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Politica & Mulher
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Tanuza Oliveira

Jornalista desde 2010, com formação pela Unit e atuação em veículos impressos e em assessorias de comunicação em Sergipe. É repórter Especial do JLPolítica desde 2017.

Psicólogo cria Grupo Terapêutico para Homens: “Não vejo como mudar esta realidade por iniciativas individuais”
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Homens deixam de achar que são “donos” e aprendem a ser companheiros

O psicólogo João Sampaio Martins está iniciando, agora em maio, um Grupo Terapêutico para Homens. Ele já foi diretor de Direitos Humanos da Secretaria Estadual da Inclusão e Assistência Social e conhece bem os cenários que refletem problemas estruturais alicerçados em pilares como o patriarcado e o machismo tóxico, que, para o profissional, transcendem a própria figura do homem.

“Não vejo como mudar esta realidade por iniciativas individuais. Penso que mudanças macro dimensionais exigem novas pactuações sociopolíticas que, neste caso específico, envolvem, entre outras coisas, redução das desigualdades de gênero e maior representatividade feminina, ou seja, mais mulheres na política e em diferentes espaços de poder”, afirma João Sampaio.

E é nesse cenário que se encaixa o Grupo Terapêutico de Homens – Online. “O Grupo se configura com um espaço coletivo micro dimensional. Os homens que participam de espaços com este geralmente têm uma pré-disposição a pensar sobre os sentidos e significados de ser homem”, explica João.

Ou seja, para o psicoterapeuta, eles chegam com o intuito de rever atitudes e características e, dessa forma, muitos conseguem perceber que há outras masculinidades possíveis, distintas do padrão de homem que é apresentado socialmente. Ele reconhece que, muitas vezes, este é um processo duro, mas muito belo de poder acompanhar.

“Homens que deixam de achar que são “donos” de suas esposas e namoradas e aprendem a ser companheiros, homens que percebem que as tarefas domésticas são responsabilidades de quem compartilha um mesmo lar, homens que conseguem abraçar e beijar os filhos mesmo não tendo recebido este mesmo carinho de seus pais”, diz ele.

E7172057377cfbbfJoão Sampaio: mudança lenta e em pequena escala

É deste modo que João acredita que o Grupo pode ajudar a mudar o cenário de violência contra mulher: sendo um catalisador para produção de novas subjetividades masculinas, menos agressivas e mais sensíveis. “O Grupo possibilita uma mudança lenta e em pequena escala, que pode ter um alcance cada vez maior quando um homem que passa por este processo transmite estes novos valores aos seus filhos ou passa a problematizar atitudes machistas de amigos e parentes, ou mesmo quando convida outros homens a trilhar esta caminhada”, avalia.

O Grupo Terapêutico de Homens funcionará online, em uma plataforma na internet, com encontros semanais que serão iniciados agora em maio. Cada encontro tem duração de uma hora a uma hora e meia, a depender da dinâmica de cada dia. “O modo de funcionamento se dá a partir de questões disparadoras a cada encontro e, sobretudo, a partir do que cada participante trouxer. O foco é nos participantes”, ressalta.

Como é um grupo terapêutico e, como muitos homens têm dificuldades de falar sobre os sentimentos, há uma relação ética de sigilo com tudo que for falado no grupo, bem como é recomendado que os participantes permaneçam no grupo por pelo menos um mês para que haja tempo de experimentar a construção de vínculo terapêutico e senso de pertencimento de grupo. “Assim, teremos entre 4 e 5 encontros mensais a depender do número de semanas de cada mês”, explica.

O valor, R$ 160, é mensal. “O Grupo não busca por um determinado perfil masculino, constitui-se num espaço inclusivo, acolhendo homens de direita, esquerda, centro, pretos, brancos, amarelos, ateus, católicos, muçulmanos, héteros, gays, trans, bi. Os homens que participam deste Grupo estão por iniciativa própria, são homens que, no geral, estão interessados em pensar coletivamente E refletir sobre como nos relacionamos conosco, com as pessoas ao nosso redor e com o mundo”, resume.