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Politica & Mulher
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Tanuza Oliveira

Jornalista desde 2010, com formação pela Unit e atuação em veículos impressos e em assessorias de comunicação em Sergipe. É repórter Especial do JLPolítica desde 2017.

Maria do Carmo Alves: 20 anos de Senado e olhar mais sensível à causa feminina
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Maria: “Eleições apontam para novos avanços, mas é preciso mais”

Senadora por Sergipe desde 1999 pelo Partido da Frente Liberal – hoje Democratas, ou DEM –, Maria do Carmo Alves está na metade do seu terceiro mandato consecutivo e é, sem sombra de dúvidas, uma das mulheres mais conhecidas e de maior destaque na política do Estado. 

Maria do Carmo iniciou a vida pública como primeira-dama de Aracaju, em 1977. Depois, foi primeira-dama do Estado de Sergipe por três vezes e sempre foi uma grande companheira para o ex-governador João Alves Filho, com quem é casada e tem três filhos -  além de cinco netos e a quem ela cuida com extremo zelo agora na fase da doença dele. João está um intenso Mal de Alzheimer.

Maria do Carmo exerceu forte participação nos governos de João, especialmente na condução e priorização das atividades sociais e de saúde – tendo sido responsável pela adoção de programas premiados internacionalmente pelas Nações Unidas, como o Pró-Mulher e o Pró-Família –, mas, hoje, mais do que nunca, é protagonista de seu mandato e o usa, também, para viabilizar políticas públicas para as mulheres bem ao modo simples lá dela.

“Temos o compromisso em continuar com as conquistas femininas e com melhoramentos para a saúde e a educação”, ressalta a senadora, que promete estar atenta às necessidades e de portas abertas para receber e acolher as demandas que favoreçam Aracaju e o Estado de Sergipe, trabalhando por elas na esfera federal. “Sabemos que não nos faltará trabalho nesses próximos quatro anos”, destaca. 

A senadora diz que, além de trabalhar por esses objetivos, também atua pela aprovação dos projetos de lei, muitos em apreciação no Senado e outros já na Câmara dos Deputados. “Iniciamos um foco em matérias que possam favorecer e agilizar a administração pública, com desburocratização, avaliação de políticas públicas, para otimizar e evitar desperdício de recursos, e o próprio aprimoramento da prestação do serviço público”, diz Maria do Carmo.

Maria é advogada de formação e já foi empresária nos ramos de construção civil, hotelaria, comunicação e agropecuária nos Estados de Sergipe, Bahia e Alagoas. Mas é na política que vive seu desafio de maior responsabilidade. “Como parlamentar federal, temos o desafio de contribuir com leis que possam, sob vários aspectos, melhorar a vida dos sergipanos e dos brasileiros. Como representante de Sergipe, um Estado que sofre suas limitações, inclusive regionais, precisamos ter força política que assegure recursos e maior atenção do Governo Federal”, admite.

E, finalmente, como mulher, ela tem a responsabilidade de fortalecer o imaginário das sergipanas, incentivando-as a interferir na vida política de sua cidade, de seu Estado e de seu país. “Não é pouca coisa”, reconhece a senadora. De fato, não. Pela idade – ela tem 77 anos – e pela experiência, Maria conhece bem a necessidade de levantar a bandeira do feminismo. Afinal, ela o fez quando o termo não passava de uma ideia distante.

“Ainda sofremos grande pressão cultural, de ordem patriarcal, que inicialmente delimitava a mulher ao espaço privado e que, posteriormente, quando, por força das necessidades, concedeu-lhe o espaço público, o fez com limitações de profissões, salários e, especialmente, acesso ao poder. Por isso, fizemos um grande trabalho na última década para que a mulher pudesse dispor de mais espaço na política”, reitera.

Recentemente, a senadora viajou pelo Brasil e realizou em Sergipe o evento “Mais Mulher na Política”, envolvendo parlamentares, comunidade acadêmica e a sociedade civil organizada. “No entanto, ainda assim, vimos o resultado da recente eleição, em que as mulheres ocuparam espaço recorde de candidatas a vice, em todos os níveis, inclusive aquelas com nomes muito conhecidos e fortes politicamente”, critica.

Ou seja, para a senadora, essas eleições apontam para novos avanços, mas é preciso mais. “Não podemos arredar pé em tornar mais representativos esses espaços, cuja contribuição feminina é fundamental”, completa. Ciente disso, Maria do Carmo defende matérias que são dedicadas às mulheres, que, “na verdade, enriquecem e trazem benefícios à toda sociedade”, segundo ela. E, dentro dessa temática, acredita que seu Projeto de Lei mais impactante é o que estabelece percentual obrigatório de participação feminina nos conselhos de administração das empresas públicas e de economia mista.

“Hoje, esse projeto, que foi aprovado no Senado e se encontra em apreciação na Câmara dos Deputados, já é mais bem aceito. Mas em 2010, quando foi proposto, recebeu muita oposição”, lembra. A senadora se autodefine como uma apaixonada por Sergipe e garante que se identifica com a visão liberal do Democratas, que alinha desenvolvimento social e econômico para atingir um ideal humano de mais dignidade e expressão.

“Uns dizem que sou assistencialista, mas considero que quem precisa tem urgência, e algumas providências precisam ser tomadas para que uma dignidade mínima possa ser assegurada aos mais vulneráveis, enquanto trabalha-se de forma macro para o estabelecimento desses avanços sociais que queremos. Essa é a linha que conduz minha atividade política”, diz.

Atividade política, aliás, que ela exerceu muito pela influência de João Alves, de quem, segundo ela, herdou o respeito pela atividade política e pelos sergipanos. “João vivia 24h as necessidades e a busca de soluções para Sergipe. Nunca fez uma viagem de férias ou passeio sem que comparasse alternativas adotadas por outros locais, conhecesse aspectos da realidade que pudessem melhorar sua atividade pública. No termo popular, “descansava quebrando pedra”. Mas é também memorável, e foi muito marcante para mim, sua capacidade visionária, de antever o futuro”, diz Maria, sem saber que muitas mulheres enxergam nela esse mesmo vanguardismo. 

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado