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Politica & Mulher
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Tanuza Oliveira

Jornalista desde 2010, com formação pela Unit e atuação em veículos impressos e em assessorias de comunicação em Sergipe. É repórter Especial do JLPolítica desde 2017.

Karla Rezende bota na rua um bloco disposto a gerar beleza, cultura, alegria e boas vivências
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Karla Rezende e o DJ Cafu: aplicados para a festa do “Meu Bloco Na Rua” do ano passado

Há 30 anos, a médica e endocrinologista Karla Rezende, professora da Universidade Federal de Sergipe, por onde se formou, move mundos e fundos em nome de esforços para levar qualidade de vida às famílias sergipanas. Para garantir-lhes boa saúde.

Coordenadora do Grupo de Atendimento ao Diabético do Ipesaúde e mantenedora do Núcleo de Endocrinologia de Sergipe, um pool de consultórios com mais 10 profissionais, a irrequieta Karla Rezende achou que deveria algo mais a essas famílias sergipanas. À sergipanidade, em si.

E foi aí que, há quatro anos, Karla Rezende literalmente botou o bloco na rua. Isso mesmo: ela fundou o “Meu Bloco Na Rua”, um energizado bloquinho de carnaval que se concentra no Garcia e extravasa por ali mesmo, nas imediações do Pescatore e da Igreja Jesus Cristo Ressuscitado - por trás do Edifício Van Gogh, para quem tem a Avenida Beira Mar como referência.

O “Meu Bloco Na Rua” é, sem dúvida, uma confraria de muitas elegrias. É a própria Karla Rezende quem o traduz. “O “Meu Bloco Na Rua” é uma manifestação cultural que visa resgatar a energia, a vibração dos carnavais antigos e o que há de melhor nas pessoas. Nestes três anos, ele encheu de beleza a vida de tantas pessoas que vieram para os seus limites. Porque ele gera beleza, cultura, alegria e boas vivências”, diz a filósofa Karla.  

Anote aí o dia em que o “Meu Bloco Na Rua” se esbaldará na avenida: neste próximo sábado, 15, no final da tarde. Então, leve sua energia pra rua. E para você não estranhar que uma médica desça dos seus extremos afazeres e sacuda um bloco na rua, Karla lhe manda esta bula - e pede que leia. 

“O médico que não tem cultura não consegue ver no olho do paciente a dor dele, porque é um profissional que está fechado em si mesmo. É preciso entender que a cultura nos abre para a vida”, diz. Abre mesmo. Então, sebo nas canelas - mas, antes, leia esta breve entrevista que a Karla concedeu à Coluna Política & Mulher.

7a482b4bf9516be6No “Meu Bloco Na Rua”, a cultura popular vem no lombo dos bonecos

Política & Mulher - O que é o mesmo o “Meu Bloco Na Rua” e a que ele se propõe?
Karla Rezende -
O “Meu Bloco Na Rua” é um bloco de carnaval, uma manifestação cultural que visa resgatar a energia, a vibração dos carnavais antigos e o que há de melhor nas pessoas. Ele faz isso com fantasias gostosas, com marchinhas e com famílias e suas crianças nas ruas.

Política & Mulher - Quando é que começou essa atividade? Ele nasceu de que projeto?
KR -
O “Meu Bloco Na Rua” nasce em 2017 e foi uma inspiração de um grupo de amigos. O estalo foi dado quando alguém falou: “Gente, poxa, se fizéssemos um bloquinho de rua aqui nesse área ia ser bem legal, e a gente viria só com os frevos!”. E assim se deu.

Política & Mulher - Qual é o extrato do bloco nestes três anos de existência, do ponto de vista de sua significação? Ele deixou que recado?
KR -
Nestes três anos o “Meu Bloco Na Rua” encheu de beleza a vida de tantas pessoas que vieram para os seus limites. Porque ele gera beleza, cultura, alegria e boas vivências. Neste ano de 2020 a gente até pensou em não fazê-lo, por eu estar muito atarefada em minhas atividades médicas. Mas que nada: o resultado é de que o bloco ganhou vida própria. As pessoas começaram a me ligar: “Mas, Karla, não vamos parar, tem que ter". E ganhou uma adesão maior do que a daquele grupo de amigos que o iniciaram.

Política & Mulher - No primeiro ano o bloco estreou com quantas pessoas em média?
KR -
No primeiro ano foram umas 200. No segundo, já éramos umas 500 e no ano passado, fomos cerca de mil.

