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Politica & Mulher
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Tanuza Oliveira

Jornalista desde 2010, com formação pela Unit e atuação em veículos impressos e em assessorias de comunicação em Sergipe. É repórter Especial do JLPolítica desde 2017.

Maria Nely sobre o 8 de março: “Que aconteçam as comemorações registrando novas conquistas”
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Maria Nely: “Em sendo uma mulher, negra e historiadora, eu vejo a data como um dia de reafirmação da luta”

O entendimento do papel da mulher na sociedade, seu posicionamento no contexto familiar e no mundo do mercado do trabalho, necessariamente, passam pela história. Há várias décadas mulheres de todo o mundo vêm lutando pela equidade entre os gêneros e pela conquista dos seus direitos. Foi assim, inclusive, que surgiu o Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março.

A historiadora Maria Nely Santos Ribeiro lembra que, em 1857, a pauta da luta feminina era por melhores condições de trabalho, cuja repressão produziu desde violência física até um incêndio na fábrica, causando a morte de 130 operárias.

“Há quem discorde, a exemplo da socióloga Eva  Blay, ao considerar  que no  último domingo de fevereiro de 1908, mulheres socialistas dos Estados Unidos fizeram uma manifestação a que chamaram Dia da Mulher, reivindicando o direito ao voto e melhores condições de trabalho. No ano seguinte, em Manhatan, o Dia da Mulher reuniu 2 mil pessoas”, explica.

No ano de 1977, a Organização das Nações Unidas - ONU - nomeou o 8 de março como o Dia Internacional da Mulher, com o objetivo de lembrar as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres. "Tornou-se um dia simbólico, e essa simbolização faz jus as infindáveis batalhas enfrentadas pelas mulheres até hoje em vários setores da sociedade", reconhece. 

De lá para cá, alguns avanços foram conquistados, como a permissão, pela Constituição Federal, pela primeira vez, que mulheres votassem, em 1932; a criação e a comercialização da pílula anticoncepcional e início da liberação feminina, em 1960; a Lei Maria da Penha, criada em 2006, com o objetivo de coibir as diversas formas de violência contra a mulher; a Lei do Feminicídio, que classifica o assassinato de mulheres por razões da condição do sexo feminino como crime hediondo, em 2015.

Mas eles ainda não são suficientes. “Em sendo uma mulher, negra e historiadora, eu vejo a data como um dia de reafirmação da luta e da determinação para ir vencendo as barreiras impostas pela sociedade. A data tornou-se festiva. Do mesmo modo que com marchas, discursos, fóruns e debates, ela é celebrada com flores, bombons, confraternizações, etc. São bem-vindos, com certeza. Mas será festiva, de fato, quando conseguirmos erradicar a persistência das desigualdades, discriminações e violências", analisa.

Por isso, para a professora, a luta deve ser persistente, permanente e descontínua. “É necessária e vital”, opina. Aliás, para ela, não há dia melhor do que o 8 de março para esta indagação com teor de cobrança: “por que no Brasil só tivemos uma mulher à frente do Ministério da Educação? Lembro que Ester de Figueiredo Ferraz foi a primeira mulher no nosso país a ocupar um ministério, o do MEC, entre 1982/1985. Naquele momento, líderes feministas viram na nomeação da professora um sinal para o advento de novos horizontes. Mas, depois, nenhuma mulher foi convidada. Por essas e outras inúmeras discrepâncias, a luta de todas as mulheres é infindável. Que aconteçam as comemorações registrando novas conquistas!”, argumenta.