento legítimo e importante. Seja da polícia ou não, a mudança política depende do envolvimento da população”, alega.

Ela pontua que Georlize, por exemplo, já foi candidata a vereadora, já foi secretária de Segurança Pública e atualmente ocupa cargo público na Prefeitura de Estância. “Ou seja, sempre teve uma atuação política importante”, conceitua Danielle. “Já a minha vinda para a política é recente e se deu por um chamamento do povo, não por uma vontade pessoal minha, por vaidade ou por projeto pessoal”, completa.

Danielle, inclusive, estava em Brasília quando pesquisas apontavam que seria uma forte concorrente à Prefeitura de Aracaju. “Topei o desafio por entender que, respaldada na vontade popular, poderíamos mudar o rumo das coisas na gestão municipal”, garante.

Quanto à pré-candidatura de Katarina, ela diz que atende a um chamado do governador Belivaldo Chagas e do prefeito Edvaldo Nogueira, “pelo que tem sido divulgado na mídia”. Ou seja, para Danielle, não é um fenômeno: são três situações muito distintas. “Acredito que a população deve estar atenta a isso. Posso dizer com muita franqueza: não basta ser delegada, é preciso ter história, compromisso, valores sólidos e coragem para enfrentar a péssima gestão que se apresenta”, diz ela.