Politica & Mulher
Dodge deixa Procuradoria com péssima imagem
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Raquel Dodge: sem Procuradoria e sem bom legado

A agora ex-procuradora-geral da República, Raquel Dodge ocupou um posto importante e estratégico nesses dois anos, tempo que foi mais que suficiente para queimar a imagem dela do que outra coisa. O desgaste teve o ápice no último dia 4, quando os seis procuradores do grupo da Lava-Jato em Brasília anunciaram renúncia coletiva.

Antes disso, Dodge vinha colecionando situações constrangedoras – para não usar outros adjetivos. Ela chegou ao comando da Procuradoria-Geral prometendo coibir supostos excessos da Lava-Jato, mas sem se descuidar do combate aos desvios de dinheiro público.

Falava ainda em ampliar a atuação do Ministério Público em áreas como proteção ao meio ambiente, direitos humanos e minorias. Mas, na prática, o cenário foi bem diferente. Inclusive, Dodge “segurou” casos da Lava Jato por um ano ou até mais.

A ponto de o ministro Edson Fachin, relator da operação no Supremo Tribunal Federal, questionar, no mês passado, a chefe do Ministério Público Federal sobre o andamento das apurações, conforme documento obtido pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Fachin listou 14 casos que estavam, na época, aguardando um posicionamento da Procuradoria, de dezembro de 2017 até hoje – uma soma que chega a 21 meses. Um dos mais emblemáticos é um inquérito que investiga o ex-presidente do Senado Eunício Oliveira, MDB-CE.

Dodge também foi duramente criticada por se deixar levar pelos ventos políticos e pelos interesses pessoais. No início do ano, chegou a saudar o presidente Jair Bolsonaro, recém eleito, por inaugurar “um mandato de mudanças sob a égide da Constituição”.

Mas, agora em setembro, quando já era certo que não seria reconduzida ao cargo, a procuradora redirecionou as baterias contra Bolsonaro e fez um alerta sobre os "sinais de pressão" contrários à democracia no Brasil, corroborando todas as insinuações que acompanharam o seu mandato.