Política & Mulher - Agora a senhora espera quantas?
KR -
A gente espera haver a manutenção destas mil pessoas, mesmo porque não cabe mais gente. Isso por causa de espaço.

Política & Mulher - Ele se concentra e tem base em que bairro?
KR -
O “Meu Bloco Na Rua” vai ficar concentrado no Garcia. Ele ficará estático. No primeiro ano que a gente saiu, a SMTT foi conosco. Nisso, a gente paga taxas de interações. A SMTT foi escoltando, abrindo as ruas, porque esse trajeto é liberado pela Superintendência, só que no segundo ano a SMTT não foi mais. Então, em cima da hora, a gente não teve o que fazer e foi sem ela, o que gerou muito estresse e não queremos mais nunca aquilo que a gente viveu. Daí o deixamos parado, no Garcia, e todo mundo amou.

Política & Mulher - E quem puxa e anima o bloco esta semana?
KR -
O animará uma banda de frevo durante duas horas. Depois, a cantora Karla Isabella e o DJ Cafu, ambos tocando marchinhas de carnaval antigas.

Política & Mulher - Por que a opção pelos grandes bonecos? Quem será os homenageados com isso?
KR -
Desde o primeiro ano trouxemos os bonecos de São Cristóvão, que fizeram enorme sucesso. Depois, a Secretaria da Cultura não liberou mais. Mandamos fazer uns bonecos e cada um custa R$ 2 mil - foram quatro, pagos com o dinheiro do ano anterior. Agora a gente está introduzindo esses bonecos que são personagens do Largo da Gente Sergipana. Aqueles bonecos do nosso folclore, e vou tentar trazer o Reisado aqui para Aracaju, para as crianças viverem a tradição do Reisado.

5c7df8a9e879a096Como diz Karla Rezende, nesse bloco sobram beleza, cultura, alegria e boas vivências

Política & Mulher - Mas o “Meu Bloco Na Rua” tem pretensão de fazer bonecos futuros de figuras sergipanas vivas ou mortas?
KR -
Sim, tem. Aliás, eu já tentei fazê-lo de algumas figuras, como Maria Feliciana, Zé Peixe, mas aí tem que ter a autorização das famílias, a parte jurídica. O que estou tentando fazer é um boneco do cantor capixaba Sérgio Sampaio, que fez a canção “Eu quero é botar meu bloco na rua”, que é uma espécie o hino do “Meu Bloco Na Rua”. Neste ano, eu farei o boneco dele com o que sobrar, porque acho que ele é um grande nome da cultura nacional e tem tudo a ver com a nossa proposta. Não é demasiado reconhecer que o Sérgio Sampaio é um personagem público e que o nosso bloco foi inspirado na canção dele.

Política & Mulher - Além de médica, qual é a vinculação da senhora com a cultura e por que optou por um bloco com esse viés?
KR –
Acho que o bloco é uma questão de alma. Mas na verdade a cultura e a medicina se entrelaçam. O médico que não tem cultura não consegue ver no olho do paciente a dor dele, porque é um profissional que está fechado em si mesmo. É preciso entender que a cultura nos abre para a vida. A cultura nos faz ir além do drama físico. Por ela, você começa a ver a alma, a arte. É uma disciplina. O médico tem que ler muito para entender a vida do outro, o sentimento do outro.

Política & Mulher - O que a senhora vislumbra de futuro para o “Meu Bloco Na Rua”? A senhora pretende vê-lo eternizado?
KR -
Eu vislumbro vida longa para ele. Se o “Meu Bloco Na Rua” não tiver terminado comigo ainda em vida acho que o nosso legado ficou, porque não quero vê-lo apenas como uma lembrança. De repente, ainda este ano nós usaremos abadá e iremos ao Pré-Caju, que está voltando aí. Seremos uma fantasia para o resgate do carnaval antigo e não do axé.

Política & Mulher - Há interesses mercadológico nesse bloco?
KR -
Não, nenhum. No segundo ano, a gente na verdade até pagou para que o bloco existisse, porque tem o cachê dos artistas e é relativamente caro. No ano passado tivemos um lucrozinho, então a gente doou esse superávit para ONGs. Não foi uma doação diretamente, mas pagamos as contas pendentes de ONGs que resgatam e castram animais nas ruas da cidade.

Política & Mulher - Essa intenção continua neste ano, se houver superávit?
KR –
Sim. Neste ano, como ganhou mais força, botamos na divulgação isso. O superávit que houver, a gente vai distribuir.