Politica & Mulher
Jovanka Leal: da falta de empatia à total desconsideração à UFS
6df9ca3b25fc0c6e

Jovanka Leal: visões pouco empáticas e de extrema direita

“Gosto do jeitão truculento do homem brasileiro que Bolsonaro representa”. Essa frase foi dita por Jovanka Leal, titular da Superintendência do Patrimônio da União – SPU –, na Entrevista Domingueira do Portal JLPolítica, publicada no último dia 19.

Admito-me de queixo caído diante dela. Da frase. Primeiro, pelo fato de uma mulher ter coragem de admiti-la assim, publicamente. Segundo, porque esse discurso, num país onde milhares de mulheres são mortas por sujeitos com esse “jeitão truculento do homem brasileiro”, é no mínimo irresponsável.

Segundo relatório da Organização das Nações Unidas - ONU – de janeiro deste ano, são pelo menos três feminicídios por dia. Já uma matéria do G1, de fevereiro de 2019, aponta que 500 mulheres são agredidas a cada hora no Brasil. São 12 mil mulheres agredidas por dia! 

Em Sergipe, de acordo com dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública, só esse ano já foram registrados oito casos de feminicídio; 11 crimes de assédio sexual; 14 de estupro; 13 de importunação sexual; 26 descumprimentos de medidas protetivas de urgência. Tudo isso sob a batuta do “jeitão truculento do homem brasileiro”.

E Jovanka não fica só nisso, não. No último dia 9, no Facebook dela um de seus posts dizia o seguinte: “Em 2017, a UFS disse que não tinha dinheiro para a energia. Daí ela construiu uma praça para os maconheiros. Agora ela está dizendo novamente que ficará sem dinheiro. O que será que virá a ser construído dessa vez? Um teatro de nudismo? O busto do nove dedos?”. Os negritos são desta coluna.

Vale lembrar que Jovanka é professora da UFS, de onde está licenciada para o cargo de superintendente desde o início deste ano. Considerando que esta Coluna Política & Mulher foi criada e pensada para fortalecer o empoderamento feminino, Jovanka já foi reverenciada nesse espaço, exatamente por assumir um cargo importante, certamente por sua competência e conhecimento.

Mas ser contemplada com uma mulher a ter tais visões me faz admitir que Jovanka Leal precisa se modernizar e, enquanto ser feminino, emprestar à sua alma feminina um pouco mais de empatia com as boas causas e as boas posturas.