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Politica & Mulher
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Tanuza Oliveira

Jornalista desde 2010, com formação pela Unit e atuação em veículos impressos e em assessorias de comunicação em Sergipe. É repórter Especial do JLPolítica desde 2017.

Organizadas em coletivos e grupos, mulheres levantam bandeira do empoderamento
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Mulheres protagonistas da arte

O Selváticas é um grupo percussivo somente de mulheres. Criado em janeiro de 2019, ele surgiu a partir da vontade de retomar um bloquinho de carnaval chamado "Mais tetas, menos tretas", que reunia algumas das atuais integrantes da banda, e hoje é um exemplo de como a união feminina tem sido importante na construção de um novo modelo de sociedade.

Organizadas em grupos ou coletivos, elas se unem para fazer e debater sobre o que gostam, numa espécie de organização totalmente independente que joga luz sobre temas que precisam ser discutidos. “Nossa principal bandeira é ter mulheres protagonizando a arte, mulheres sendo protagonistas de movimentos artísticos, ocupando as ruas, os espaços, tendo representatividade nos locais ocupados majoritariamente por homens", explica Ludmilla Silva França, que integra o grupo.

Elas se apresentam em festas particulares e públicas, como o Festival de Arte de São Cristóvão - Fasc -; Encontro Regional de Arquitetura e, mais recentemente, o Projeto Verão, em Aracaju, onde debateram a produção cultural feminina.

"Acreditamos que nossa organização é uma ferramenta  importante, não só por ser um grupo só de mulheres, produzido por mulheres, mas por ser de mulheres que não eram profissionais, que construíram todo o processo, desde o aprendizado até a construção do espaço", ressalta Ludmilla.

Isso porque o grupo está fazendo música, ocupando, produzindo e, assim, também está resistindo. "Somos um símbolo de resistência, de enfrentamento, um despertar para muitas mulheres que sempre quiseram ocupar esse espaço, porque até nisso a mulher não é tão instigada", reitera.

"E nós fizemos isso juntas, sem músicos profissionais. Tudo isso é muito significativo para enfrentar esse padrão. Até porque a gente sente também quando toca e fala com o público que elas se sentem representadas. Onde a gente se apresenta instiga elas, planta essa semente e cria um engajamento", comemora.  

Laila Thaís Oliveira integra a Auto Organização de Mulheres Negras de Sergipe Rejane Maria, que existe há seis anos, e explica que a organização surgiu como um espaço para que mulheres negras pudessem se encontrar para falar de suas vivências e das opressões que sofrem, como o racismo, o machismo, o sexismo, a lesbofobia e a transfobia, por exemplo.

Esse espaço é de resistência e fortalecimento e começou com reuniões onde líamos um texto e discutíamos, relatando experiências vivenciadas. A gente se via uma na outras e fomos vendo o delinear de um grupo mais consolidado", ressalta Laila.

O grupo tem uma dinâmica horizontal, sem hierarquia. “Não temos coordenação ou direção, por isso é uma auto organização. A gente parte da premissa de que todas são responsáveis. A gente faz atividades nas escolas, nas praças, participando de construções coletivas”, ressalta. E, assim, coletivamente, elas vão inspirando outras mulheres a resistirem, sempre, independentemente da ferramenta utilizada para isso.

Foto: Bruna Noveli