Politica & Mulher
Repúdio: entidades rechaçam programa esportivo por LGBTfobia
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Casa de show foi alvo de críticas

As entidades organizadas do movimento LGBT sergipano e brasileiro - Associação de Direitos Humanos e Cidadania LGBT, Grupo Lésbico de Sergipe Athena, Associação de Defesa dos Direitos Humanos de LGBTs do Estado de Sergipe, Associação de Travestis e Transexuais de Lagarto, Levante Popular da Juventude, Associação LGBT de Estância, Associação LGBT de Simão Dias, Rede Nacional de Pessoas Trans do Brasil, Grupo Homossexual do Bugio e ADA LGBT do Baixo São Francisco – vêm a público repudiar o programa esportivo Debate Bola da Rádio Jornal.

“Nesta terça-feira, os arcaicos radialistas criticaram a escolha do Espaço Suburbia para a coletiva de imprensa de apresentação do novo técnico do Confiança, com palavras pejorativas, de baixo calão e de uma natureza extremamente LGBTfóbica citando a casa de shows como “Refúgio GLBT”, e se referindo a LGBTs como “viado” e “sapatão”.

O fato demonstra, além da falta de ética jornalística, o atraso e vergonhoso modelo jornalístico encontrado em alguns meios de imprensa que possuem profissionais arcaicos, que vergonhosamente expõe nosso Estado ao atraso, em tempos que a imprensa nacional aponta a repressão a qualquer forma de racismo ou LGBTfobia.

No ano passado, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) determinou que o canto LGBTfóbico da torcida pode ser enquadrado como ato de preconceito e, assim, fazer com que o time perca os três pontos do jogo que está em disputa. No fim de agosto de 2019, 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro fizeram uma rara ação conjunta por meio de seus perfis em redes sociais, onde os times divulgaram conjuntamente postagens estendendo as campanhas entre sócios contra a LGBTfobia dentro dos estádios, trazemos como exemplo o clube Fortaleza com a campanha #SomosPlurais. Nela, o clube cearense defende o fim da LGBTfobia.

Desde 2016, a Liga espanhola publica um guia de "boas práticas", no qual defende a "tolerância zero" contra qualquer tipo de discriminação, a liga manda também semanalmente um relatório para a Comissão de Disciplina da Federação Espanhola e para a Comissão de Combate à Violência que inclui insultos proferidos pelos torcedores nos estádios e sugere punições, na França autoridades lançaram campanha em combate a LGBTfobia nos estádios, denunciando cantos de torcida e cartazes preconceituosos.

Externamos nossa total indignação e lamentamos a postura desses que se dizem profissionais do radialismo sergipano e não merecem a mínima projeção pela desconstrução da ética jornalística que propagaram, solicitamos posicionamento público da rádio jornal AM e do sindicato da categoria. O que foi dito no programa se enquadra em crime de calúnia, difamação e homofobia.

Parabenizamos o Suburbia e outras casas de eventos abertas a todos os públicos que seguem a lei municipal de Aracaju nº 3.723 que proíbe discriminar por orientação sexual, e a atual decisão do Supremo Tribunal Federal que equiparou a LGBTfobia à Lei do racismo, garantindo que não ocorra nenhum tipo de preconceito e exclusão para esta população.

A Astra - entidade que possui plantões semanais de assessoria jurídica disponível para toda população LGBT –, que se sente discriminada pela sua orientação sexual e identidade de gênero, informa que buscará medidas legais e jurídicas sobre os fatos ocorridos.