Politica & Mulher
Mais estupros e outros crimes de ódio
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“Crimes de ódio” tiveram aumento em 2018

No ano passado, o Brasil alcançou a triste marca de um novo recorde no número de registro de estupros: foram 66.041 vítimas, segundo dados do 13º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública nesta terça-feira, 10.

O crime é um dos poucos que tiveram aumento no ano passado, quando as mortes violentas caíram 10,8%. Os números mostram que os tipos de crime que registraram aumento foram os chamados crimes de ódio, aqueles nos quais há a legitimação da tortura, do machismo e a da misoginia, segundo Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

“Faz sentido se formos pensar que o Brasil vive uma polarização absurda e lida com uma retórica que reforça a ideia de que a violência é um mecanismo legítimo para solucionar conflitos”, avalia Samira. "Tudo indica que estamos diante do aumento de crimes de ódio. Apesar da redução das mortes violentas, há aumento da violência de gênero, LGBT e racial”, completa.

Também na contramão das quedas dos roubos, latrocínios, lesão corporal, entre outros crimes, está o aumento de 20,6% no número de registros de injúria racial: de 6.195 casos em 2017 para 7.616, em 2018. O homicídio contra a população LGBT também registrou um aumento de 10,1% no Brasil, segundo o Anuário.

“Esse discurso tem efeito prático na vida das pessoas. Pensando que os estupros e feminicídios ocorrem mais dentro de casa, podemos ver que essa retórica lá de fora chega sem filtros dentro de casa. Você não pode falar publicamente, mas pode fazer dentro de casa”, acrescenta Samira. Os dados mostram a necessidade de continuar buscando a implementação de políticas públicas que não apenas punam esses crimes, mas que também aja na prevenção, nas causas deles.