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Politica & Mulher
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Tanuza Oliveira

Jornalista desde 2010, com formação pela Unit e atuação em veículos impressos e em assessorias de comunicação em Sergipe. É repórter Especial do JLPolítica desde 2017.

Pioneiras, Maria do Carmo e Goretti Reis defendem ampliação de atuação feminina
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Maria e Goretti foram pioneiras na política sergipana

Uma está no terceiro mandato de senadora e a outra no quarto mandato de deputada estadual. Ambas romperam barreiras não apenas ao ingressar na atividade política, mas por se manterem e se firmarem nela. Esta semana, depois de abordar a questão histórica do 8 de março, ainda em alusão à data, a Coluna traz reflexões de duas mulheres pioneiras da política em Sergipe: Maria do Carmo Alves, DEM, e Goretti Reis, PSD. 

“É motivo de orgulho e de grande responsabilidade representar meu Estado no Senado Federal, já no meio de um terceiro mandato. Reconheço que é uma verdadeira proeza, porque historicamente Brasília é um ambiente restrito aos parlamentares do sexo masculino”, admite a senadora Maria do Carmo.

Para ela, tem havido alguns avanços da participação feminina na política do Estado, especialmente no número de gestoras municipais, mas o patamar ainda é muito pouco representativo nos parlamentos. “Tanto na Assembleia Legislativa quanto na Câmara de Vereadores da capital, o número de parlamentares ainda é muito pequeno para a quantidade de mulheres preparadas que temos, em condições de assumir essas posições de poder na nossa sociedade”, reforça Maria.

Quando se fala de sergipanas na esfera federal, então, a defasagem de representação é muito maior: desde 1999, quando Maria assumiu o mandato no Senado, apenas a deputada federal Tânia Soares, na condição de suplente de Marcelo Déda, que havia assumido a Prefeitura de Aracaju, exerceu um mandato na Câmara dos Deputados. 

“Tem sido uma preocupação constante nossa em Brasília criar condições para garantir maior representatividade e maior participação da mulher na política. Temos bancadas femininas muito ativas nas duas casas legislativas e tivemos algumas conquistas. Mas ainda há desafios persistentes”, analisa a senadora.

Para vencer esses desafios, Maria do Carmo aponta dois caminhos: mais atuação dos partidos nesse sentido e mais apoio da família e da sociedade. “Talvez eu tenha tido muita sorte de encontrar na família meu principal estímulo e também a minha principal referência política. Viver ao lado de João Alves, despertou-me para a política, especialmente a partidária. Ele era um político notável, habilidoso e apaixonado. Era visionário e a paixão que imprimia no que fazia, contagiava”, admite.

1a1e1d9b31f7c605Goretti Reis: luta por espaços ainda requer muitas mulheres destemidas e pioneiras

A deputada Goretti Reis também teve esteio em sua família para entrar na política. O pai, Arthur Reis, foi prefeito de Lagarto e deputado de Lagarto. Para ela, esse espaço só foi possível porque muitas outras vieram antes - como a própria Maria do Carmo -, e o pioneirismo se justifica mais pelas ações do que pelo mandato em si.

“Se você considerar pioneira na defesa da mulher na Alese, eu sou sim, porque a partir do momento que a gente criou a Frente Parlamentar em Defesa das Mulheres, ainda em 2015, e depois a Procuradoria Geral da Mulher, em 2019, esses avanços e debates passaram a estar na pauta e a Alese, um elo para o fortalecimento dessas políticas públicas”, justifica Goretti.

Esse elo, segundo Goretti, tem possibilitado a construção de toda uma rede de assistência à mulher. “A gente conseguiu falar mais do tema, melhorar alguns serviços, como a ampliação do serviço da Delegacia da Mulher e do Instituto Médico Legal – IML -, além da própria Patrulha Maria da Penha, que já atua em Aracaju e em Estância”, exemplifica.

Mesmo com essas conquistas, a deputada acredita que a luta por espaços ainda é muito atual e ainda requer muitas mulheres destemidas e pioneiras no fronte. “Por causa da cultura de achar que os espaços são deles, principalmente na política, onde o crescimento é muito incipiente e, por isso, o ambiente ainda é muito masculino”, ressalta.