Politica & Mulher
Emanuelly Hora e o desafio de gerir a saúde de Tobias Barreto durante pandemia
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Emanuelly Hora: “Temos conseguido, dentro das medidas adotadas daquele momento até hoje, controlar o número de casos”

Enfermeira especialista em gestão da Saúde Pública e Regulação dos Serviços de Saúde pelo Instituto Sírio Libanês, Emanuelly Carvalho Hora está à frente da Secretaria Municipal de Saúde de Tobias Barreto há três anos – antes, passou oito anos como gestora da atenção básica no município de Itabaianinha.

 Apesar da experiência na área, ela admite que estar à frente de uma Secretaria de Saúde é desafio muito grande, ainda mais em tempos de pandemia. “Se tornou mais desafiador ainda, mas quando a gente tem conhecimento técnico, autonomia do gestor, equipe coesa e bom gerenciamento dos recursos, é possível fazer com que a população sinta que tem assistência pública de saúde”, afirma Emanuelly.

A secretária admite que o vírus novo mudou toda a programação do serviço de saúde, não só público, mas também privado. “Mas quando a gente vem com um sistema organizado, a gente percebe que o cenário pode continuar sendo controlado, mesmo diante de um novo panorama, de uma epidemia”, ressalta Emanuelly Hora.

É, segundo ela, o que vem acontecendo em Tobias Barreto, município de médio porte, com mais de 52 mil habitantes, que, até esta quarta, tinha 80 casos confirmados, sendo nove ativos e 37 que tiveram contato com o vírus, mas não adoeceram – descobertos a partir de uma pesquisa epidemiológica. “É uma quantidade mínima de pessoas que estão sendo expostas ao vírus e adoecendo”, assegura.

Isso porque, de acordo com Emanuelly, há um plano de contingência de controle ao coronavírus sendo colocado em prática desde 17 de março, mesmo o município tendo registrado o primeiro caso confirmado em 29 de abril. “Temos conseguido, dentro das medidas adotadas daquele momento até hoje, controlar o número de casos”, garante.

Além disso, ela afirma que o município disponibilizou um serviço de monitoramento diário das pessoas que têm síndrome gripal, bem como de desinfecção de espaços públicos e de orientação intensiva junto à população. “As ações são várias, implementadas desde o início, como barreira sanitária, organização de filas em bancos,  distribuição de máscaras, oferta de testagem para quem apresenta qualquer sintoma, etc”, complementa Emanuelly.

Ela chama a atenção, também, para a adesão da população às orientações sanitárias. “Essas várias ações que a gente executa surtem efeito por causa do trabalho do poder público e do cuidado individual da população”, comenta. Mas não é só isso: a essa receita de sucesso, Emanuelly também acrescenta a autonomia que tem para gerir a pasta.

“Minha relação com o prefeito é harmoniosa, é uma relação de complementaridade de ideias, ele percebe que as medidas que a Secretaria, enquanto órgão técnico, propõe, são efetivas e abrangem grande parte da população, não beneficiando grupos específicos. A gente planeja e executa ações de saúde para a população como um todo, sem segregar lado a ou b”, garante.

“Percebendo isso, ele nos dá autonomia para planejar, de forma ampla e visando o coletivo, para que possamos ampliar o alcance do poder público nessa esfera. Tanto que, ao longo dos anos, implantamos vários serviços, que são destaque em nível nacional. Isso é possível graças à comunhão do pensamento com a gestão, de investirmos recursos no que a população necessita”, acrescenta.