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Indicado ao Oscar, Democracia em Vertigem revela bastidores do "Golpe"
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Petra Costa e equipe de Democracia em Vertigem

O documentário brasileiro Democracia em Vertigem voltou a ser destaque na mídia, nas redes sociais e em muitas rodas de conversa. Agora, o motivo foi a indicação do filme ao Oscar, maior premiação cinematográfica do mundo. O filme, da diretora Petra Costa, é uma produção da Netflix e acompanha o impeachment de Dilma Rousseff a partir de uma visão particular de Petra.

O anúncio dos nomes dos concorrentes ao prêmio foi feito na manhã da última segunda-feira, 13, quando Petra usou as redes sociais para celebrar a indicação. Num texto também em inglês, ela disse: "estamos absolutamente emocionados e extasiados por nossos colegas terem reconhecido a urgência deste filme, e honrados por estarmos na companhia de documentários tão importantes".

"Numa época em que a extrema direita está se espalhando como uma epidemia, esperamos que esse filme possa nos ajudar a entender como é crucial proteger nossas democracias", escreveu a diretora do documentário. Está se tornando cada vez mais evidente o quanto o pessoal é político para tantos ao redor do mundo, e acredito que é por meio de histórias, linguagem e documentários que as civilizações começam a se curar", disse ela.

Petra é a única brasileira que pode trazer o Oscar para casa este ano. "Dois papas", filme dirigido por Fernando Meirelles, teve três indicações, mas o brasileiro não entrou na lista de diretores. Democracia em Vertigem reúne  imagens de impacto dos protestos de junho de 2013; do impeachment, em 2016; da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2018; e da vitória de Bolsonaro na disputa para o Palácio do Planalto, também em 2018.

O longa chegou à Netflix em junho. Nos Estados Unidos, o filme também foi exibido em salas de cinema - requisito para concorrer ao Oscar. O prêmio será revelado no dia 9 de fevereiro. Até lá, seguirá dividindo opiniões. O presidente Jair Bolsonaro, por exemplo, ao ser questionado a respeito, na terça, dia 14, na saída do Palácio da Alvorada por jornalistas, disse que não perderia tempo assistindo à produção, que trata do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

"Ficção... Para quem gosta do que o urubu come, é um bom filme", opinou. Perguntado se já assistiu ao documentário, afirmou: "Eu vou perder tempo com uma porcaria dessas?". Depois, sem ser questionado sobre o tema, ele reclamou do livro "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos", da jornalista Thaís Oyama, previsto para ser lançado nos próximos dias.

"Tem uma colega de vocês (jornalistas) que fez um livro que leu meu pensamento", disse. "O livro é fake news, um livro mentiroso". O presidente encerrou a entrevista ao ser questionado sobre um trecho já divulgado do livro que relata que ele mandou o ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, faltar a um depoimento marcado no Ministério Público do Rio de Janeiro.